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sábado, 4 de dezembro de 2010

Educação e propaganda religiosa


O ser humano é como um carvão que precisa ser abrasado, como um combustível que precisa ser queimado. O homem é um motor vivo. E, sobretudo os jovens são puro vigor que precisam de alguma coisa para canalizar suas energias. O esporte a militância política e a religião são formas patrocinadas pelos governos de condensar esta força que em outros contextos seriam usados como impetuosidade para a anarquia ou criminalidade.

Por isso os grandes estadistas, legisladores e líderes intelectuais e eclesiásticos, e o governo num modo geral sempre se preocupou não somente em aproveitar a força da juventude de seu povo como também em redirecionar esta energia para evitar a degeneração dos homens de sua nação. De forma que uma publicidade governamental patriótica e educação religiosa sempre foram os meios pelas quais os governos se utilizaram para dirigir os súditos de um povo.

Assim como hoje a mídia estimula a população com seu anúncio em comerciais do governo em que pinta entusiasmadamente o progresso do país. Assim como uma igreja com seu boletim semanal e jornais mensais noticiam orgulhosamente a continuação gloriosa de sua historia e seus feitos, como um meio de manter unido o seu rebanho e entusiasmar a nova geração. Também no passado foi criado o mais poderoso veiculo de propaganda religiosa e ensino da juventude.

A bíblia hebraica com seus heróis, com seus feitos grandiosos, com suas historias de guerreiros de coragem e valor, com seus exemplos de rebeldia e castigo, com sua sabedoria proverbial, com suas lições morais e seus cânticos entusiasmados é a maior propaganda religiosa de educação governamental que um povo teve sobre esta terra. Pra isso ela não somente foi escrita separada por cada escritor, mas durante a historia ela passou por varias redações gerais.

A exemplo da redescoberta dos livros do Pentateuco no tempo do rei Josias, dos trabalhos feitos em prol da nação por Esdras e Neemias e da tradução da septuaginta, a bíblia hebraica passou por varias edições e seus redatores foram homens visionários que passaram um verniz brilhante nos fatos históricos tornando os mais poderosos meios de propaganda religiosa para a educação de um povo a fim de estimular as gerações de jovens ao patriotismo e ao temor religioso.

A bíblia é um livro escrito por cronistas e poetas, legisladores e reis e não por médiuns e videntes de cavernas alienados do processo e conjuntura histórica de seu povo. E Isso muda tudo, os caras eram escritores talentosos, historiógrafos e editores românticos que num tempo aonde não tinha mídia e imprensa, proporcionaram pela condensação da cultura, religião e política no seu livro sagrado, a formação de uma das religiões mais poderosas, homogêneas e antigas da terra.


Gresder Sil (Esdras Gregório)

Escrito em 03/12/10

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

As mãos de Deus


Em estações outonais de nossas almas e dias sem fé e de e seco ceticismo olharmos para os céus do nosso espaço sideral imenso e infimamente explorado e conhecido, e pensamos “estamos sozinhos no universo?”, “existe um Deus a nos olhar pelo menos?” “existe outros seres que compartilham conosco a vida e a consciência?”. E se estamos sós ou inacessíveis pela distância? O que seria de nossas vidas agora, qual Palavra, direção ou exemplo a seguir sem a fé em um Deus que domina sobre todo mundo?

Acaso agora sem a certeza de outra vida e de um juízo sobre nossas vidas nos tornaremos mais egoístas e pecadores ainda? Algum Ser ou alguém se importa conosco e com nossas felicidades e destino. Existe algum Amor ou motivo que possa nos influenciar e mover ao que é bom e evitarmos o mal, pressentindo e chegando a conclusão de que o Bem e o Mau pregado pela religião não existem a não ser como conceitos metafísicos na cabeça dos religiosos.

E então? Agora sem ter a certeza concreta de que tem alguém sobre o universo piora a condição da impiedade humana! Não! Pois agora sem auxílio espiritual a nossa carga aumenta, e mesmo que não seja possível se ser puro e espiritual, é totalmente possível a gente ser verdadeiro honesto e corajoso diante da maldade que nos cerca. Pois se não existe um juízo é nós que temos que fazer a justiça agora. E por não termo uma moral divina a nossa responsabilidade e unidade diante dos nossos semelhantes só aumenta em grau e seriedade.

