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domingo, 30 de janeiro de 2011

Autismo religioso



O que faz com que um crente e cristão acredite que ele vai ser salvo e os outros perdidos, que ele vai ser protegido e abençoado por Deus e os outros não, é a profunda alienação com os homens e seu autismo psicológico refletivo a qual faz com que ele se feche em seu mundo de pensamento e sentimentos exclusivos e indiferentes ao outros.

Toda vez que a mente se concentra em um ponto definido e fixo constantemente, ela naturalmente negligencia outras áreas e faculdades de atuação do seu próprio potencial de ampliação de conhecimento e habilidades humanas. Refletindo e sentindo tudo sobre um mesmo e único ponto de vista que ofusca todo um outro mundo de perspectivas.

O crente não vê o próximo como uma pessoa exatamente normal e igual a ele com sentimentos significativos e historias pessoais valiosas. Mas sim como mais uma alma a ser salva para o seu modo de ver e sentir as coisas. O crente ignora os valores e essência particular do outro. O cristão não escuta o próximo antes só quer conquistá-lo.

Se cada cristão saísse do seu mundo, e ouvisse atentos a historia particular de vida segunda a perspectiva e sofrimento de cada um, se cada cristão sentisse a honestidade da fé diferente do seu próximo, se cada crente parasse para ouvir os pensamentos do outro sem interromper com a sua inserção, ele não acreditaria nas coisas que acredita.

Mas não! O cristão é um autista no mundo! Não vê a vida do próximo, não enxerga as mil possibilidades humanas, os milhões de fatores determinantes, e as inúmeras experiências inevitáveis de vida. Só assim direcionados a ver segundo uma única ótica, se pode acreditar que pessoas tão humanas e comuns como nós em tudo, irão se Perder!

Esdras Gregório

Escrito em 30/01/11

domingo, 9 de janeiro de 2011

A alma piedosa


O santo não é um homem feliz, mas mesmo assim a sua vida é carregada de sentido e significado como nem uma outra em todo o mundo. A alma piedosa é uma singularidade paradoxal da existência, aonde gozo indizível e angustias intensas dilaceram o mesmo corpo e o mesmo ser.

Por uma lei inexorável de causa e efeito da natureza é impossível que o seja feliz. O homem verdadeiramente piedoso é um ser podado, e limitado em sua potencialidade de vida. É um homem cujas vontades geradoras de satisfação e bem estar estão sobre o domínio de outro ser que não é ele, que o restringe, e que o priva de ser quem ele desejaria ser.

A felicidade esta física e psicologicamente ligada às desenvolturas de possibilidades das nossas potencialidades naturais. Felicidade é poder, é a fruição sem nem um bloqueio de todos os impulsos de vida. Feliz é aquele que é o que pode ser; aquele que vive as suas possibilidades, que desenvolve a sua naturalidade consciente de sua potencialidade.

O santo não somente nega os seus sentidos e impulsos naturais como também não desenvolve suas faculdades de vontade e razão. Ele não faz, não age como quer, mas espera, vive da esperança, sua vontade é podada. E ele nega os questionemos da racionalização. Ele não vê a razão como verdade, mas como tentação contra sua crença, a alma piedosa é fiel a fé, mas não é honesta com a razão e realidade.

O homem piedoso é infeliz em sua vida diária simplesmente por uma lei natural aonde o corpo e razão e todas as suas potencialidades mandam um recado para o celebro de insatisfação. Mas por outra lei estrema de sobrevivência a alma piedosa acaba encontrado em sua abstinência um sentido tão grande, e um gozo tão intenso em seu momento de repouso. E o piedoso não faz nada de graça, ele é legalista, espera a recompensa.

A intensidade de suas dores, de suas privações, eleva a percepção de prazer quando a sua tentação passa, quando a sua alma desanuviada vislumbra o valor de suas recusas, quando o seu coração cansado descansa satisfeito de sua luta significativa. O santo é um antinatural no mondo, um infeliz, mas ainda alguém cheio de sentido de vida, paradoxalmente e, exatamente por negar as potencialidades de vida.


Esdras Gregório (Gresder Sil)

Escrito em oito de janeiro de dois mil e onze.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Amor de desespero


Análoga a conversão religiosa, sabemos que muitas escolhas no amor, não foram feitas no estado pleno dos apaixonados, mas são frutos de carências ou desespero de solidão. Alguns amores só foram possíveis por acontecer em um estado frágil de pessoas que por necessidade de companhia acreditaram encontrar o par perfeito e presos ficaram a ele pela dependência enganosa da paixão.

Assim é a religião, pega somente os fracos ou os fortes em seu estado de fraqueza. Nem um criminoso no auge de seu orgulho e convicção se converteu ate hoje a religião alguma, mas somente quando estava fudido e arregaçado encontrou inconsciente na igreja um outro sentido de vida que pudesse devolver de alguma forma seu status de poder perdido no crime. Neste caso ele só troca de ambiente de atuação.

Nem um artista feliz e boêmio se tornou gospel durante seu estado normal de carreira solida e premiada, mas somente quando o brilho desapareceu e ele sentiu o peso da inutilidade dos fracassados, que ele recorreu à religião. É assim, o cara dá o melhor de si para o “diabo” e depois de esbagaçado oferece o resto para “Deus”. É disso que a religião vive e se alimenta: do resto do “lixo”. Do pior estado emocional e psicológico do homem.

Isso por que a religião impera pelo medo, pela pressão, pela chantagem, pelo oportunismo. Esta mais do que na hora de criarmos uma nova mentalidade aonde o humano se achega ao divino pelo valor intrínseco da espiritualidade humana e não pelo império do medo causado na religião e por seu mercantilismo que vive da venda de remédio que não curam o homem de sua dependência e fraquezas psicológicas.

