segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Inferno, uma hipérbole aos mortais


“Se o teu olho direito te faz pecar, arranca-o e lança fora, pois é melhor entrar na Vida com um só olho do que ir com os dois para o inferno”. Hora essa! Porque na nossa interpretação o olho é simbólico e o inferno é literal? Porque ninguém até agora arrancou o olho direito que tanto o fez pecar, e mais ainda: porque nenhum homem ainda não arrancou alguma de suas partes “indignas” para poder ser salvo. Então é assim: o inferno ta lá queimando que uma beleza! Mas arrancar a língua, a mão, o olho ou qualquer outro membro que é bom ninguém arranca!

Qual o critério de uma coisa ser literal e a outra alegórica? Porque se ignora um “mandamento” enquanto se teme uma analogia mítica como força de expressão de uma realidade eterna não compreensível? Entende-se que o bom senso é o discernimento do que se é fictício ou literal. Agora me diz uma coisa: que bom senso tem na existência de um lugar de condenação permanente para quem (não pediu para vir ao mundo) peca por setenta anos nesta vida (e não consentiu em nascer pecador) e passa o resto da eternidade pagando por esses seus pecados hediondos: dançar, beber e fazer “amor” fora de hora!

Meu Deus! Como assim? Eu lá no céu na maior alegria e milhares dos meus semelhantes queimando para sempre no quinto dos infernos? Só se eu estiver sedado para não me importar com isso! Ou será necessário Ele (usar deste artifício) apagar da nossa memória a existência dos nossos entes queridos que ficaram para traz, (blasfemando de Deus para sempre) para nos termos paz! Que paz? E a promessa de nunca mais choro, nunca mais dor? (nunca mais pra meia dúzia, será? enquanto a maioria da humanidade se arrebenta, se acotovelando em ódio mutuo, perpetuando o pecado na existência?)

Aquele que era o pedagogo por excelência, instrutor em parábolas, analogias, metáforas, poeta das plantas e animais, prosador da vida do homem do campo, e contador de historias e enigmas, não nos quis falar do inferno como algo literal. Mas sim como uma hipérbole que é força de expressão do significado de aniquilação irreversível que representa o fogo eterno. Hipérbole é uma exageração intencional de linguagem com o intento de tornar mais expressiva à idéia, como figura metaforica propositada para acentur a expressão do conceito, de modo a espor de forma dramática aquilo que se pretende vocabular, transmitindo uma idéia aumentada do autêntico.

Isso nao é engano ou mentira, mas metodologia consciente para se dizer aos que não tem estrutura e entendimento para receber toda verdade. Pois sendo universal a sua mensagem Ele usava desses recursos para atingir de forma subjetiva cada pessoa, de todas as eras e povos, com entendimentos e capacidades de compreensão diferentes. Mas agora que crescemos e temos a capacidade de suportar certas desconstruções dos dogmas provisórios, e não somos crianças disciplinadas pelo medo, uma coisa não podemos deixar de sentir e dizer: que o inferno entendido como condenação literal e perpetua, não condiz nem com o senso de justiça intrínseco no espírito do homem e muito menos com o espírito do evangelho revelado no Amor e Graça do maior Mestre em figura de linguagem, contos alegóricos e palavras expressivas que já existiu!

Gresder Sil

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Teologia de Rua


Não só não acreditamos como também não queremos outra teologia que não seja feita no mais baixo chão desta terra. Nenhum conhecimento frio e sistemático que vem do gabinete protegido de um “ancião” nos atrai mais. Mas somente esse evangelho feito na realidade do asfalto quente deste trânsito furioso das grandes cidades e na agressividade destas ruas perigosas em que vivemos. Sim! Pois é teologia feita com Vida no meio da vida em meio à certeza de não estarmos imunes a morte trágica e repentina. Porque nenhuma verdade que não seja a verdade de cada dia vivido na poluição da estrada de nossa existência nos seduz mais.

Pois não vemos mais nos olhos de ninguém essa doutrina de super revestidos que estão imunes as tragédias humanas e vícios morais que atingem todos os que conosco estão no mesmo barco da existência e esperança de viver neste mundão de Deus. Só a realidade que é vivida e sentida em cada um que crê, mas sem se apoiar ou se servir de Deus, é de fato verdade e não teologia de espiritualidade que diz como deveria ser, e não como realmente é de verdade na experiência. Pois se não é verdade em mim e na vida do meu irmão que comigo caminha, é porque de fato realmente não acontece mais a ninguém.