Mas de fato não estamos sozinhos no universo, pois “Deus” foi um de nós e a melhor coisa é que Ele não é um ser estranho a nós, mas era homem, e um homem totalmente humano e única e exatamente como nós somos em contradição e humanidade. E com homens como Ele, os profetas, os grandes poetas, os humanistas e humanitários e os bons cientistas, estadistas e filósofos da historia, não há por que reclamar da completa inatividade sobrenatural e silêncio de Deus nesta vida, aonde não existe prova nem uma de que Deus tenha falado de forma audível a alguma pessoa ou nação para nós direcionar e julgar no fim do mundo.

E exatamente por não ter, estes tais homens assumiram a responsabilidade de falar em nome deste Deus distante e Desconhecido que nada fala ou dita literalmente ao seu ouvinte e receptor. E o fato de um deles ter “assumido” a identidade de um deus, não significa que o seja. Mas que ousadamente por saber que Deus não tem voz ou face alguma reconhecível, e por não querer ou não ter mãos a estender à humanidade, Ele ergueu a sua voz, e estendeu as suas mãos, fazendo da autoconfiança em seu coração a certeza de que a sua face era a melhor para representar o Deus irrepresentável e incomunicável formado e concebido na sua psique.

Sabendo agora que os olhos, as mãos, e os pés de Deus são os olhos as mãos e os pés destes homens. E sendo eles humanos, sem a magia e sem todo o invólucro sagrado com que foram editadas suas vidas, só nos resta agir como eles e como pessoas adultas a qual por não ter um Deus provedor sempre ajudando, se torna prontamente o coração, a boca, e as mãos de Deus nesta terra. Não deixando que a vida seja vivida desamparadamente sem Deus até que um dia a gente descubra (ou não descubra) que estamos sozinhos ou inacessíveis neste recanto solitário e perdido do universo.

Pois comprovadamente até agora, como seres pessoais conscientes estamos sonsinhos nesta nossa galáxia e a fonte misteriosa de vida a qual chamamos Deus, só atua na e pelas mãos dos homens, o único amor que existe é o nosso, é o que nós sentimos por nossas famílias e amigos, o amor de Deus é o amor humano que os homens sentem um pelo outro (que tem muito mais valor por ser de seres imperfeitos e sofredores). Por isso se o homem não amar o seu próximo, míngüem fora daqui ira Amar, somos a mão de Deus, e ninguém tinha tanta consciência disso como aqueles que se permitiram ser chamados de enviados de Deus, amando por este Deus imaginado, os seus até o fim.

Gresder Sil

escrito em 09/11/10

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

O humanitarismo profético de Jesus


Durante a historia, a raça humana produziu aleatoriamente espécimes de homens excepcionais, a onde em quase toda época e povo teve alguns eleitos pela seleção arbitrária da vida como os gênios de seu tempo e nação. Dotados de atributos pessoais altíssimos que os favoreceram para aproveitarem suas oportunidades únicas sobre eles, fazendo de cada um: fruto representativo da espécie.

Mas em Um, inexplicavelmente conjunturas sociais, atributos morais, influencia religiosa e vontade férrea se juntou como o mais puro milagre da existência de probabilidades humanas. Fazendo Dele um elo entre o reconhecível e o incógnito. Ele não foi um filosofo estudioso dos antigos; tão pouco um sábio original. Mas nem por isso deixou de ser semelhante em espírito e temperamento aos homens dos quais esteve irmanada em toda sua existência.

A sua maior referencia humana observável para nós é o seu sentimento de Compaixão. Poderíamos até chamá-lo de profeta, mas remeteríamos o entendimento a um conceito romântico de profeta que não condiz com o verdadeiro espírito de um homem considerado como tal. Todo grito e preocupação profética foram, sobretudo com a opressão dos pequeninos e injustiça social e religiosa dos poderosos, e não como uma apreensão espiritual como erroneamente se entende.

