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domingo, 16 de janeiro de 2011

A inculpabilidade humana.


Na historia da catalogação e qualificação da moral nas legislações e tratados de moralidade pelos estadistas, filósofos e profetas, os mais injustiçados fora exatamente os injustos. Não necessariamente os maus, mas os não justos: os pecadores, os malfeitores os desobedientes os marginais, os viciados os antinaturais e todos os desastrados e azarados desta nossa existência.

Pois foram tratados como se eles realmente tivessem em última instância culpa do seu estado de ser e proceder. Como se o poder mudar ou evitar tais condutas procedentes de seus estados de espírito, estivessem em seus plenos poderes. Assim sem o conhecimento real de centenas de fatores determinantes de conduta e temperamento, tais pessoas foram avaliadas e tachadas injustamente como culpadas do seu estado miserável de existência.

Estas tais pessoas não tiveram isso de livre escolha. Não no sentido ultimo. Pois elas foram livres somente para escolher fazer isso ou aquilo, mas não para ser outra pessoa além do que eram. E o que elas eram determinava inexoravelmente o que escolhiam. É a vida, e suas tragédias e encruzilhadas que os moldaram, foram suas tendências herdadas que os impulsionaram, e nem uma escolha esteve além do âmbito de suas possibilidades de ser.

Não existe exceções somos determinados por infinidades de tendências, motivos, impulsos, desejos, medos, receios, expectativas, perspectivas, ansiedades e sensações de todos os tipos. Mais volições, propensões e miríades de mal estar físicos e psicológicos, tanto como ambientes sugestivos temperamentos ressaltados e um monte de coisas que nos fazem quem somos e o que fazemos em milhares de situações determinantes.

O homem é fruto inevitável do meio em que vive. O individuo: produto da sociedade. E o ser humano já herda ao nascer tendências nata de temperamento que nortearão suas escolhas para o resto da vida. Sua aparência, seu porte, sua mentalidade e seus impulsos inerentes definirão que futuro poderá ter conforme suas experiências fatais. De forma que no quebra cabeça complexo da sociedade e existência alguns são aleatoriamente jogados a margem da moral, se tornando os piores pecadores por incidirem neles as piores condições determinantes de conduta e personalidade.

Esdras Gregório

Escrito em 14/01/11

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Um Jesus sem gloria


E se Jesus não tivesse ressuscitado! O que mudaria? Que fator altera? O que se desestrutura? Mas aqui, agora, na pratica da nossa vida! A sua ressurreição esta de tal forma, que é impossível tanto provar que foi um fato histórico ou provar que foi um mito formado pelo mesmo processo que envolve com o manto da superstição do povo todo grande homem enviado por Deus. Deixando o caso para a fé individual, já que Ele não apareceu ao publico, mas só aos seus discípulos.

Entretanto como todo grande líder eclesiástico com mais de vinte anos de experiência não diz toda verdade e nem desengana os fieis de suas crendices comuns para o próprio bem deles. Quem nos garante que os apóstolos depois de anos desta experiência inolvidável com este Homem, não resolveram escrever sobre Ele de forma mítica conforme a crença do coração para preservar o espírito de sua mensagem que transcende a letra e o fato bruto e limitador?

Mudaria muito sim só para quem o ama pela sua gloria e atuação sobrenatural e não pela sua graça pessoal e influencia moral. Para estes, Ele não mais atenderia a oração dos fieis e nem sequer saberia que estes tais existem, portanto não mais curaria ninguém e não libertaria nem um oprimido de suas mazelas humanas. Seriam o fim de suas maiores e mais importantes razões de existências, já que o seu Jesus não teria mais Poder, e não estaria mais a direita de Deus intercedendo pelos seus protegidos.

No entanto quando Ele estava entre os homens, à maioria de suas ações inacreditáveis era muito mais por Ele induzir a fé das pessoas do que fruto de seu próprio poder. De fato Ele tinha sim dons inexplicáveis, mas a sua maior força era a influência moral que se derramava do seu coração voltado para Deus. Ele se sentia pleno da vida e quis deixar do seu espírito o máximo possível antes de sua morte próxima. E enquanto em vida ele realmente amou os seus até o fim.

Portanto de certa forma não mudaria para alguns, pois seu poder de influencia e transformação moral por seus ensinos de vida se faz presente hoje independente de Ele estar vivo ao lado de Deus ou esperando o mesmo destino incógnito de todos. E nem uma pessoa deixaria de ser curada, pois Ele ensinou a independência e o poder da fé “se crês veras”, como ela (a fé) se manifesta em milagres sem Ele também em outras religiões. Como também nem um ser humano deixaria de ser transformado por sua historia, crendo Nele pelo seu poder de influência pessoal.

Faria diferença somente para aqueles que precisam de um Jesus glorificado com Poder, Majestade e Domínio (diferente do Jesus nazareno) que os rastreiam e os protegem a cada istante deixando o resto da humanidade sem cuidado por que não aceitou a Ele em uma igreja. Para tais, que o amam pela sua posição de Deus, pelo seu status sobrenatural, faria uma diferença enorme para eles, se Ele não estivesse no Trono agora.