A religião não pode mais fazer isso com o homem, é melhor morrer fracassado, detonado, mas com orgulho, do que nos “últimos minutos” pedir perdão a “Deus” (religião) sendo que em vida plena e consciente se desprezou a religião. Nem Deus merece isso e nem o homem tamanha humilhação de sua dignidade de sofrer a conseqüência de suas próprias escolhas de ser autônomo e cooperador de seu próprio destino.

Esdras Gregório

Escrito em 27/12/10

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Meu filho é Gay! E agora?

Enquanto se tratava dos de fora, foi fácil dizer que era sem-vergonhice, enquanto se tratava dos do “mundo” foi comum declarar que só bastava se arrepender que Jesus transformava. Mas agora a coisa é sentida na pratica, pois são nossos filhos, suas mães são dirigentes do circulo de oração, e seus pais são obreiros da igreja. Não da mais pra botar pra fora como se fazia antigamente, não da mais para extirpar este “mau” e limpar a honra, temos que engoli-los!!

Como nunca antes, adolescentes em todo o mundo são “seduzidos” pelo brilho e magia de um modo de ser, que esta muito além do físico, mas: do emocional e de todo um conjunto de cosmovisao que não foram aqueles que seus pais previram para eles. E como a igreja não deixa de ser do mundo, para pagar o seu tributo às estatísticas, moços homossexuais brotam vigorosamente dos conjuntos de jovens da igreja evangélica brasileira e mundial, como um fato novo e real a cada dia.

Agora sentiremos na pele, o que e do que se trata. Por estarmos tão perto deles não mais diremos que eles são imorais como antes, pois são nossos filhos, conhecemos suas historias, sentimos seus corações. E o que dantes era tido como antinatural no geral, se tornou o natural de suas existências individuais. Aquilo que era desvio tratasse agora de algo essencial ao ser destes nossos filhos especiais. Na maioria absoluta dos casos não adiantará querer mudar a força algo agora existencialmente Normal.

Propensões genéticas, Violências na infância, brincadeiras de meninos, pais ausentes, mães dominadoras, seja lá o que for que possibilitou a delicadeza e excepcionalidade destes nossos guris, eles estão ai, a principio camuflados, mas desabrochando-se a cada dia em sua identidade emergente. E por mais que se atribuam a eles uma decisão Pervertida, e publicamente iremos reprovar, intimamente sabemos que o que se torna existencial na vida de uma pessoa já não pode ser mais julgado como uma decisão imoral, por causa da contingência poderosa e permanente de sua nova realidade visceral e inalterável.

Até agora a teologia Javista e Paulina foi feita pelo instinto de homens viris que tinham horror aos afeminados e “sodomitas” e que atribuíram a Deus um sentimento de abominação a tudo o que eles mesmos detestavam, como se Deus já tivesse se deitado e se deleitado com uma mulher para sentir esta tal aversão dos homens heterossexuais prosaicos. Por isso e pelas demandas da realidade, se tornou atualmente necessário se fazer teologia com instinto de Mãe que aceita e sabe que tal “desvio” não tem conotação de imoralidade, pois alem de estar fora da alçada de sua escolha, isso também se tornou na trama da existência do filho a essencialidade inalterável do seu Ser.

Gresder Sil


Texto inspirado na atitude da “teóloga” assembleiana Dona Zeni, Mãe de Isaias Medeiros, antigo e popular blogueiro fundamentalista que tornou conhecido na internet sua verdadeira condição essencial e transexual por meu interrogatório rsrsrs

Tirando uma base estatística da igreja que eu congreguei por sete anos, aonde de vinte meninos dois se revelaram com o tempo: homossexuais, posso dizer que existe a possibilidade de que dez por cento dos nossos meninos não são tão meninos assim.

No entanto a igreja não pode fazer nada, não digo nada para mudar, pois “isso” não se muda, mas para saber conviver e “tolerar” esses nossos filhos, uma vez que eles são igualmente filhos das nossas mães como também do nosso Pai do céu.

Mas ao “aceitar” isso a igreja não terá mais um pretexto e desculpa para entrar na política, levantando a bandeira de fachada de uma defesa da moral crista, quando quer na verdade uma e garantia e posição na sociedade.

Mas não é porque eu não acredito no moralismo cristão dos políticos evangélicos, que eu concorde com o movimento Gay e suas propostas, mas em um meio termo, pois para um “filosofo” naturalista a-moralista como eu, esta bem claro que homossexualismo não é nem natural (como eles querem) e nem imoral (como os cristãos afirmam), mas um “acidente” existencial.

Em tese o homossexualismo é antinatural, pois todos os impulsos sexuais visão inconscientemente a perpetuação da espécie. O Prazer em si é um engodo da natureza para ajuntar os pares. Assim como o sabor do alimento é uma forma de atrativo para nosso paladar que tem por finalidade ultima a nossa saúde e alimentação, e assim como o prazer do sono não é uma finalidade, mas meios para nos levar a reparação das necessidades do corpo.

Ou seja, o prazer não é uma finalidade, mas um meio necessário que a natureza usa para sobreviver. Objetivamente jamais pode se provar a naturalidade da homossexualidade pela atração visto ela não ser intrínseco ao ser e natureza do homem, mas resultado de experiências e da formação do temperamento, personalidade e gênio de cada pessoa.

O mundo sobrevive pela relação heterossexual, pois se só existissem homossexual numa geração, a raça humana seria extinta. Ate mesmo as atrações especificas de uma pessoa por outra tem a sua origem no instinto que inconscientemente quer através da sutil percepção dos genes dos outros através do cheiro dos feromonios, aperfeiçoar a sua prole.

Por que somos atraídos pela beleza? A não ser pela saúde que ela representa, a qual o instinto percebe o sucesso da procriação.! Conclusão: a heterossexualidade é a regra absoluta em tese.

Mas a verdade objetiva do mundo como regra de naturalidade não é a verdade subjetiva de cada um na sua condição existencial de experiência humana. O que uma pessoa é por fatalidade da existência, não é antinatural para ela, pois constitui a sua própria condição de ser.