Pois o fato dos profetas terem falado em nome de Deus não significa necessariamente que eles escutaram de forma audível a Deus, mas guiados por seus sentimentos, se utilizaram dos símbolos de justiça e misericórdia de Deus para proteger os indefesos e os mais fracos. Um profeta é e sempre foi intensamente imbuído pelo espírito humanitário que se doa e se arisca para melhorar a vida do povo a qual seu coração esta intimamente afeiçoado, se opondo fortemente aos governantes e sacerdotes em defesa dos indefesos.

E em partes Jesus foi exatamente como todo verdadeiro profeta que ama uma nação, e que por ela dá sua vida, de forma que Jesus como todo grande humanitário para não multiplicar problemas já existentes, usou da religião oficial daquele povo, como sua estrutura para trazer um novo modo de religiosidade independente entre Deus e o homem. Aproveitando as fontes e tradições sagradas do seu povo, não por acreditar piamente nelas, mas porque era o único material que Ele tinha nas mãos e que estava nas veias e coração daquele povo. E também porque para Ele a verdade não estava na letra (doutrina) da sua religião de origem, mas no espírito (sentimento) religioso daquele e de qualquer outro povo voltado para Deus.

Gresder Sil

Escrito em 19/10/10

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Bíblia Sagrada Vs. Palavra de Deus



Definitivamente a bíblia não é a Palavra de Deus. Pois como poderia o invólucro ser idêntico a substância, e como poderia a embalagem ser a mesma coisa que o produto? Hora essa, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa! Confundir o transmissor com a Mensagem é quase o mesmo que adorar a criatura confundindo a com o Criador.

A bíblia esta no tempo, tem a sua origem na historia, é massa material produzida por energia e movimento. Entretanto a Palavra é tão eterna quanto Deus e tão imaterial e incomensurável quanto Aquele que a inspira. Ela e é a soma total de tudo o que é e sente o Seu Interlocutor, dita em parte e particularmente a cada ouvinte; enquanto a outra é somente a forma humana e literária como essa Palavra foi aplicada e sentida singularmente no tempo em que foi escrita.

Uma é a produção do homem do receptáculo com todas as suas características humanas inerentemente limitadas e vulneráveis para conter o espetáculo da Revelação adaptada de Deus aos homens. Visto ser na relatividade da cultura, moral e tradição de uma raça da humanidade que Deus melhor se deu a conhecer e ser apreendido conforme o entendimento e capacidade daquele povo que registrou aquela mensagem com as suas próprias palavras e letras humanas.

Mas essas palavras, não são para nos Palavra de Deus na mesma proporção em que foram para eles. Entretanto elas são a Palavra na medida em que rompe toda a barreira provisória do entendimento singular histórico de uma época, para trazer até nos, como foi para eles naquele tempo, a essência única da Mensagem que jamais deve ser confundida com o veiculo humano que a transporta. Ou seja: a Palavra é mensagem subjetiva ao coração que transcende tempo e cultura, enquanto a bíblia é apenas o Registro e Testamento histórico e objetivo da sua primeira e principal manifestação.

Gresder Sil
escrito em 22/02/10

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Processo intuitivo e indireto de Revelação



Moises estava ali de novo, só que agora, carregava um povo em suas costas. O lugar ele já conhecia, pois fora ali que pela primeira vez sentiu de forma singular a voz do Eterno em seu coração. Aquele lugar era mágico e magnético, e a mística do encontro climático espetacular daquele ambiente sugestivo era o suficiente para impressionar a mente e cativar a o coração daquele povo ao Todo Poderoso que convergiam ali às forças da atmosfera e do clima da região num encontro magistral e magnífico da natureza.

Aquele queira ou não, era o seu povo, e independente de sua formação e cultura as suas origens vinham daquela raça promissora, mas agora oprimida em uma terra estranha. Num relapso de momento acreditou ser a sua responsabilidade, dar vida e dignidade aos seus, porque teve a percepção e a sensibilidade de intuir e observar que pelas forças do destino daquele seu tempo e circunstâncias, se convergiam nele, todas as possibilidades de poder emancipar aquela gente, fazendo deles uma grande e poderosa nação.