Mas para quem se sente representado humanamente na pessoa daqueles que Ele amou profundamente enquanto vivo, e que o amam por serem tocados hoje pelo poder de sua vida, Viva na memória de seus corações, como se sentiram os discípulos, não faria diferença nem uma, se Jesus é o Cristo glorificado da religião, ou simplesmente o filho do homem que buscou o martírio por acreditar no poder transformador de sua causa pela independência espiritual dos explorados da religião viciada em: poder, posição, endeusamento e Gloria.

Esdras Gregório

Escrito e jogado de lado em trinta de setembro de dois mil e dez.


quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O romantismo dos escritores sacros


Florear e romancear uma história não tem nada a ver com dar sentido amoroso a um enlace de um par específico de personagens históricos ou fictícios. Mas sim em explicar a condição humana como conseqüência de algum tipo de trajetória épica de uma acirrada luta entre o bem e o mau. Uma historia romântica é simplesmente uma saga com origens espirituais metafísicas em que no final o bem sempre ganha do mau.

Anseio este de triunfo do bem, que dominou sempre as almas piedosas e vitimas do mau e da maldade humana. E que por isso, como demanda humana que deseja um produto que venha satisfazer seus anseios de justiça, possibilitou o êxito absoluto das interpretações escatológicas que explicam a causa, motivo, origem e final de toda maldade humana num desfecho cósmico divino satisfatório e espetacular.

O grande motivo do sucesso das grandes religiões e instituições religiosas é a capacidade poética e organizada dos escritores sagrados e teólogos renomados em explicar de forma romântica e sistemática cada coisa e acontecimentos humano num conjunto teológico auto-suficiente e fechado de visão de mundo. Capacidade esta natural em todo grande escritor com seu próprio sistema filosófico.

Particularmente a doutrina cristã de que a maldade humana tem origem em uma Queda de um primeiro homem, e em uma necessidade de redenção efetuada por um sacrifício divino, além de ser coerente em si em todo o seu conjunto, é uma das historias mais lindas e confortadoras que a humanidade teve o privilégio de ouvir. Mas que só é uma bela historia no mundo fechado e reducionista da mente dos cristãos transformados pela poderosa influencia moral desta epopéia sagrada.

Posto que depois de tanta luta, tanta lagrima, tanta miséria e dor humana. Tanta infelicidade e desejo de felicidade, tanto ardor e paixão dos homens, tantas idéias, tantas crenças e religiões neste mundo, tantas produções e tantas guerras dos homens. Tantas historias humanas, tantas alegrias, tantas pessoas, tristezas e belezas nesta vida, um fim em que a maioria absoluta de todos os nossos semelhantes amigos e parentes vão ser condenados para sempre por não se tornarem cristãos enquanto poucos que conseguem serão salvos, é o desfecho mais pobre, da historia mais triste, e do “Deus” mais desumano mesquinho e injusto que existe.

Pois a historia de um deus que condena um ser humano que nasceu em desventura e que no anseio de buscar sua felicidade pecou por setenta anos ao sofrimento eterno simplesmente por que não acreditou em seus mediadores é tão monstruosamente injusta que anula totalmente o seu lado belo de um deus que se encarnou para salvar os pecadores arrependidos. É muita condenação para a proporção de pecados de seres atirados arbitrariamente a existência num estado de miséria moral e existencial, que além de serem azarados e infelizes neta vida, ainda por cima vão viver para todo o sempre no lago de fogo do inferno.

O evangelho desenvolvido a partir dos primeiros discípulos e aperfeiçoado pelos primeiros teólogos da igreja cristã como interpretação espiritual da vida, ensino e obra de Jesus sob a influencia da Idea grega do logos, só tem valor pelo seu efeito curativo individual na psique de milhares de pessoas deste mundo, mas como verdade universal é de longe a pior conclusão que um mundo e universo tão vasto, belo, mágico e complexo poderia ter! Que só pode ter sentido e ser aceito como verdade no mundo subjetivo de quem pela mente esta submergido a este modo romântico de interpretação de mundo.


Gresder Sil

Se Jesus soubesse que sua hipérbole do inferno viraria uma doutrina desta, Ele com certeza não teria ditos àquelas coisas sobre o verme que não morre no fogo como método pedagógico de ensino.

Nós criamos o céu e inferno, e esta na hora de aboli-los por completo com seus pedagios ao invés de alimentá-los com nossas mentes românticas e medievais.


Escrito em 23/11/10

sábado, 20 de novembro de 2010

A edição literária dos evangelhos


Ao se ler comparativamente os quatros evangelhos, ocorrência por ocorrência e dialogo por dialogo da tessitura destas biografias de Jesus, percebemos algumas posturas e formas literárias propositais de um autor, incompatíveis com os outros que salvam os livros tanto da visão radical de que Jesus nunca existiu que diz ser uma historia perfeitamente elaborada. Como também da visão fundamentalista de que os livros sejam uma obra divinamente inspirada e perfeita.