Mas também, não só não vemos como nos recusamos a crer em meio as tragédias humanas nessas promessas que nos livram do mal, enquanto mil caem ao nosso lado e dez mil a nossa direita. Pois nos sentimos irmanados com todos nesta existência e voluntariamente nos dispomos a viver como todos que tem que enfrentar a vida de peito aberto e não egoísta covardemente acreditar numa teologia tribal privilegiada que acredita se refugiar embaixo das assas do Altíssimo enquanto o resto do mundo que se dane. Pois estamos cientes que o mal do mundo a que estamos livres, é mal moral de estarmos alienados da Vida em Deus e não o mundo com todos os seus desastres humanos, defeitos morais e crises existenciais.

Tornamos-nos marginais da religiosidade, e para poder sobreviver temos que criar a nossa própria teologia. Teologia que é feita de baixa para cima, conforme a certeza de uma realidade humana que não da para mudar com receitas espirituais, por mais que tente nos impor uma lei de moralidade a qual mais degrada o ser do que o liberta. Pois aqui, na realidade crua de nossa existência só é verdade o que é verdade em nos, e o que vemos na impotência revelada na sinceridade dos olhos dos outros. Pois não adianta dizer mil vezes que devemos ser assim, e que deveria ser assado. Quando todo nosso ser sente que não é como deveria ser conforme o ideal escrito da doutrina, mas como esta sendo dito na realidade gritante da teologia clandestina de rua feita nas experiências do chão desta existência, onde entendemos que os excluídos é que são prioridades do Reino daquEle que veio não somente para um povo escolhido e protegido, mas para ser da humanidade inteira pela qual se identificou e se irmanou sofrendo junto as sua dores, na sua trágica morte de Cruz.

Gresder Sil

Uma descrição da teologia feita por Marcio e Edson

domingo, 31 de janeiro de 2010

Como se corrompe um ser


Existia um rapaz em que no tempo em que ele começou a descobrir os prazeres do mundo, a religião invadiu o seu ser, incendiou a sua alma. Que felicidade! Agora a sua vida tinha um novo sentido e ele não mais precisava buscar nas efêmeras alegrias o consolo de viver num mundo tão contrario e insensível aos nossos desejos e planos que fazemos nesta vida.

Entretanto satisfeito a sua alma, o seu corpo ficava no vazio! E a sua carne pedia o seu tributo, queria ela também ser saciada. Daí que uma das primeiras coisas que “lhe ensinaram” era para que ele matasse a sua velha natureza e lutasse contra os desejos da sua carne. Que luta! Que agonia! Descobriu que dentro de si mesmo existia uma guerra que o impedia de ser completamente feliz.

Mas como sempre a religião tinha a solução, pois “lhe ensinaram” que era somente ele buscar as coisas do espírito que as coisas do mundo perderiam o seu poder sobre ele. Foi então que ele descobriu um novo prazer: ensinar os preceitos da religião. Pois sendo a vida resumida na fuga da dor e na busca do prazer, ele agora substituía o prazer das coisas do mundo pelo prazer das coisas do espírito.

No entanto de tempos em tempos seus antigos grilhões vinham ferroar sua carne. Pois quanto mais ele lutava contra ela mais ela insatisfeita lhe afligia a alma. Todavia ele, seguindo os ensinamentos da religião, mais se dedicava ao espiritual para não somente vencer como também para compensar no espírito o prazer que lhe era privado na carne.

E deste modo ele se fortalecia nas coisas do espírito. E tanto mais ele lutava e se dedicava mais ele se destacava e mais instruído e importante ele ficava no meio das pessoas da sua religião. E na medida em que ele ia mais se comprometendo e se aprofundando nos mistérios da religião, mais ele ia com desespero de fracassar, intensificando suas tentações. Contraditoriamente tornando cada vez mais forte a carne na resistência dos venenos sofisticados que tentavam mortificá-la.

Passado o tempo, agora ele era sacerdote da religião e sentia fugir de si mesmo toda pureza e simplicidade que tinha e que o levaram ao lugar e poder que agora possuía. Pois não enxergava mais as coisas como antes, e percebera que quase que tudo que era atribuído a religião tinha a sua simples explicação nos acontecimentos desta vida. Só que agora não podia mais mudar as coisas, pois tinha construído um império, que lhe dava seu imenso prazer de viver e sentido de existir gloriosamente.