O que é o mesmo que dizer que o que é antinatural no mundo, não é imoral no individuo, pois não constitui uma escolha pervertida consciente e determinada. Mas uma condição de vida que o destino o impôs, sem o seu consentimento prévio.

E toda teologia “homofônica” foi escrita mesma com base no “ódio” dos heteros convencionais aos homens “afeminados” o que é uma práxis antiga relegar a Deus todo o sentimento moral de aversão do profeta que usa da boca de Deus para fazer teologia com seu instinto de “macho”.

domingo, 22 de agosto de 2010

“Verdade é subjetividade”



Mas o que é verdade mesmo? A verdade que acreditamos hoje ou a que vamos acreditar amanha. Visto ter sido o “engano” do nosso passado tão fundamental para nós chegarmos hoje a nossa verdade que não será mais verdade depois de amanha.

Qual é a verdade, Verdade? A verdade dos homens modernos ou dos nossos ancestrais primitivo e nações antigas que não mais existem? O que é verdade, a nossa a qual chegamos hoje na idade contemporânea ou a que chegaremos amanha em uma nova Era e milênio aonde todo conhecimento atual será apenas provisório e infantil para uma nova visão de realidade criada por um novo tempo e por novas realidades.

Qual verdade é mais Verdade, a verdade de quem esta dentro da caverna aprisionado ao seu modo de ver as coisas pelas sombras e nada sabe dos que estão no mundo de fora, ou a dos que contemplam a imensidão indecifrável e incógnita do universo ainda infimamente mal explorando?

Que sabe mais? Aqueles que não sabem nada ou aqueles que sabem que nada sabem sobre a origem inatingível da vida, explicada por mitos religiosos ou científicos?

Qual é a verdade mais Verdadeira, a verdade daquele que é feliz por não saber da infinitude inexorável daqueles que presumem estarem libertos das cavernas profundas da ignorância humana. Ou a verdade daqueles que sabem que estando livres para ver, somente enxergam às paredes limitantes de um universo contraditoriamente místico metafísico e cientificamente milagroso.

A verdade esta em movimento, como um circulo que abrange toda a extensão da vida, e apenas estamos nela em algum ponto de sua rotação, e por isso sempre acreditaremos nela de um ponto de vista, visto não podermos ter todos os ângulos possíveis, mas apenas de forma gradativa enxergar a cada dia melhor.

A verdade é subjetividade, cada um tem a sua, no seu tempo, na sua capacidade de entender, suportar e digerir. A verdade é a verdade nossa de cada dia, uma verdade por dia, uma desilusão por noite, uma redescoberta estonteante no esplendor do meio do dia, um retrocesso melancólico ao entardecer e um desdém filosófico agnóstico na contemplação da Verdade absoluta do amanhecer.

Verdade é como umbigo, cada um tem o seu, conforme quer crer, conforme quer ver, conforme se recusa em saber, conforme deseja, ou não desejar saber, que não quer querer saber. A verdade num mundo infinito aonde ninguém nunca a esgotara, não importa para um ser finito, cuja vida é um sopro que se esvai antes de ele tomar conhecimento de um milímetro de todo oceano de conhecimento que é a vida e a eternidade do ser e da matéria existente.

Mas qual é mesmo a verdade mais importante, a do homem ou da criança, a do ser humano ou do animal? O que importa se uma cidade é construída encima de um ninho de formiga, se elas estão felizes na sua mais absoluta ignorância da verdade dos homens que despreocupados e impiedosamente as pisa.

O que importa para uma criança o quanto é duro a realidade dos adultos sendo que elas nem ainda aprenderam a falar e escrever para ainda um dia ingressaram no mundo que ainda não se tornou a sua realidade, cujas verdades, só serão Verdades quando elas estiverem prontas para saber.

O que importa a porcaria da realidade de um ser humano comum para um altista, ou para um deficiente físico ou mental. Cada um tem o seu mundo, cada mundo tem a sua verdade, cada verdade tem sua lei, cada lei visa ou único bem absoluto de todos os entes sensíveis do universo que é a FELICIDADE.

Só a felicidade é absoluta, pois somente ela se atinge em todos os níveis de conhecimento, em todos os mundos individuais, em todas as realidades que atinge o ente no mundo, no seu mundo, no seu universo, criado pelo seu deus, e perturbado por seus demônios.

Cada um tem o seu absoluto e o seu conceber sobre a vida, pecado e morte, portanto que cada um siga a sua consciência não impondo sobre os outros seus próprios absolutos. Para cada mundo: uma lei; para cada consciência: uma moral; para cada caso: uma decisão; para cada individuo: uma vontade.

O que importa a verdade de que lá não sei aonde tal sujeito descobriu isso ou aquilo, o que importa a verdade da qual as matérias do universo são formadas por micro partículas, o que importa isso ou aquilo se tais verdades não me atingem, não me acrescentam ou me diminuir.

O que me importa a sua verdade se ela não me é útil, se ela não me eleva, se ela não me transforma, se ela não me faz um indivíduo feliz. Só a felicidade de cada ser neste mundo importa, conforme as suas estruturas, interpretações, sonhos, mentiras e verdades que só são verdades para ele.

A verdade é subjetividade, e a subjetividade é a busca solitária de cada um no seu universo interior em busca de sua felicidade. A felicidade é o bem máximo, o bem mais desejado, o bem mais buscado, a felicidade é o alvo supremo da vida. Cada um chama por um nome: Deus, amor, saúde, fé, amizade, dinheiro, prazer.

Mesmo assim a felicidade não é absoluta em seus meios, pois cada a um busca por um caminho. Que cada um acredite no que quiser, que cada um busque o que quiser. O direito de se crer em duendes por mais irreais que eles sejam para mim, é direito supremo de cada alma, cuja possibilidade de imaginações e sensações compõe a beleza diversa do mundo.