Moises acreditava até os ossos no Deus dos seus antepassados, mas nem uma fala ou som audível escutou, e nem sequer pode ver a face ou as costas daquele deus irrepresentável e mudo que gritava em seus ouvidos. A oportunidade era única, o tempo tinha amadurecido as suas convicções, e ele não mais tinha tempo a perder esperando como jovem imaturo uma revelação tangível. E por isso sentiu não poder postergar a responsabilidade de assumir por sua conta e risco que a intuição pura e improvável de sua mente, era a voz indireta de Deus ao seu coração.

E assim estava ele naquele Monte estrategicamente monstruoso e terrível que provocou terror e tremor na impressionabilidade daquela gente toda, que esperava dele inconsciente e instintivamente uma identidade, uma pátria e um deus como tinham as nações circunvizinhas. Deste modo encurralado milagrosamente pelo Deus inacessível e incomunicável de seus pais, recluso, sozinho, e desesperado no Monte, ele não tinha outra saída a não ser impor por si mesmo naquela gente sem rumo e insurgente, a síntese dos melhores preceitos aprendido das civilizações, como sendo mandamento arbitrário de um Deus soberano e inquestionável que “ditava” para ele as suas leis.

Gresder Sil

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Frutos do coração



Uma vez que de tanto que já tenhamos ouvido a Palavra, ela já deve fazer parte integrante do nosso ser, de forma que nosso proceder seja fruto espontâneo daquilo que esta profundamente inserido na constituição da construção de todo nosso existir.

Não do ouvir das palavras humanas que foram usadas para nos transmitir a mensagem, mas da mensagem mesmo, ouvida e guardada no intimo do nosso coração. Pois toda palavra humana a de ser esquecida naturalmente sendo ela apenas veículo natural de transmissão.

Ou todo nosso proceder reflete o que interiormente somos pelo que foi plantado em nosso coração, ou estamos lutando em vão para produzir aquilo que não vem naturalmente das disposições voluntarias e permanentes do estado de espírito do nosso interior.

Se a verdade, a justiça e misericórdia não brotam facilmente de dentro de nos, é porque ate agora se atemos a lei como regra externa de conduta e não como essência vital a que o nosso coração deve estar profundamente inclinado por uma lei natural do nosso próprio ser em transformação mediante a Palavra.

Visto que seja assim, a transgressão não é mais vista como violação das regras fixas e externas ao nosso ser, mas como vivencia inautêntica. E o pecado na pratica é algo agora circunstancial e não atos determinados, posto que a cada proceder do próprio coração fluirá o seu modo natural de ser e agir.

Deste modo nem tudo que nos é licito será conveniente e nem tudo que é inconveniente será proibido. Quem vive da inexorabilidade da lei, pode pela própria lei transgredir sua essência por atos que apesar de corretos, não procedem da compatibilidade do próprio coração com o espírito da lei. De forma que agora o pecado não será mais pré-estabelecido, mas o coração decidira a cada momento o que for bom.

Assim como foi prometido à lei serás escrita nas tabuas do coração e não mais fixadas em atos determinados e prescritos como dantes. Outrora foi assim como meio preventivo para assegurar a obediência e segurança de todos independentes do seu estado de espírito compatível ou não com a lei.

Mas quem por boa disposição natural do coração esta livre da lei, tem a lei nas entranhas do seu ser, de forma que o bem e a verdade há de fluir e brotar do seu interior; sem que ele precise das regras que foram feitas para aqueles que não são capazes de decidir de si mesmo a cada circunstância sobre o bem e o mau.

Gresder Sil

domingo, 10 de janeiro de 2010

Paulo o estóico



Paulo era inspirado? Sim! Mas mão aniquilado em sua personalidade humana! A inspiração não implica a completa anulação do fato de ser Paulo um homem sujeito ao entendimento e cultura de seu tempo! A inspiração não é um estado de êxtase arbitrário que anula a subjetividade do sujeito que é alvo desta inspiração. A inspiração trata-se de uma condescendência de Deus ao homem, de forma que a Palavra eterna é transmitida em palavras humanas a fim de ser entendida conforma a capacidade de entendimento de um homem e de uma época.