Estando com seu lado social religioso satisfeito bateu na sua porta o desejo da carne faminta no momento onde ele não somente estava exausto de tanto lutar como também não mais acreditava em quase tudo em que olhava na religião. Ai então que desencadearam sobre ele uma espécie de desejo desenfreados de satisfazer todas as vontades reprimidas ou mal satisfeitas de sua juventude.

Só que tudo isso lhe custava dinheiro, daí que ele fez do seu oficio sagrado um meio de vida e renda já que não acreditava em mais nada, pois estava frustrado por seguir os ensinos da religião que não o livraram da sua carne. Pois como não sabia ser ou fazer outra coisa na vida que não fosse ser ministro da religião, ele começou a ensinar com eloqüência para o povo aquilo a qual eles queriam ouvir. E assim lhe traziam aos seus pés todo dinheiro que ele precisava não somente para manter seu império como também para satisfazer toda sua luxuria.

Gresder Sil

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SACRIFÍCIO ETERNO


Será que no mais profundo da nossa fé precisamos dos eventos históricos que envolvem a vida daquele que foi ungido para ser a face de Deus entre os homens. A sua vida não foi tão singular entre as pessoas que talvez elas o envolvessem em um manto mitológico de eventos e fatos que assegurariam para o futuro a sua natureza Divina imune ao processo (“impuro” e deteriorável) comum de nascimento, vida e morte dos mortais.

Desde o seu nascimento e partida, ha aparições e eventos relatados um tanto quanto para causar deslumbramento, e assegurar a fé em sustentações não humanas. Não que o que aconteceu com ele não possa ser de fato histórico, antes muito mais do que isso, pois são supra-histórico, como repetição na existência o que se foi feito na essência e na eternidade do cordeiro imolado desde a consumação de todos os séculos.

Todo detalhe que porventura não foi um acontecimento histórico, foi como um símbolo de um ato eterno da redenção ministrada no cordeiro desde a fundação de todas as eras, não só para esse mundo, mas para todos os mundos e criaturas de Deus neste universo infinito sem começo e sem fim de dias e limites de espaços. Uma vez que o Criador seja ilimitado em sua capacidade de criar reinos e seres morais, livres e autoconscientes, ele haveria de providenciar um cordeiro eternamente sacrificado, para todos os mundos e universos que existiram, existem e existirão para todo o sempre.

Não que essa obra seja um ato físico envolvendo ação e movimento em algum lugar espacial fora deste nosso mundo, mas sim um estado existencial na disposição do Ser do Criador para com as suas criaturas; pois de fato Deus sendo Espírito não precisa de um sacrifício concreto de sangue para que seja aplacada a sua Ira e Justiça, mas criou a mais linda história como símbolo eterno de redenção para todos os mundos, representado aqui no palco desta terra, na Vida e Paixão do seu Servo Jesus.

Gresder Sil

Post dedicado ao Eduardo Medeiros mestre dos Sinbolos


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Uma costela


Três dias e duas noites de caminhada extenuante. As sandálias de Adão se arrebentam; Eva tropeça e cai, ficando para trás sem que ele a perceba.

O deserto após o paraíso é semi-árido; o chão é duro como pedra. Adão sente seu vigor físico se exaurir. Sobre seus ombros pesa mais a responsabilidade de ser o autor de um ato de desobediência que desencadeara para toda a humanidade uma vida de miséria física e moral e a alienação com o Criador, do que o peso de Caim e Abel amarrado sobre suas costas.

Gritos de crianças desesperadas ao pé do ouvido despertam Adão do seu entorpecimento mental, produzido por uma culpa dilacerante e por um sol causticante. Adão volta vinte passos; Eva está lúcida. Mas não tem forças para se levantar; o sangue esfria e todo peso de uma fadiga redobrada cai sobre seu corpo com o pessimismo que um cansaço extremo produz. Por hoje Eva já não conseguira mais andar. Instintivamente Adão solta os meninos no chão e pega sua fêmea sobre seus braços.

Horas depois, Eva acorda ao lado de seu marido, que conseguiu alcançar antes que a noite caísse, uma arvore frondosa para repousar. Mesmo tendo apenas cochilado nas noites anteriores, Adão não consegue serrar os olhos. Pois, por ironia da natureza, uma dor de cabeça por falta de sono impediu-o de dormir.

Ate esse momento Adão ainda não tinha reparado em Eva. E todo o seu cuidado com os filhotes e sua mãe era impulso irrefletido de pai de família. A sua preocupação era existencial, não como individuo, mas como progenitor da raça humana.