A primeira coisa que se nota ao olhar atentamente um episodio narrado por um evangelista e como é relatado por outro, é a inversão da ordem cronológica dos fatos e dos discursos, de forma que começo meio é fim de um mesmo relato e dialogo são invertidos livremente ou inconscientemente pelos autores. Acontecimento este em quase todo o decorrer de cada um dos evangelhos. Tornando no geral uma tarefa praticamente impossível de se tecer uma ordem cronológica e segura da vida concreta e histórica de Jesus.

Assim desta forma já a principio percebemos que nos evangelhos não existe uma combinação de autores, mas antes uma narração humana que demonstra tanto a natural impossibilidade dos escritores serem precisos literalmente depois de algum tempo do ocorrido, como a preocupação de se transmitir uma mensagem independente de ela estar sendo narrada infalivelmente na ordem que ocorreu tanto o fato como o discurso. O que tira já a princípio do evangelho tanto a possibilidade de uma divina inspiração ou uma elaborada invenção.

Ao passarmos dos episodio para a atenta observação das frases e discursos de Jesus, não só notamos que eles são invertidos em sua ordem de um autor para o outro, como também fica claro que os discípulos trocavam as palavras originais de Jesus por sinônimos, ou por descuido e esquecimento, ou para melhor propagar o espírito do ensino de Jesus. Pois enquanto um autor em uma mesma fala e episodio usa algumas palavras o outro usa outras expressões que não foram ditas originalmente por Jesus.

Mas que, entretanto significavam quase a mesma coisa, “quase” por que algumas frases de Jesus foram usadas por eles para significar também outras coisas entendias somente por eles do discurso de Jesus e “mastigada” para os leitores. Ou seja, pela troca sutil das palavras e expressões na mesma fala, não temos um registro das palavras originais de Jesus, mas uma tradução dos discípulos, conforme eles entenderam e quiseram que fossem entendidos.

Não obstante a inversão da ordem e a interpretação das palavras, os discípulos também fizeram naturalmente pela brevidade dos escritos: cortes e emendas na narração dos fatos, nos legando assim o melhor e mais significativo para eles num resumo cujo propósito não era a exatidão literal dos acontecimentos, mas a transmissão de uma mensagem que só poderia tocar o coração dos que não viram o que eles viram e sentiram, pela narração Editada e belamente romanceada da vida de Jesus.

E, sobretudo na comparação dos pequenos detalhes, objetos e números existem uma patente contradição entre eles, que muitos teólogos fazem um incrível malabarismo para tentar salvar os livros de imperfeição para provar uma doutrina sobre a bíblia que seria a sua infalibilidade literária e inspiração divina. Mas que sem saberem, tiram dela o seu fator vulnerável que faz com que os livros sejam autenticamente humanos. Pois a contradição em pequenos atos narrados por diversos autores, não anulam um documento histórico, mas antes demonstram que toda historia verdadeira e humana, só poderia ser contada nas condições de contradição e relatividade humana.

De forma que tal observação minuciosa e critica deixara bem claro que os evangelhos é uma edição humana da vida de um homem, como são editadas as idéias e falas de homens espirituosos cujo valor e o espírito de seus ensinos sempre transcenderam a letra e o literal, de forma que para se fazerem entendidos, os editores tiveram que tomar a liberdade até mesmo de tirarem às vezes os discursos do seu contexto literal arredondando e romanceando fatos e episódios para que os que fossem lêem depois pudessem sentir sem ver o que eles sentiram vendo e vivendo todo aquele tempo com alguém que eles testificam ser um homem cheio de graça e formosura.

Quem entende da formação oral dos mitos, do significado da simbologia, e sabe o que é um processo de edição de um livro e que sabe como é escrever ao coração, sabe que não existe nada de divino nestes livros, e sabe que o literal foi sufocado para que a mensagem fosse viva, e tão viva que apaixonou milhões (e que ainda emociona corações em todo o mundo hoje) sabe também que tal homem e historia não foi e não poderiam ser inventados, pois todo o processo ali dos autores foi tão humano, tão subjetivo e tão passionalmente escrito que somente o Amor destes discípulos foi o que provocou o talento literário destes homens para salvar esta mensagem como eles entenderam, quiseram entender, e quiseram que nós entendêssemos.

Esdras Gregorio

Escrito em 17/11/10

Baseado unicamente em minhas antiga anotações da leitura comparativa que fiz dos quatro evangelhos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A completa desmitologizaçao do cristianismo



O processo final e coerente de toda critica as denominações ortodoxas do cristianismo pelos teólogos do teísmo aberto e pelas correntes de renovação do evangelho, implicitamente universalista, é a completa secularização do cristianismo primitivo e não um retorno a ele ou sua melhor versão. Resultado inevitavelmente lógico que os adeptos desta teologia transitória vão sentir no seu “caminho” de fé.

Uma vez que se tira de Deus a soberania e dos dogmas a doutrina da condenação a um inferno literal, conseqüentemente tem que se tirar do cristianismo também a sua recompensa celestial e a personalidade racional e volitiva de Deus em um processo conexo de total desmitologizaçao das doutrinas fundamentais da fé. Preservando do cristianismo somente seu sentimento religioso e sua ética moral essencial.