Paulo esta no tempo, tem uma história, tem a sua própria cultura e linguagem a qual sendo inseparável de sua personalidade é derramada em sua forma de escrita. E é este judeu, instruído na lei e no entendimento das ramificações do judaísmo, e conhecedor da cultura e filosofia do mundo helênico a qual foi criado, que Deus escolhe para esboçar uma teologia cristã. E escolhe exatamente pela bagagem judaica-filosófica que possui. Sim! A Palavra que transcende a escrita se contém e se difunde pelo entendimento do escritor.

Paulo como homem não escreve a Palavra de Deus, escreve com as suas próprias palavras o que lhe é revelado do entendimento do espírito da Palavra. A Palavra não se prende a Paulo, não se limita a um cânon, antes esta aberta ao infinito, pois é eterna em essência, as palavras humanas não a pode conter. Transmitir a Palavra em palavras é o mesmo que se esbarrar nas limitações de entendimento de uma geração de homens.

Mas isso não diminui e nem altera o seu fator de inspiração divina, visto que as palavras são apenas instrumentos secundários para atingir o coração humano, o que vale é o poder visceral da verdade que penetra o ser do homem, mesmo que ele não consiga traduzir isso em palavras humanas.

Paulo enxerga e vê pelas escrituras e pelo Espírito, a maior verdade da condição do homem, o fato de ele ser completamente pecador incapaz de salvar a si mesmo. E essa pecaminosidade inerente ele interpreta como conseqüência da Queda do primeiro homem. Mas tudo isso é entendido e exposto conforme as estruturas de pensamentos de sua época e formação intelectual.

Paulo sabe que a Queda afeta diretamente o homem na sua integralidade, pra ele o homem é pecador em seu conjunto de faculdades, sensibilidades, vontades, anseios e instintos. O pecado esta intrínseco ao ser do homem. Isso como se a própria natureza humana tivesse sido mudada na Queda, como se os instintos e desejos fossem pecaminosos em si mesmo.

Mas tal visão de natureza pecaminosa não esta no velho testamento, não aparece por lá. Começando por Genesis, o que mudou no homem após a Queda? Os seus instintos, suas faculdades? Não! Absolutamente não! A Queda altera uma condição humana de relação com o Criador, por conseqüência de um ato de vontade. Ou seja: o pecado antes de tudo é um mal moral, depende de escolhas e decisões e, sobretudo um mal existencial, visto que a conseqüência foi que o homem foi expulso da presença de Deus no paraíso.

A condição de pecaminosidade afeta a sua existência, como vivencia numa condição de vida a qual não é o seu modo de ser natural. Por isso existe essa sensação de desencontro e absurdo patético dentro do homem sem Deus.

O velho testamento não sofre influencia direta de uma tentativa sistemática e racional de se explicar o homem, mas apenas descreve pela própria experiência da humanidade que o pecado esta no coração, ou seja, na vontade humana em oposição a vontade de Deus. Sim! No velho testamento é à vontade e os pensamentos humanos (coração) que são pecaminosos. Não há referencia de degeneração da natureza, mas apresentação de um estado espiritual de afastamento. Como também uma vontade obstinada na transgressão moral dos mandamentos.

Paulo percebendo toda essa verdade, esboça este entendimento sob a influência direta de sua formação e capacidade de ordenação metodológica. Ler a literatura clássica daquela época e negar a influencia pelo menos na linguagem do estoicismo e filosofia de Platão em Paulo, é o mesmo que não ver que somos todos produtos de nosso tempo com toda formação cultural, histórica e particular que afeta diretamente nossa visão de mundo.

Mas para alguns aceitar isso é como se ofendesse a inspiração divina da Bíblia? Como se salvação dependesse do entendimento exclusivo e correto da Revelação. Mas é Deus que vem até nos conforme a nossa capacidade de entendimento. E Ele apenas exigiu que nos o amemos com todo esse entendimento, limitado e humano.

Paulo como um judeu helenístico que era foi influenciado por pensamentos como este de Sócrates em sua declaração da razão por que o filosofo não deve temer a morte: a qual é porque o corpo é um impedimento da alma e da razão, sendo estas o maior bem humano. Tal pensamento esta na noção dos estóicos de carne mau. É claro que Paulo não endossa totalmente essa idéia antes aproveita alguns princípios e usa a sua linguagem e entendimento.