Qual triste seria o mundo se crescermos em uma só verdade, qual incolor, qual sem sabor, quão tirano seria seguir apenas a verdade dos libertos da caverna, sendo que cada caverna tem a sua profundidade com a sua multiplicidade de seres microscópios, cada um com a sua verdade, cada um com a sua necessidade para sobreviver.

Qual triste seria para um nativo que se deslumbra com o mistério sobrenatural da natureza, ter que acreditar que no mundo só existem: matéria e movimento, e não uma rica variedade de espíritos que dão sentido a sua interpretação transitória do mundo, do seu mundo, do seu deus, e conseqüentemente: do fim deste seu mundo por este seu deus.

Gresder Sil

Escrito originalmente em 05/06/10

sábado, 17 de julho de 2010

Quando eu era menino pecava como menino




Gostaria que essa carta não corresse o risco de ser entendido como uma replica disputa ou justificativa, mas simplesmente como uma explicação do meu entendimento da coisa. Você me perguntou daquela ultima vez se Davi continuou (pecando) depois do arrependimento? Como se ele tivesse se tornado um santo ou casto! Ai eu respondo que sim! Davi não só continuou transando com as suas sessenta mulheres como fez da viúva de Urias a sua principal esposa. Pecado sexual no velho testamento tem a ver com a invasão da “propriedade” privada de outro homem, e não necessariamente com a quebra quase inevitável do propósito original de Genesis dois. Aja vista a farta documentação das experiências sexuais dos homens nesta época. O que muda no novo testamento? Só o fato de que nele não temos tal registro pessoal dos protagonistas.

Quanto a mim me arrepender? Não sou desonesto e ingênuo diante de Deus! Para oferecer-lhe um sentimento, consciente de que eu não sou capas de mudar a minha própria situação. Já lutei muito! Deus o sabe! Quando eu era menino, pecava como menino, agora que sou homem, peco como homem. Ou seja: lutei em toda minha adolescência da fé, sem êxito nenhum, contra a pornografia e masturbação, acontece que o desejo tornou se não só necessidade física do corpo e do toque, mas como também a necessidade psicológica de sentir o ser da mulher no ato do “amor”. Se quando no fervor puro e apaixonado de meu primeiro amor eu não venci o “pecado”, imagine agora: adulto, viril e “liberal”: impossível né!

Falo e insisto nesta questão não para ser aprovado diante de você; mas para que você nunca de uma definição sobre o estado espiritual de qualquer homem na presença de Deus. As suas palavras de juízo estão gravadas em minha memória! Presumir saber o que se passa na consciência de um homem e a posição de Deus perante ele é monstruoso! Meu “pecado” evoluiu naturalmente com a minha maturidade, no entanto o que sou hoje no coração sempre foi o mesmo desde a minha conversão; essencialmente nada mudou por isso minha mente e minha alma não pode aceitar essa sentença de que perdi algo espiritualmente. Pelo contrario, a serenidade do meu espírito hoje, é maior.

O evangelho é um reino de consciência, e ninguém pode julgar o estado moral de um homem. Primeiro porque não esta sobre as mesmas conjunturas e condições e, principalmente porque é incapaz de saber se a alma de tal homem sente vazio, desespero e culpa, ou: perdão, Graça e paz. Se fôssemos sentenciar quem herda o reino de Deus, conforme Gálatas cinco, pela aquela lista (Lei) quase ninguém sobraria! Mas o sexo tem sido um problema para a igreja que não sabe lidar com ele não é? Meu Deus! Quanta injustiça! Afinal é a lei brutal da natureza né: os fortes e aptos para a vida religiosa ascética sobrevivem, em quanto os fracos são dizimados.

Eu sei que para você me “aceitar” equivale a abrir uma concessão para as suas tentações. Mas você tem uma carne pra tocar e cheirar; você tem uma austera visão religiosa herdada sobre o sexo; você tem a construção de uma família e de uma historia cristã para honrar; você tem praticamente o dobro de minha idade, maturidade e prudência. Você é cercado por toda essa estrutura e pela responsabilidade por muitas pessoas que estão diante de você. E eu?... Não tenho nada disso!... A não ser o instinto e o destino fatídico de Sansão e a missão funesta de profetas que andavam nus. No entanto você tem todo o direito de dizer que isso ou aquilo e grave pecado, mas jamais dizer que um homem tem ou não tem comunhão com Deus. Isso!... Esta além de você!... E é desconhecido de todos!


Gresder Sil


Escrito em 01/08/09

terça-feira, 25 de maio de 2010

As razões do coração



Os dias se passam e cada vez mais se concebe em minha mente a idéia de que seja inconcebível um Deus semelhante a nós como sendo uma entidade Pessoal ou um Ser com personalidade como nós a temos. Ira ou amor, misericórdia ou castigo, justiça e juízo me parecem cada vez mais pela minha intuição racional, predicados humanos aos quais os homens atribuíram à divindade em suas experiências místicas e indiretas com o Todo Poderoso.

Isso posto pelo fato de que a personalidade dos entes morais conscientes como nós a conhecemos é formada não somente pelas pulsões e tendências inatas tanto da raça característica do individuo como dos instintos de sua espécie animal, como também pelas influencias externas das experiências particulares e acasos existenciais aleatórios que motivam o individuo em sua formação e ação nesta vida. Coisas que não acometem o Espírito puro e inalterável do ser de Deus.

E particularmente, apesar de nem mesmo em pelo menos uma hora completa de toda a minha experiência nesta vida eu tenha emocional ou racionalmente duvidado de Sua existência, a cada dia toma forma em mim a concepção de que Ele seja um Deus sem forma concebível suspenso sobre o Vazio absoluto do tempo e do espaço. Como sendo um Ser impessoal semi-conciente que tudo cria, move e conduz como produção inconsciente de seu Ser e Energia.