O cristianismo a-religioso como vanguarda da teologia futura entende que tendo uma vez aberto um só ponto central e decisivo da fé fundamentalista, não mais se pode ficar no meio do “caminho” tentando salvar do cristianismo algumas crenças sobrenaturais saudáveis. Já que tal apego ao que sobrou da antiga fé, apenas atrasarão o método que libertara o cristianismo de todo os seus mitos originais.

Um cristianismo sem ou fora da Religião é nada mais nada menos do que um humanismo religioso. Cujas proposições e premissas partem da reflexão do significado dos símbolos religiosos e ensinamentos de Jesus o Cristo, a qual também é e se torna o principal “objeto” de estudo histórico critico e antropocêntrico por ser o homem de maior “poder sobrenatural” (influencia moral) do mundo e da historia.

Conseqüentemente o cristianismo secularizado por não mais conceber uma idéia de condenação e nem de planos divinos de salvação não mais enxerga Deus como um indivíduo de objetivos e temperamentos que tem propósitos eternamente estabelecidos. Mas mesmo assim não se torna necessariamente um cristianismo sem nem um deus. Pois reconhece a força da inspiração religiosa que vem da fonte geradora da vida a qual é um mistério divino Desconhecido e inconcebível a mente humana, e crido na subjetividade de cada um.

E mesmo que o processo de desmitologizaçao possa até usar a ironia e critica astuciosa como meio de derrubar todas as estruturas retrógadas da religião. Mesmo assim não é uma atitude debochada da religiosidade humana inerente em todos nós, já que entende que os mitos sagrados foram formados pelo povo e eternizados pelos escritores sacros baseando-se em fatos e homens reais poderosos e intuitivos que de tão excepcionais foram mitificados pelo tempo e pela letra escrita das escrituras.

E tendo também em mente a seriedade dos estudos e especulações históricas e teológicas, aqueles que se proporá a dizer em alto e bom som que céus e infernos, anjos e demônios, pecado original e salvação eterna não existem, tomam para si a responsabilidade de desenvolver teses e argumentações consistentes para tentar explicar e “provar” que o cristianismo foi criado e formado numa Era cuja visão cosmológica de mundo era mítica. E que, portanto inaceitável para o homem de mentalidade contemporânea cientifica, necessitando uma completa desmitologizaçao coerente para “salvar” sua essência puramente humana, rica e admirável.



Gresder Sil

Escrito em 03/11/10

domingo, 15 de agosto de 2010

Boletim semanal do templo sede



Era exatamente a hora da Palavra, todos estavam atentos para ouvir, mas o choro daquela menininha se estendia por todos os recantos daquela imensa igreja no domingo. Inevitavelmente muitos viravam seus pescoços para traz não só para ver, como também para intimidar com os olhos os pais responsáveis pela aquela criança.

Mas eles nada faziam ou conseguiam, e o choro não se continha, alguma coisa trivial queria aquela menina. Mesmos os mais sensíveis se sentiam incomodados e os pastores ansiosos olhavam para de onde vinha aquele choro desejando intimamente que alguém fizesse alguma coisa para calar aquela garotinha.

Mas em um mágico momento eu pude perceber que servia para alguma coisa o boletim* informativo entregue na porta da igreja todo domingo, pois um rapaz sentado a alguns bancos acima da menina fez com ele um admirável passarinho de papel e docemente entregou aquela linda garotinha que surpresa a fez parar de chorar imediatamente naquela hora.

Mas o que mais aquietou aquela menina não foi a novidade e genialidade do presente repentino, mas a sensação estampada em sua carinha que fixamente olhava para o moço de que alguém naquela multidão se preocupou não em a fazer parar de chorar, mas se procurou com ela. Pois enquanto todos se incomodavam com o choro ele se incomodou com o incômodo daquela menina, e ela pelo jeito desconcertante como o olhava se sentiu especialmente notada.

Aquilo me emocionou intimamente. Ates de acabar o culto me levantei do meu lugar e fui até o moço que me parecia apenas um dois ano mais novo do que eu. Sentado ao seu lado eu disse uma frase que eu tinha memorizado para ele: “o que você fez por aquela menina foi à coisa, mas importante e bonita que eu vi aqui hoje. Os seus pecados foram perdoados no céu”

No meu ego eu queria sim ser um “Cristo” aquela ora. Mas creio que meu incomnciete me remeteu aquela passagem onde Jesus disse: “E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão.

Se eu me recordo bem Jesus geralmente não dizia: “Eu perdoou os seus pecados”, mas depois de ser impressionado pela fé, coragem e singeleza de um ato de uma pessoa, conseqüentemente dizia: “vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: Filho, perdoados estão os teus pecados” ou “a tua fé te salvou”

Pois entendo disso que para Ele uma das coisas além da fé pessoal que também redime o nosso mal individual a que estamos submetidos num mundo cheio de maldades Reais e não pecados espirituais herdados, são a simplicidade com que notamos no olho do outro sem julgamento opressivo que no mundo ninguém realmente é inocente, logo logicamente também ninguém então será tido por nós como culpado no sentido teológico da crença, e todos os pecadores do mundo podem ser perdoados porque espiritualmente não existe um tal de Pecado Original.