Em suas cartas ele da a entender que nossa carne (instintos, sensibilidades etc.) são inerentemente pecaminosos, mau e degenerado. O que não é em absoluto verdade. O pecado trata-se da satisfação de nossos desejos e vontades humanas de uma forma egoísta, não necessariamente a satisfação dos apetites em si.

Se Paulo fosse do nosso tempo usaria de outros termos para falar de tentações e pecados, talvez fizesse a separação do homem assim: sensibilidade, razão e vontade, ao invés da dicotomia dualista alma e corpo; e diria sobre os desejos da carne como necessidades instintivas da natureza humana. E apresentaria a Queda não mais sobre o molde estóico de natureza pecaminosa, mas sobre a estrutura filosófica existencialista onde o ser esta existencialmente afastado da sua Essência.

E com certeza escreveria mais ou menos assim para Timóteo naquele trecho bíblico: “meu filho traga lá meus CDs e meus livros, especialmente meus livros de sociologia, antropologia, biologia e ciências, pois seus autores disseram algumas coisas verdadeiras a respeito da natureza humana. Pois toda verdade é verdade de Deus, não importa onde ela estiver sendo dita”.

Gresder Sil

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

A revelação de um novo apocalipse



Era tarde da noite, o sono não vinha, na cabeça um turbilhão de pensamentos nebulosos, no coração a terrível impressão de uma grande responsabilidade por vir, não sei por que, mas eu tive medo. Estava exilado na solidão do meu próprio quarto, não queria mais ver os homens, pois eles não compreendiam que eu apenas queria mudar a grafia das letras e não o seu sentido.


Uma voz feminina, como se fosse falada carinhosamente por uma mãe, me despertou do sono acordado na qual eu estava completamente atordoado. Ela me disse: “vem e vê isto”, o chão sumiu , meu coração disparou, senti a sensação horrível de perder o conforto seguro de tudo que me induziram a crer ate aquele dia.


Ela disse: “olha aquela mulher” olhei e vi, ela era linda! Mas completamente artificial. Inteligência sem coração, criatividade sem vida, fora composta da união de três serviços prestados aos homens, ela se chamava a Rede! Mas lhe deram o apelido de Nuvem, pois cobria a extensão de toda a terra, e tudo estava armazenado Nela. Todos os homens se prostituiramn com Ela, todos entrarão a Ela, os seus dotes e favores satisfaziam todas as necessidades dos que tinha acesso ao seu interior. Ela era a besta de á muito tempo profetizado.


Era a visão do fim dos tempos. Um calor terrível assolou os habitantes da terra. A Rede proporá aos homens sarar a ferida da atmosfera através da completa libertação da fauna. Vi que a humanidade se rejubilou como nunca antes, pois nunca mais se faria nada com as arvores da terra. Então sob sua recomendação tudo que ate então fora escrito de papel, foi transferido para um lugar seguro na Nuvem. Uma grande crise assustou os homens naquela época, pois os artesãos da madeira e todo comércio que os abrangiam caíram sem quem ninguém pudesse impedir.


Os homens prostraram ante a Rede para que ela os salvasse, aos seus pés colocaram tudo o que tinha. Ordenou Ela que todo livro escrito e todo que pudesse ser reciclado fosse convertido em produtos novos para salvar a economia dos negociantes da terra. Os homens a adoravam por isso, a Ela se entregaram completamente, todo desejo e pensamento humanos estavam registrados e salvos sob o seu controle irrestrito. Quem quisesse ver agora os escritos humanos tinha que trafegar dentro das ondas da Nuvem. Tudo isso se decorrera no tempo de três olimpíadas e meia.


No céu embaixo do grande trono ouvi os gemidos mais agonizantes de toda a minha vida, era alma dos heróis que escreveram as escrituras para os santos, pois na terra, aproveitando que tudo que um dia foi escrito estava gravado agora, com um dedo só Ela deu o maior golpe na humanidade: deletou o Livro sagrado. Meu coração sentiu com os fieis uma agonia de morte que não morre, era uma dor insuperável. Desmaie ante aquela visão.