Porem, no entanto “o coração tem razão que a Razão desconhece”, pois se com a mente eu sou um verdadeiro herege e apóstata, com concepções filosóficas Monista e Deísta que não acredita nem na personalidade de Deus e nem em castigos ou recompensas após a morte. Com o coração eu sou completamente apaixonado pelo Deus temperamental dos hebreus que não somente se arrepende de ter criado o homem, mas que também se arrepende de ter se arrependido de criar os homens.

Pois eu ainda choro ao ler as passagens dos Profetas que narram não só a ira deste Deus zeloso, mas principalmente a sua emocionante proposta de Misericórdia e Amor a um povo rebelde e obstinado de coração. Isto porque este Deus dos filósofos impassível que convence a minha razão jamais proporcionou para minha alma tanto gozo e singeleza de coração como o Deus passional e ciumento desenhado na saga apaixonante do velho testamento.

Portanto por mais que a minha mente alce vôos mais altos e eu tente me libertar de toda essa bagagem de tabus, superstições e mitos milenares, nas minhas veias correm o sangue de crente, e toda estrutura básica do meu ser foi constituída no fundamento do Monoteísmo judaico-cristão. Herança e legado estes na qual eu fui achado e encontrado existencialmente, e que eu não posso negar como minhas origens nesta vida, tendo sempre em mente que as cordas que tocam a musica do coração, não são as mesmas que movimentam os mecanismos da razão.

Gresder Sil

escrito em 03/04/10

quinta-feira, 15 de abril de 2010

A filosofia da Queda



O mito é o recurso humano literário usado por grandes mentes sensitivas da humanidade para narrar em fabulas e parábolas um “acontecimento” que se dá fora do tempo e do espaço e também do alcance da capacidade de compreensão do entendimento humano.

A mitologia em sua essência nunca se propôs a produzir histórias e contos irreais para entreter ou iludir o povo, mas antes encarou como sua função relatar em signos e símbolos aquilo que as palavras e a mente humana não poderiam verbalizar.

O mito da Queda do homem em Gênesis é a explicação alegórica da origem do pecado no mundo, não se tratando necessariamente de uma história literal com todo o seu enredo e personagens que brilhantemente nos trazem a luz a verdade essencial da queda do Ser imaterial do homem ao estado de existência.

Antes da Queda o homem não existia, apenas era. O estado adâmico primário é a condição de essencialidade e possibilidades de vivências antes do Ser se materializar nas conjunturas e vicissitudes da existência concreta onde as manifestações exteriores ao Ser afetam profundamente o agir do ente personificado no mundo.

Na pureza do Éden o homem não fazia escolhas morais consciente do bem e do mau, não tinha a plena liberdade de ação, não tinha a ciência de causa e efeito, ou seja: o homem não existia na existência concreta das possibilidades de experiências e escolhas, apenas vivia no seu estado embrionário de probabilidades.

Não há em nem um momento na historia de Adão e Eva a afirmação ou sugestão de que a natureza humana foi mudada ou pervertida como conseqüência da desobediência, mas apenas o relato de que o homem foi expulso do paraíso pára viver na terra árida. O que é a mesma coisa que dizer que ele deixou de ser Feto planejado e protegido na mente de Deus para ser Fato na existência ariscada e entrelaçada com o mundo.

Portanto a alegoria da Queda relata a verdade de que o Pecado Original nada mais é do que a degeneração do Ser no seu nível de pureza elementar não influenciável ao estado de existir complexo de interligações que determinam, afetam e formão o ente humano no plano intricado das suas relações contraditórias de interagir com o mundo em sua complexidade existencial.

Gresder Sil

sábado, 10 de abril de 2010

As “certezas” da fé



Engraçado! Como eu sou sortudo! De milhares e milhares de religiões e filosofias nesta terra, eu por eventualidade do meu nascimento (ou “escolha” adulta) pertenço à única verdadeira.

Quando eu nasci, os meus pais me disseram que a nossa religião era a única correta. E quando eu cresci, os líderes dessa nossa religião me disseram que as outras eram todas falsas e me “provaram” isso, me mostrando um monte de versículos retirados da bíblia.

Aí eu fico pensando, como são inocentes e ingênuos os adeptos das outras religiões, que acreditam que as suas religiões são verdadeiras, porque os seus pais os ensinaram assim; e os seus líderes os convencem disso, mostrando a veracidade das suas religiões através de um apanhado de trechos dos livros sagrados.

Mas, mais engraçado ainda é que se eu entrar numa igreja, sinagoga paróquia, mesquita, salão de reunião religiosa ou em qualquer comunidade de qualquer religião, eu ouvirei deles que eles é que são que ensinam a verdade. Mas eu continuo acreditando na minha, porque meus líderes ensinam com convicção.

Sinceramente! Pensar nestas coisas me deixa perturbado, porque isto me faz ter duvidas. Há um tempo atrás eu pensava; a minha religião é realmente verdadeira, porque nela existem testemunhas e relatos de “milagres” sobrenaturais; mas daí, analisando as outras, eu percebi que nelas também há “milagres”, mas meus educadores disseram que os milagres deles eram falsos (ou do demônio).

E para piorar a minha situação, eu descobri que a credulidade e as convicções dos adeptos das outras religiões são tão fortes como a nossa. Ou talvez até mais; porque eles fazem sacrifícios que só teriam coragem de fazer, aqueles que têm fortes convicções e paixão pela sua religião.

Mas vamos deixar isso quieto. Pelo menos a minha religião é a única que pode transformar um homem mau, num homem de bem; mas tem pessoas em outras religiões que acreditam na veracidade da mesma, porque alguns dentre eles eram ladrões, drogados, indigentes, delinqüentes e outras coisas e se tornaram cidadãos honestos, piedosos e normais.

Se de fato a minha religião é que é a verdadeira, pensar na felicidade da minha sorte me faz pensar na infelicidade da má sorte de muitas pessoas. Pense comigo; crianças nascem no mundo em diversas religiões, e na maioria delas, o ensino consegue, com poder (tirania do dogma) quase irresistível de coação, (medo do inferno, censura, exclusão) convencê-las da verdade das suas religiões.