Gresder sil

15/08/10 escrito as 23:07

*não tenho certezas se era mesmo o boletim rsrs

terça-feira, 20 de abril de 2010

O antropocentrismo dos ensinamentos de Cristo



O sábado foi feito para o homem e não homem feito para o sábado assim como o homem não foi feito para nem uma lei, mas todas as leis foram feitas em função do homem, para servi-lo em seu próprio bem. A felicidade do homem esta acima de toda lei, pois toda lei foi feita para preservar a sua dignidade e direito. Constituído pecado não a infração da lei pelo valor da lei em si, mas pelo dano a que transgressão causa ao próprio homem.

Toda lei existente quer humana ou divina se institui para regular a vida dos seres de tal forma a promover o máximo bem estar geral dos entes que compõe o sistema em que vivem. Nem uma lei existe por si mesma, nem uma tem valor intrínseco fora da relação com os seres sensíveis do universo. Mas todas foram feitas para o homem, para promover a sua felicidade e segurança, estando ele acima dela, por ela estar a seu serviço promovendo a justiça e paz entre os seus semelhantes.

O alvo absoluto de toda busca humana constitui na procura pela sua felicidade, não tendo outro a não ser este, pois todas as coisas feitas, quer conscientes ou inconscientes, são direcionadas a este fim. Não importa os meios e caminhos tomados por cada individuo, o seu objetivo é o mesmo: a sua felicidade, independente das dores e privações físicas que ele enfrenta em seu percurso. Esse é o seu bem máximo, e é por isso que Deus nos céus e os homens na terra instituíram leis diversas para assegurar a vida e felicidade de cada ser em geral.

Mas se a lei que existe para ser obedecida pelo seu propósito de garantir o bem do homem, causar mal ao homem, ela não só pode como deve ser abolida ou reinterpretada. Pois se aquilo que existe para dar vida e paz, escravizar e oprimir o homem, já não serve mais, por não produzir aquela designação pela qual foi instituída. Portanto o que não produz vida e paz já não tem valor como regra, possibilitando cada um a buscar a exceção da lei que devolvera o seu direito de novo a vida e tranqüilidade. Esta e a seqüência lógica do entendimento que vem das palavras de Jesus em relação à guarda do sábado. Pois para Ele a Lei tinha que se dobrar em reverência diante da Vida, pois maior é a Vida que a Lei.

Porquanto Ele como ninguém viu que os homens oprimiam seu semelhante pela guarda da lei, fazendo dela um alvo absoluto como se ela mesma fosse mais importante do que cada pessoa. Entretanto para Ele primeiro vem o homem e depois a lei para servi-lo, e não primeiro a lei e depois o homem para idolatrá-la como faziam os “evangélicos’ daquela época, isto dito por que os evangélicos de hoje com as suas regras absolutas de costumes e condutas são a representação mais próxima e fiel do farisaísmo daqueles dias.

Gresder Sil

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O universalismo do amor de Deus



“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”

Não consigo mais olhar para esse mundo e não acreditar que o nosso entendimento dessas palavras não deve ser reinterpretado. Pois há muito tempo não consigo mais olhar para uma multidão de pessoas quer seja num ônibus, nas ruas de um centro ou num estádio esportivo e acreditar que todas elas vão se perder enquanto alguns poucos deste mundo serão salvos por mérito de arrependimento. Neste caso se fosse assim seria bem melhor se Deus tivesse abortado a humanidade desde o princípio, do que permitir que o homem nascesse em miséria moral e existencial para depois condená-lo, perpetuado ao infinito o seu infortúnio que começou no dia em que ele foi jogado ao mundo nestas condições de pecado sem a sua concessão..

Prefiro aberta e corajosamente me recusar a crer nisso, do que afirmar acreditar por medo ou fidelidade sega, enquanto na pratica eu vivo e me comporto ignorando essa realidade por que meu intimo não concorda e não aceita que isso seja verdade. E por isso eu não mais acredito que este Amor de Deus esta limitado apenas a quem se torna cristão, e a quem se submetem ao modo de ser e entender de um tipo de gente religiosa. Pois Deus é o Deus do mundo inteiro, e eu não somente espero como também quero acreditar até o fim na possibilidade de que Ele pode ainda absolver um dia quase todo pecado e incredulidade dos homens num ato triunfante de suspensão de juízo e castigo onde somente a Graça e Misericórdia prevalecerão.

Porquanto a beleza apaixonante desta sentença crista: “quem crer será salvo” destoa horrivelmente com a realidade de quem crê que não é em momento algum diferente de ninguém deste mundo, pois nos tornamos apenas mais um grupo de religiosos entre os demais, que acredita que para se chegar a Deus deve se fazer alguma coisa da nossa parte para garantir essa salvação. E assim pensando queremos submeter o resto das pessoas a torná-las todas idênticas a nos.