Ao despertar e olhar o semblante abatido do seu homem, os temores e aflição de Eva voltam novamente. Ela não pondera assim como ele, nas conseqüências desastrosas que o ato do casal produzira em toda a sua descendência, e muito menos na sua condição física, higiênica e pessoal lastimável, mas unicamente na vida integral da pessoa que era seu companheiro por imposição divina e sentimentos ternos e humanos. O bem estar do seu esposo era o que realmente importava para ela naquele momento.

Há quase dois dias eles não trocam palavras. A comunicação básica era visual. Tirando sua roupa e a dele, ela se põe sobre ele. As suas mãos, agora descuidadas e ásperas, mas ainda delicadas, massageiam os músculos tensos do corpo exausto e desidratado de Adão.

Na medida em que ia relaxando o seu espírito desesperado se acalmava. E só então ele começa a perceber que caminhava ao seu lado e agora diante dele, uma mulher maravilhosa e uma companheira imprescindível.

Que contraste! Ele, macho em todo tempo, reflexão profunda, decisão objetiva, passo e mente pesada, enfim preto e branco. Ela colorida em todo o seu esplendor de sensibilidade, carinho, leveza e multiplicidade de interesses supérfluos que encantam e enche á vida do ser humano.

Deitados as suas mãos meigas percorrem o corpo de Adão, e suavemente sobem ao seu pescoço, e com um sorriso de ternura ela encontra nos olhos fundos daquele homem, um olhar que a contempla em toda a sua flor de feminilidade e doçura. Eva estava suja, mal cheirosa e despenteada; mas por ser notada irradiava em seu semblante uma alegria que tornava sua beleza insuperável.

Os seus membros se tocam os seus espíritos se encontrão. Adão se excita, e pelas circunstâncias se envergonha também. Eva sorri maliciosamente. Estando ela por cima, pela primeira vez, ela faz todo o “serviço” sozinha.

Findo um ato sublime de amor e de desejo, Adão vira Eva por baixo de si, e naquele momento amando-a profundamente quebra o silencio respeitoso e solene que se prolongava entre eles:

- Eva o meu ato de desobediência no paraíso, foi uma atitude de fidelidade a você. Eu estava consciente e poderia ter recusado o fruto de suas mãos, esperando que Deus criasse para mim outro ser, enquanto você se perdia. Mas o que seria a outra, se você é mulher no seu sentido mais plena, e feminina na sua acepção absoluta.

- deve Deus já ter feito e inventará, pois nunca deixara de ser Criador, mundos universos e reinos incomensuráveis e monumentais, para muito além de nos e de nosso entendimento. E tudo o que Ele faz é repleto de poesia, graça e significados inexauríveis; e em você minha flor do Éden, Ele imprimiu partes da essência encantadora do seu Ser. Mulher! Toda a sua beleza, sensibilidade e brandura emanam dos atributos e da riqueza de sentidos do amor e da alegria que existem no ser de Deus.

- nenhuma outra mulher poderia fazer esvanecer-se a sua imagem de minha alma. Indubitavelmente por ser a primeira você é a mais linda e surpreendente de todas as mulheres que virão. Sem você seria horrível, alem de só eu não me sentiria homem. Seria como se me carecesse alguma coisa. Sinto que algo me faleceria bem aqui dentro de mim. Enfim seria como se faltasse algo tão entranhado em mim, como... Sei Lá!... Uma costela, por exemplo!

Gresder Sil

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Comportamento feminino-religioso


A igreja evangélica hoje corre o risco de se tornar assim como a igreja católica: uma religião de mulheres e crianças. Isso é estatística: entre as categorias de leigos que não exercem função nenhuma nas igrejas a maioria dos membros são mulheres. Porque essencialmente o homem sendo um ser mais voltado ao lado social da vida, vê os meandros da instituição, a mulher não! A mulher vai à igreja por que se interessa pelo sentido espiritual da religião e não se preocupa tanto com a direção institucional administrativa da igreja.

A mulher geralmente não se frustra ou se rebela contra a liderança religiosa, por que ela vai à igreja para ver Deus mesmo; já o homem, vê os homens, seu domínio, suas ideologias, sua política. O homem sendo mais racional perde com isso, a mensagem é broqueada pelo seu olhar desconfiando do andamento da Coisa. Enquanto a mulher geralmente mais emocional e não tendo os instintos tão desenvolvidos de socialização política, busca o que realmente interessa: “a fé, o amor e a esperança”.