Ou então pense naquelas pessoas que no seu desespero, abraça a primeira religião que aparece na sua frente, oferecendo uma solução. Ou naquele que parte do ponto zero, para busca da verdadeira religião, sendo ele um ser humano limitado em seu conhecimento do mundo e limitado, na possibilidade da compreensão do mesmo, em busca da verdade, num mundo de complexidade religiosa desconcertante.

Se existe uma única verdade, quem poderá encontrá-la? Quem dentre vós, os que a buscam, poderá acha - lá? Como o homem finito, alçará asas para alcançar o infinito? E como o homem cujos pensamentos e opiniões, estão sujeitos a sua experiência particular de vida, poderá conhecer a verdadeira religião, que por verdadeira deve ser objetiva.

O homem é fruto do meio em que vive e escravo da influência que atua sobre ele com mais força. Ele cede do lado em que a pressão é mais forte; seja as pressões das suas paixões e desejos, ou a pressão de sua consciência religiosa. Cada homem, cada indivíduo, nasce num mundo em que ele em nada contribui para ser o que é. As influências do seu temperamento e propensões, e das experiências particulares formam a relatividade das suas convicções e opiniões.

Como o homem poderá conhecer a verdade, num mundo de gritantes contradições? E como alguém em particular poderá afirmar com tanta certeza, contra as certezas dos outros, que ele encontrou a verdade, e que buscou a verdadeira religião e a achou?

Se existe um Deus verdadeiro, é Ele que tem que nos encontrar, mas sendo a subjetividade humana o único canal de contato possível, Ele só será sentido como verdade que se irrompe no fundo do nosso ser, sem que se possamos ter provas cabais de sua veracidade como fato objetivo inequívoco e incontestável.

Gresder Sil
Agosto de 2005

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

O QUE É GRAÇA?



Uma perspectiva filosófica subjetiva sobre a graça

Reflexão primeira:

A graça é ser e estar salvo em todo o tempo enquanto se andar pelo Caminho; mesmo quando nossos pés estiverem sujos.

Tal graça é esta circunstância de ser salvo enquanto o coração estiver na disposição na qual Deus se manifesta. Mesmo se na trajetória os pés se emporcalharem; mesmo quando caído, pelo tropeçar das pedras que há no Caminho.

E, especialmente: mesmo quando na lama do pó desta terra misturada com a saliva de nossa arrogância mais as lagrimas de nosso arrependimento, a nossa alma patinar em desespero e abandono perante Deus

Sendo atributo de um Ser imutável ela é estável na existência de quem a recebe. Não se perde aqui e depois se recupera ali, não e inconstante assim como o seu receptor, não esta sujeita as probabilidades acidentais e imprevisíveis que atuam sobre o homem.

Graça é a posição de bem-aventurança existencial eterna na qual Deus firmemente se encontra. Para o homem esta graça é a experimentação de um grau de eternidade no tempo, de uma constância de propósitos firmados na constituição mais vital da psique da alma humana

Graça por tanto, é um condição estável profunda do ser, daqueles que em quanto no pó desta terra, estão sujeitos as inconstâncias e contradições da superfície do ser e, das expressões conseqüentes da personalidade humana Caída.

Nenhum pecado que procedem da contingência de existir, de qualquer espécie, tira o homem de tal condição, por que a graça no homem assim como Deus, não muda conforme a instabilidade do ser humano. A graça não tem expectativas quanto ao proceder individual, antes, já pressupõe a sua infidelidade.

Ela é a vida de Deus no homem, nenhum incidente faz com que o homem a perca. Pecado é uma atitude no tempo, e não necessariamente um estado decidido no íntimo da vontade. Isso considerando que todos os pecados isolados de quem esta no Caminho são atos de escolha consciente ou acidental e, não um estado de ser.

Só quando o homem vive em presença de Deus é que a violação de seus mandamentos ganha sentido, pois tal infração é a perturbação de um nível saudável de ser e existir em Deus. Pecado só é, quando diante de Deus. É Deus que da a sua significação. Fora Dele não a vida, não a transgressão, não a graça não a nada. Condenação é o estado terrível de não se ser nada para Deus.


Reflexão segunda:

A graça é a probabilidade da circunstância do homem de ser livre do pecado no ser, ao mesmo tempo em que se é ainda, escravo do pecado no existir.

A graça é esta possibilidade impossível de ser simultaneamente santo e pecador; santo no ser, pecador no fazer. Pecador, pelo pecado consistir em acidente inevitável na trajetória histórica em que se da no tempo, e não necessariamente um mal que domina a essência do ser daquele que vive sobre a atuação da graça, que esta de modo pertinente cativo a esta graça.

Só na alma humana existe verdadeira liberdade. Mas o Corpo e a constituição do individuo estão sujeitos aos objetos, ações, coisas e movimentos que atuam no universo de eventos e fatos materiais, numa interligação complexa de circunstancias, onde mesmo a alma desejando o bem, pratica o mal pela força imperativa de pressões que incidem sobre ela.

Na alma a vontade é livre na escolha da sua postura quanto à reação aos acontecimentos que sucedem sobre a existência material. Na alma se decide questões e vontades que formão a composição de um ente ímpio ou de um ser suscetível a graça. Entretanto, no existir terreno a pessoa não tem o absoluto controle de desejos e emoções com a mesma firmeza da alma.

No existir o ser é escravo de uma condição de vida profundamente comprometida pela Queda da humanidade. Onde as vontades e instintos afetados nem sempre se sujeitam as determinações sadias do ente regenerado.

Uma vez sob o estado de graça a alma que esta livre da condição essencial da corrupção do ser, ainda não esta completamente livre das implicações de existir sobre um mundo em grau de degeneração.

Estar livre do pecado no ser corresponde ao coração dominado pelos princípios de verdade, justiça e misericórdia que repousa nas disposições mais consolidadas da constituição deste ser. Não há dubiedade na alma, uma vez que a alma ou coração consiste exatamente numa decisão única, objetiva e moral que determinam a condição espiritual incondicional desta pessoa.