Uma coisa é o evangelho conforme a sua força de declaração nos escritos, outra é a realidade incompatível de todo aquele que crê, pois a mesma beleza e certeza que vem das palavras ditas, não são vista na vida daqueles que aceitam essa mensagem. O que somos? Senão apenas mais uma multidão de pessoas desesperadamente agarradas a uma fé como sentido de vida, sem a qual não teríamos mais chão para pisar se tudo não fosse verdade.

E o que nos tornamos? Senão mais um grupinho que se julga privilegiado por Deus por ser mais obedientes a sua vontade, enquanto que quem não crer, não Nele, mas na gente, não serão salvos. Entretanto a maioria crê sim no nosso Cristo, o que não crêem e no nosso cristianismo. É assim por que a distancia e dissonância de crer em Jesus e ser crente é muito grande. Uma diz respeito à fé de que o Deus deste mundo deu seu filho para humanidade inteira simplesmente crer, ser melhorada e salva por isso. Já a outra fala de se tornar ou adotar um modo distinto de vida religiosa, que vê a salvação como um privilégio exclusivo de quem se torna digno dela pela obediência.

O que só pode ter acontecido é que consciente ou inconscientemente patentearam a graça de Deus e embrulham o melhor presente no mais pobre dos papeis. Fizeram da verdade mais incrível de vida para a humanidade uma fuga da realidade da vida para um gueto de mediocridade, assim como tornaram a liberdade dada, na mais escravizadora maneira restrita de julgar as pessoas, como se realmente estivéssemos à altura das coisas que foram ditas, pois na realidade somos absolutamente iguais a todos deste mudo.

E se a Realidade não confere com a verdade, é por que a nossa interpretação desta tal verdade até agora não é a Verdade de que Deus amou o mundo de tal maneira, que ira Relevar a necessidade de crer, quando essa se tornar sinônimo de si ser crente como a gente é e foi ate agora. Pois ele não é um Deus somente dos crentes, mas da humanidade inteira, para qual deu o seu Filho para que todos creiam, e não necessariamente se tornem cristão com todo o seu modo particular de doutrina e culto que mais separa os filhos de Deus do que os ajunta.

Gresder Sil

O que não entenderam os ortodoxos até agora é que teologia liberal se faz muito mais com um coração que ama, do que com uma mente incrédula e ímpia como pensam a maioria.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Uma Graça sem fronteiras.



Se a salvação fosse confessional, onde somente os que entendem e aceitam a mensagem do evangelho fossem salvos, milhares de pessoas neste mundo seriam injustiçadas. Pois além de estar mais do que evidenciado a completa incapacidade do cristianismo de alcançar o mundo com a mensagem de Jesus, pois por séculos e séculos gerações e povos tombam ao pó da terra sem ouvir sobre Ele, muitos outros são incapazes de entenderem a mensagem por motivos vários .

Quer por morrem antes da maturidade mental e psicológica ou por um bloqueio poderoso da opressão das religiões dominantes que aniquilam completamente com o seu terrorismo do dogma, força de coação dos mitos e autoridade tirânica religiosa, o livre raciocínio e a possibilidade de entendimento das pessoas comuns desde o seu nascimento.

Mas existe oculto nas inúmeras parábolas de Jesus a revelação de uma graça sem fronteiras. Onde muitos deste mundo que não se encaixam no padrão religioso para a salvação, e que são excluídos por não preencherem os requisitos de catequese que o os cristãos fazem em seu proselitismo, entrarão no Reino de Deus juntamente com os que confessam publicamente a Jesus como Salvador.

São esses muitos dos quais, Jesus disse que virão do oriente (hindus, mulçumanos e budistas) e se assentarão a mesa com Abraão Isaque e Jacó, enquanto muitos dos judeus, o povo eleito (atualmente: cristãos ocidentais) ficarão de fora. Pois porque o escândalo então desse pronunciamento de Jesus para os judeus que já faziam evangelismo, senão pelo fato de uma abertura da salvação para fora do monoteísmo. Não que exista valor redendito em alguma destas religiões, mas por que muitos nelas são como diria alguns teólogos católicos: cristãos latentes, que não confessando a fé consciente, mas vivendo em seus corações os preceitos de Cristo.

Não somente estes “cristãos” ocultos, mas também aqueles que durante toda a vida manifestaram em seu existir o oposto do comportamento do “salvo” convertido. Pois quando Jesus disse que ladrões e meretrizes entram adiante de vos (nós) no Reino de Deus, ela não fala de ex-pecadores, mas de pessoas na sua atual característica que os definiam. Pronunciamento esse que também chocou os seus conterrâneos. E que não fala dos futuros cristão convertidos, visto o cristianismo ser atualmente a reprodução contemporânea do judaísmo dos tempos de Jesus.