O homem nota a fragilidade do Dogma, a fraqueza dos ministros, à mulher observa a operação de Deus, a infalibilidade Divina; o homem enxerga os interesses da cúpula, a mulher discerne a vontade do Senhor. O homem tem na igreja interesses de poder, quer seja na liderança, ou no poder de influência em sua insurreição contra a denominação. O homem de habilidade, se não conseguir relevância por não adotar o pensamento dominante do sistema, revolta-se contra ele, e frustrado acaba ficando em casa. A mulher vai à igreja porque pra ela é lá que é a Casa de Oração, pra ela sendo Cristo o Cabeça, jamais se frustra.

Enquanto a mulher crê que o pastor (ou padre) é um homem quase infalível, posto incondicionalmente por Deus, o homem suspeita ser o sacerdote um homem que se impõe a si mesmo, que erra muito, que é parcial. Por isso sendo a mulher aberta para a atuação de Deus por vasos humanos, ela naturalmente é mais piedosa e olha a igreja com o amor que: “não suspeita mal, não se ensoberbece, tudo crê, tudo suporta”

O homem pensa, consistir Deus em um Ser masculino, racional, eqüitativo e sistemático, por isso se debate em doutrinas. Mas a mulher sendo mãe entende que Ele é um Ser assim como ela, que gera a vida de si mesmo e que cuida especialmente de cada um dos seus pequeninos. O que equivale a dizer que enquanto o homem erradamente presume que Deus esta preocupado com coisas abstratas como a verdade e a justiça, a mulher instintivamente percebe que Ele se preocupa verdadeiramente é com pessoas reais que tem sentimentos, que sofrem, que chorão.

Jesus vendo a humildade e pureza das crianças nos disse para ser como elas, eu ousadamente acrescento (vendo à bestialidade do homem como animal político que gosta da disputa do embate e do poder) e vos digo: sede como mulheres, porque quem não for como mulher não entrara no Reino de Deus. Pois só assim poderemos ver a Gloria de Deus e permitir a operação do Senhor em nossas vidas em meio a organizações religiosas tão humanamente dominadas ou criticadas por machos boçais

Gresder Sil

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Frutos do coração


Uma vez que de tanto que já tenhamos ouvido a Palavra, ela já deve fazer parte integrante do nosso ser, de forma que nosso proceder seja fruto espontâneo daquilo que esta profundamente inserido na constituição da construção de todo nosso existir.

Não do ouvir das palavras humanas que foram usadas para nos transmitir a mensagem, mas da mensagem mesmo, ouvida e guardada no intimo do nosso coração. Pois toda palavra humana a de ser esquecida naturalmente sendo ela apenas veículo natural de transmissão.

Ou todo nosso proceder reflete o que interiormente somos pelo que foi plantado em nosso coração, ou estamos lutando em vão para produzir aquilo que não vem naturalmente das disposições voluntarias e permanentes do estado de espírito do nosso interior.

Se a verdade, a justiça e misericórdia não brotam facilmente de dentro de nos, é porque ate agora se atemos a lei como regra externa de conduta e não como essência vital a que o nosso coração deve estar profundamente inclinado por uma lei natural do nosso próprio ser em transformação mediante a Palavra.

Visto que seja assim, a transgressão não é mais vista como violação das regras fixas e externas ao nosso ser, mas como vivencia inautêntica. E o pecado na pratica é algo agora circunstancial e não atos determinados, posto que a cada proceder do próprio coração fluirá o seu modo natural de ser e agir.

Deste modo nem tudo que nos é licito será conveniente e nem tudo que é inconveniente será proibido. Quem vive da inexorabilidade da lei, pode pela própria lei transgredir sua essência por atos que apesar de corretos, não procedem da compatibilidade do próprio coração com o espírito da lei. De forma que agora o pecado não será mais pré-estabelecido, mas o coração decidira a cada momento o que for bom.

Assim como foi prometido à lei serás escrita nas tabuas do coração e não mais fixadas em atos determinados e prescritos como dantes. Outrora foi assim como meio preventivo para assegurar a obediência e segurança de todos independentes do seu estado de espírito compatível ou não com a lei.

Mas quem por boa disposição natural do coração esta livre da lei, tem a lei nas entranhas do seu ser, de forma que o bem e a verdade há de fluir e brotar do seu interior; sem que ele precise das regras que foram feitas para aqueles que não são capazes de decidir de si mesmo a cada circunstância sobre o bem e o mau.

Gresder Sil