No entanto, permanecer escravo do pecado no existir, é estar sujeito as demandas poderosas de anseios, equívocos e fatalidades que ocorrem fora do controle absoluto da esfera de ação das decisões do coração. Porem sendo a alma boa, o mal procedente de existir em tal condição, tem seu limite de atuação neste ser. De forma que o pecado sempre será conseqüência de um descontrole da vontade no processo de existir, e não o fruto destrutivo e pretensioso de um ser profundamente degenerado.

A degeneração externa da natureza encontra na graça a sua fronteira. Graça é isso: o pecado que perturba o viver-existir da criatura piedosa, não tem poder sobre a alma de tal ser-santo, visto que as disposições de tal coração emanam de um estado de espírito profundamente virtuoso, e absolutamente aberto para Deus.


Reflexão terceira:

A graça é o poder contraditório de atração, exercido sobre o nosso ser, que faz com que ate mesmo os nossos pecados e conflitos nos aproximem de Deus.

Toda confusão e, preocupações que o pecado produz, quanto ao próprio estado moral diante de Deus, já é condição sem a qual não se vive de fato, perante Ele. Estar diante Dele em graça, é estar exatamente como um ser que foi sublinhado o fato de ele estar encurralado pelo pecado.

A graça não exclui a posição e classificação de pecador, e nem elimina o mal na existência, antes detecta e ressalta o pecado, deixando o homem suspenso e desnudo diante de Deus. Esta graça não é antítese da Lei, antes é a própria Lei como meio de graça, que revela um entendimento necessário como condição de estar na presença de Deus na mais absoluta verdade: a verdade do próprio pecado.

A graça não é basicamente paz de espírito, mas sim é o eu do homem posto em confrontação com os seus pecados diante do Santo. Graça são as experimentações de uma estância de crise e tensão pela condição de impasse e embaraço que o pecado suscita na consciência do homem. Na graça o pecado não se erradica antes se releva como um problema ininterruptamente contínuo e gigantescamente mal resolvido.

O estado de graça é a revelação da verdadeira e constante situação do homem diante de Deus: um ser que interiormente se dilacera entre o Paz e a culpa a Lei e a liberdade. Cuja intimo do homem, sob o imperativo Lei, se debate e se despedaça na questão visceral de nunca encontrar um meio preventivo contra o pecado. A graça é esta contradição irremovível fundamental para o salto da fé sem apoios.

Se o homem crê na impossibilidade da obediência aos mandamentos, a Lei moral esta em seu encalço como verdade absoluta e irrevogável sobre a sua consciência, mas se ele acredita na possibilidade da santidade, o pecado como realidade gritante na sua carne, rouba-lhe as paz e suas seguranças. Nem a regra ou liberdade estão para o homem, mas sim a não mensurável e incompreensível: Graça.

O pecado de quem esta, pela graça, aberto para Deus, não tem o poder de afastá-lo Dele, antes o coloca diretamente, e sem saída, em sua Presença, num estado de agitação de ser e indagação persiste quanto as suas escolhas possíveis e possibilidades de escolhas, onde o homem não tem como esquivar por o pecado ter implicações diretas na sua relação com a continuidade da inteireza da disposição moral de sua alma. Quão quanto todo o seu conflito só aumenta a sua responsabilidade como também a sua consciência de incapacidade.

É no pecado que o homem percebe que a Face de Deus esta ali, diante dele, o perscrutando e inquirindo do homem uma posição. Mesmo que nenhuma disposição o torne em condição de aceitável ou livre desta crise do ser. A graça é essa trajetória trágica, em que Deus conduz o homem ao autoconhecimento da sua incapacidade de nunca poder estar perante Ele a não ser: em pecado. Mas poder estar diante Dele em qualquer condição, já é em absoluto: toda a Graça.


Reflexão quarta:

A graça é força irresistível do evangelho que atua em nos, pela verdade que persuade e domina o ser na esfera mais profunda e consistente da alma humana.

Em tal estado de graça o ser se sente tão irreversivelmente ligado ao evangelho da mesma forma que estamos irremediavelmente presos a natureza e a condição humana. Uma vez que graça não é movimento ou objeto desta dimensão terrena, mas um processo ininterrupto de composição imaterial no domínio mais íntimo da vontade e das decisões humanas, nem um poder de coisas e eventos da existência material, podem interromper tal ação de designo eterno de Deus no coração do homem.

Perdão, lei, contrição, paz e culpa são termos humanos usados a fim de se explicar a tentativa e o procedimento de ligação do homem com Deus que se faz em todas as religiões. Mas a graça não é o mero perdão como acesso a Deus numa lei de mérito de arrependimento, ou causa e efeito na relação do humano com o Divino, mas um estado espiritual da constituição mais fundamental do ser do homem, que não se altera por decisões inconstantes tomadas no palco da existência contraditória da superfície deste ser.

O homem na existência esta sujeito não só as força dos episódios que sucedem sobre ele, como também a própria modificação natural que vem pelo passar do tempo. A própria maneira de ver e reagir de cada um advém das condições características de existência especial e particular. Particularidades estas que pela graça não tem poder de influir na decisão mais objetiva da alma.

Se na existência existe variações de vontades e inconstância de decisões pela subjugação do homem a complexidade do mundo de eventos e possibilidades. Na esfera do ser a graça é essa força irresistível sobre o coração, cujas variações e incidentes da existência não podem suprimir. Nada fora da alma a não ser uma decisão do próprio coração podem tirar o homem deste estado de segurança absoluta a que se chama graça, contra os acontecimentos no corpo e no campo das sensações humanas.