Isso porque somente Ele poderia ver a vontade impotente das pessoas que durante as suas vidas manifestaram de forma inexprimíveis em suas dores e vícios a ânsia de seus corações por Deus, que os salvaram sem precisar manifestar em seu exterior os requerimentos do discipulado dos apóstolos de Cristo. Para eles foi deste modo porque conforme a parábola dos trabalhadores da vinha: Deus não retribui conforme o mérito, mas também como em outra parábola, sendo Ele o anfitrião de uma grande festa, sai para as ruas para chamar os maltrapilhos e excluídos para assentar a mesa dos convidados apropriados que não vieram.

Porque o verdadeiro poder do Evangelho não é manifesto e confessional, “o meu reino não vem com aparência visível, ninguém dirá eis aqui”, mas é sobrenatural no mundo além das fronteiras da religião equivocada e exclusivista que surgiu a partir dos ensinos do Salvador do mundo, para o mundo. Pois se Deus dependesse da pregação do cristianismo para salvar os homens desta terra, o evangelho seria a historia mais deprimente que existe, pela incapacidade natural de levar sua mensagem para os do “oriente”, como pela ineficácia moral de manter no ocidente uma mensagem saudável sem legalismo, hipocrisia e corrupção como se vê em todo o cristianismo, que foi marcado na historia como uma religião de sangue, divisão e ignorância.

Por isso podemos acreditar com certeza que somente os perversos desta terra não entraram no Reino de Deus, mas, no entanto aqueles que disseram como o filho da parábola que não ia obedecer ao Pai (ou seja: os que não confessaram a fé), mas que no fim obedeceu à vontade dele (mas que implicitamente viveram o Evangelho, fora do cristianismo: serão salvos). Atitude esta ao contraria do filho a qual disse que ia obedecer ao seu pai (como alguns que confessaram aceitarem a Cristo), mas a qual no final não obedeceu (mas não viveram a justiça e misericórdia do evangelho conforme afirmaram).

Gresder Sil

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SACRIFÍCIO ETERNO



Será que no mais profundo da nossa fé precisamos dos eventos históricos que envolvem a vida daquele que foi ungido para ser a face de Deus entre os homens. A sua vida não foi tão singular entre as pessoas que talvez elas o envolvessem em um manto mitológico de eventos e fatos que assegurariam para o futuro a sua natureza Divina imune ao processo (“impuro” e deteriorável) comum de nascimento, vida e morte dos mortais.

Desde o seu nascimento e partida, ha aparições e eventos relatados um tanto quanto para causar deslumbramento, e assegurar a fé em sustentações não humanas. Não que o que aconteceu com ele não possa ser de fato histórico, antes muito mais do que isso, pois são supra-histórico, como repetição na existência o que se foi feito na essência e na eternidade do cordeiro imolado desde a consumação de todos os séculos.

Todo detalhe que porventura não foi um acontecimento histórico, foi como um símbolo de um ato eterno da redenção ministrada no cordeiro desde a fundação de todas as eras, não só para esse mundo, mas para todos os mundos e criaturas de Deus neste universo infinito sem começo e sem fim de dias e limites de espaços. Uma vez que o Criador seja ilimitado em sua capacidade de criar reinos e seres morais, livres e autoconscientes, ele haveria de providenciar um cordeiro eternamente sacrificado, para todos os mundos e universos que existiram, existem e existirão para todo o sempre.

Não que essa obra seja um ato físico envolvendo ação e movimento em algum lugar espacial fora deste nosso mundo, mas sim um estado existencial na disposição do Ser do Criador para com as suas criaturas; pois de fato Deus sendo Espírito não precisa de um sacrifício concreto de sangue para que seja aplacada a sua Ira e Justiça, mas criou a mais linda história como símbolo eterno de redenção para todos os mundos, representado aqui no palco desta terra, na Vida e Paixão do seu Servo Jesus.

Gresder Sil (Esdras Gregório)

Post dedicado ao Eduardo Medeiros mestre dos Sinbolos


sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Partenogêneses, o nascimento de um deus



Se o Filho é coexistente eternamente com o Pai, então tal designação é apenas um titulo arbitrário e não uma relação filial verdadeira. Se filho é apenas uma função na intimidade das pessoas da divindade, então não temos uma relação real de pai e filho, mas uma sociedade corporativa na soberania administrativa do universo.

Mas se o Filho é de fato filho, então não existe uma igualdade entre Eles, mas filiação verdadeiramente biológica e afetiva. Tem que haver um tempo, antes de todas as coisas serem criadas, em que o Filho não existiu como ser autoconsciente, mas somente nos genes e nas entranhas do Pai. Para que assim o Pai pudesse dizer: “tu és meu filho e hoje te gerei”

Tem que haver um momento na eternidade em que o Pai decidiu gerar o filho de si mesmo, da sua própria natureza e caráter. O Filho é um com o Pai, pois herdou do Pai a sua constituição e temperamento no momento em que foi gerado. Mas é menor do que o Pai porque veio depois como um ser procedente, e Dele recebeu a sua essência como continuação espontânea da propia existência do Pai.

Apesar de Ele ser “um pouco menor que Deus”, tal relação não é a mesma dos outros seres, porque eles não são da mesma natureza intrínseca e índole hereditária do que o Pai. O Filho é único, é unigênito, ou seja: o único originado da mesma espécie. Com certeza o filho não é Deus, mas é Divino, pois é genética e genuinamente o único Filho de Deus.

Gresder Sil

sábado, 21 de novembro de 2009

Graça escandalosa



Não da mais para não ver e não sentir que quando ele disse: “os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus” não estava implícito um dos maiores mistérios generosos de Sua Graça. É inegável que milhões nesta terra escravizados por toda sorte de desvios naturais, e vitimas de tragédias existências e exclusões sociais morrem carregando consigo desde a muito um pedido profundo de libertação e misericórdia.

Milhares e milhares de prostitutas, viciados, drogados, antinaturais, marginais, doentes mentais, mutilados e famintos de pão desta terra, apesar de não encontrarem nesta vida a completa libertação entrarão no Reino adiante de todos aqueles que têm capacidade para serem justos e misericordiosos e não o fazem. Pois muitos destes outros sendo vitimas e os últimos na escala da extensão e alcance da miséria humana, no fundo de seus corações crêem e anseiam uma libertação.

Como a nossa mente pode ser tão pobre de pensar que se caso o ladrão da cruz não tivesse sido executado aquele dia, ele não teria a “sorte” do perdão. Pois ao contrario do outro ele já carregava em seu coração o anseio de libertação e desejo de perdão por tantos crimes cometidos. Não são palavras mágicas na hora de morrer, não são senhas bíblicas e evangélicas que a pessoa fala com a boca. Mas antes de tudo e o que determina a salvação de uma pessoa é a leitura que o Espírito faz dos gemidos anteriores e constantes do coração cansado e sobrecarregado do fardo que a existência lhes impôs sem o seu são consentimento e plena capacidade de rejeição.

Só tal entendimento com diz com o espírito do Evangelho da Graça que quando atinge em cheio é capas de transformar completamente, mas que os seu respingos e sobras que caem da mesa já é o suficiente para salvar o pecador ainda não transformado pela religião cristã. Como se tal conversão fosse para alguns casos uma vantagem, e nisso talvez esteja todo mistério, pois como Ele mesmo disse naquele tempo: “os judeus (equivalente aos cristãos atuais) percorrem mares e terra para converter um gentio e o tornam duas vezes mais filhos do inferno do que antes”

É impossível não ver que jamais Ele deixaria perecer a alma dos desprivilegiados da vida (os últimos), pela incapacidade total, vaidade e indiferença dos cristãos (os Primeiros) que não dão conta do recado. E mais ainda, visto que Ele nunca teve nojo de pessoa alguma nem jamais rejeitou um ser humano por suas mazelas e fraquezas, o seu mistério e proximidade com tais pessoas e tão grande ao ponto de Ele dizer que quando negamos qualquer coisa a um destes que nos pede, é a Ele que o negamos. Há muito mais entre os céus e a terra do que a nossa vaga teologia pode imaginar.

Gresder Sil

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Jugo humano



Quem quiser ir após Ele, é dito para que negue se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-o. Essa é a mensagem indigesta do chamado de Jesus. Esta é a verdade insuportável de que no Caminho do Reino, a dor e as contradições humana não são atenuadas; antes elas se acentuam. Segui-lo implica viver a vida sob um alto gral de dilatação da percepção de tudo o que diz respeito às confrontações inadiáveis com as realidades aborrecedoras das condições de existência humana.

Essa mensagem que não faz do evangelho um panacéia para a solução dos dilemas e anseios humanos, mas que intensifica a crise do homem pondo a flor da pele à ferida do pecado e toda a sua conseqüência inalienável, não é interessante a quem quer fazer do Reino uma caminhada de triunfo sobre a terra. A cruz são as conseqüências da Queda ainda não extraídas. A decorrência de carregá-la é que enquanto os homens podem ver aquele que a transporta trás a insígnia da rejeição e da derrota sobre ele.

Na trajetória de quem com a cruz, esta sobre o anátema dos que serão crucificados, a agonia e o fracasso é o ultimo episodio assistido pelos olhos espectadores dos homens, posto que a glória da ressurreição seja vista só por quem vê com ótica Daquele que nivela os conceitos de vitoria e derrota, prosperidade e necessidade, gozo e angústia a relatividades de experiências que formão o conjunto de síntese necessária para que a vida seja vida com toda a sua intensidade de opostos que se completam, para o aperfeiçoamento da pessoa humana.

A cruz é o tropeço da religião visto que a contradiz nas suas propostas mais motivacionais. A oferta da igreja é de que, quem sobre a sua subjeção esta, pelo seu ensino, pela sua bênção, e por orações e obediências exercidas nela, problemas e dificuldade são removidos. Mas uma vez que no Caminho, a cruz é outorgada a quem a aceita, ela se trata da realidade de que o jugo social do individuo e existencial do homem não são retirados, mesmo para quem esta em Cristo. Do mesmo modo que, uma vez mela as suas implicações e conseqüências são levadas ate o fim, onde somente a morte encerra a agonia de quem a carrega por sobre as costas.

Gresder Sil

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