Portanto graça é à força da revelação do evangelho no coração que cativa o homem de tal forma, mesmo acontecendo os episódios mais trágicos não prescritos para o ente humano sujeito a lei de Deus. Graça é essa verdade incontestável na nossa consciência, cujo poder de acidentes, quedas e reincidências não alteram e nem suprimem o seu efeito no nosso coração. Em suma a graça é a segurança eterna da salvação daquele que crê.


Reflexão quinta:

A graça é a condescendência de Deus de vivermos ainda sobre um estado de graça a despeito da nossa incompreensão e ignorância quanto a ela.

Uma vez que a graça é todo um processo interno que se passa na alma do ser humano, e não basicamente uma metodologia verificável na personalidade do individuo, ela sempre será vista conforme a capacidade e entendimento particular de cada um.

A graça é um ato comum e indivisível de Deus feito no ser do homem, mas manifesto conforme as muitas formas de expressão da personalidade do homem nestas infinidades de possibilidades de experiência de existência humana.

Portanto a graça não é conceito a que se deve crer corretamente para se ser salvo, mas procedimento espiritual feito no homem sem a necessidade da sua exata verificação, visto que o que si é possível observar dela, se da apenas no campo das suas ilimitadas experiências como conseqüência do que si é feito no mais intimo do ser do homem.

A verdade total desta graça é vista somente por Deus, e não se impõe na tirania de um conceito doutrinário em que se é necessário crer perfeitamente para se ser alvo desta graça, mas procedimento que apesar de único e absoluto é operado, percebido e vivenciado na relatividade da subjetividade humana.

Gresder Sil

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Hermenêutica subjetiva



Nenhuma crença que não foi gerada de uma crise dolorosa e profunda do ser, assim como a criança que rasga a carne de sua mãe ao nascer, não pode ser uma fé sincera do coração. Pois só o que vem de dentro de nos, das entranhas de nossa alma, pode ser tido como genuinamente nosso. O que importa se existem lá fora, verdades absolutas e objetivas, se eu não as vejo em mim mesmo e nem me transformam ou produzem paz para meu ser.

Pois a verdadeira “verdade” nasce da subjetividade dos embates e dilemas que a alma enfrenta consigo mesma. Pois apesar de existir muitas verdades neste mundo, só aquela que afeta profundamente o meu ser, se torna verdade no sentido de conquistar as exigências do meu coração e a paz tão desejada para minha alma.

Toda interpretação doutrinaria deve ser individual, pois só assim, apesar dos equívocos e diferenças, a fé será fé sincera das coisas que realmente o coração crê. É fácil analisar tudo do nicho sagrado, do lugar seguro das doutrinas objetivas e ortodoxas (sem a subjetividade das nossas verdadeiras opiniões do coração).

Ao contrario disso, a fé será objetiva em um pacote pronto de verdades eternas que não produzem no coração paixão e disponibilidade de sacrifício da própria vida. Aja visto que os mártires sempre foram os “hereges” que não seguiam os dogmas (verdades absolutas para os “normais”).

Mas o que realmente interessa não é o credo correto de um homem, mas as suas inquietantes irresoluções e sugestões do seu coração. Só uma fé gerada assim, através da dor que dilacera o corpo e verte o sangue da alma, será absolutamente sincera como o amor de uma mãe que se apega ao ser que com dor indescritível, nasceu de dentro dela.

Gresder Sil

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Ponto crítico



Sigo num ritmo acelerado a trajetória de um caminho sem volta. A essa altura não da mais para interromper o processo, não à como retroceder. O único medo que me assalta e me preocupa agora é o medo de não ter mais medo, e perder a noção do perigo. Não sei absolutamente em que fim vai dar, estou pagando pra ver, sei que posso pagar caro, só espero que não custe a minha própria alma.

Não mais se debato e nem ponho em risco a autenticidade do meu ser, em sacrifícios improdutivos contra as exigências legitimas da minha natureza, deixo que tudo corra naturalmente, não me preocupo mais com mandamentos que estão para alem de mim. Se o meu coração for bom, sei que dele procederá à verdade e a boas coisas, caso não seja, depois de tanto comprometimento, já não sei se posso saber ou fazer qualquer coisa.

Se a minha consciência me engana, então não me resta saída, posto que ela seja o meu único canal de cura. Se o julgamento que sempre fiz de mim mesmo não me resolve, e se tudo que senti e vivi diante Dele não servem de critério, então tudo para mim é nada, e nada é simplesmente: Nada. Por instantes e momentos nada me é sagrado e nem nada mais me surpreende. E às vezes não espero mais nada de coisa alguma, e se tudo que acredito não for; apenas o ser me basta.

Ando insensível ao desespero de não ter o sentimento de medo algum sobre a tênue linha que me separa do bem e do mau. Ainda que eu me julgue imune no meu vale de sombra e morte aonde o pecado perdeu seu poder de sedução sobre mim, porque nada mais me é proibido, mesmo assim não busco seguidores, pois sei que na pratica estou mais para um espetáculo com um fim trágico do que para alguém que possa edificar a outros.

Atualmente tudo para mim se tornou apenas humano. Dantes tudo que se apresentava como divino intocável vira-se agora algo devassável. Não forço isso, é apenas processo natural do meu modo de ser. Tornei-me diante de toda dádiva e grandeza, apenas um olhar atento, tudo perdeu seu mistério.

Num compasso ritmado de passos que não param pelo tropeço de pedras insignificantes do caminho, sigo e antecipo a maturação dos intentos do meu pensamento sagas e audacioso. E assim, sendo conduzido ao mais profundo da duvida, num denso e drástico estado de alma, do fundo do posso de meu ceticismo eu chego num ponto onde não consigo mais passar adiante.

Diante da sena da cruz o meu ser se dobra, a minha alma em sua veemência não mais avança, não por respeito ou por falta de coragem, é que ali as minhas forças se esgotam. Ao olhar o homem posto sobre ela, o meu coração vergado e prostrado a ate o mais baixo chão desta terra (pela força de subjugação que emana daquele evento) se derrama. A cruz é o meu limite.

Gresder Sil

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