A voz me acordou e disse: “desperta! Ainda não acabou”, vi que o Ressuscitado reunira de dentre todos os recantos da Terra, homens de todas as tribos e línguas que guardaram no seu coração a Palavra do altíssimo. Eram todos virgens, pois não tinham se contaminado com a aquela mulher, e foi lhe dado a incumbência e o poder de entrarem nela sem se cadastrarem fazendo um código com ela, na qual nada se vendia e nem se comprava sem ter uma conta de acesso a seus serviços.


Senti naquele momento uma pontada muito dolorosa no coração, pois tinha aqueles remanescentes à missão delicada de reescrever todo conteúdo e essência do livro de Deus em outra linguagem não religiosa, pois a Rede não aceitava que se adorasse outro ídolo além dela, por isso seus programadores rastreavam e eliminava tudo o que se chamava Deus. Tudo da religião foi completamente abolida por ela, e assim criou se um sistema em que todos os homens pudessem falar por intermédio dela uma só língua, e uma só crença sem as divisões que a religião fazia.


Ao acordar da embriaguez de suas conquistas, ficou furiosa, pois descobriu que era impossível eliminar a Palavra, pois ela estava escrita como diamante no coração dos escolhidos. Deu-se naquele tempo uma grande perseguição aos fies da terra. Rapidamente os emissários escolhidos para escreverem sobre a essência do grande Livro, reunirão em discos o que aviam feitos e fugiram, ela os perseguiu no deserto, mas se não fosse o próprio Deus a impedir com tempestades o alcance dos olhos que ela tinha na órbita da atmosfera, os escolhidos não tinha escondido os discos em caverna dentro da terra.


Ouve se um grande estrondo no céu, o cálice da ira do Altíssimo tinha se enchido. Deus fez surgir das profundezas da terra um vírus que como ulcerações haveriam de paralisar a besta. Vi também que dos céus desciam anjos a qual navegavam sobre a Nuvem derramando do cálice da ira os germes que contaminavam a Rede, tinha aparência de homens, mas agiam como ratos, que entravam em todos os recantos do sistema e corroíam o que encontravam pela frente. Ouve se um desespero entre os homens, pois toda a sua vida estava entranhada naquela mulher, adoeceram com ela, sentiram a dor mortal de sua chaga.


A fera estava domada, ouve se um silêncio muito prolongado no céu. Por cerca de mil anos ela não mais foi acordada. Eram novos tempos, tudo voltara ao primitivo estado das coisas, sem a poluição e alimentos artificiais, os homens que morriam com menos de cem anos eram tidos como amaldiçoados. Os homens viviam num estado feliz de consciência adâmica, ate que foram achados os discos sagrados. A besta foi acorda, pois acharam necessário ler a escritura das paginas.


Ao ver aquilo, senti o desespero do pessimismo de coisas que não mudam, pois tudo começou novamente, como a remota profecia de milênios passados, de um eterno retorno, de um legendário mago da humanidade. Fez se reuniões para descobrir quais interpretações eram verdadeiras. Brigas e facções surgirão entre os homens. Concílios foram estabelecidos para canonizar as paginam consideradas mais ortodoxas.


Aos pouco a besta foi saindo do seu estado de sonolência e tomando o autocontrole, neste ponto eu não agüentei mais ver aquela visão e gritei: “isso não tem fim...”, “Não!!! Respondeu a voz, enquanto os homens não aprenderem que a Palavra de Deus como verdade penetrante é eterna e não se encerra na inflexibilidade da Letra das gravuras de pedras, pergaminhos antigos, folhas impressas e paginas imateriais, nem no modo de pensar e sentir de uma geração de homens de outra era, com as suas linguagens e culturas singulares. Mas sim escritas indelevelmente com letras ilegíveis nas tabuas do coração do homem, o Altíssimo não porá um fim a esta historia.”

Gresder Sil

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

A releitura do Novo Testamento



Sim! Leio, e releio. E mais ainda! Faço uma releitura; lendo todos os dias, só que agora não mais debruçado sobre o registro sagrado desta historia inacabada. Uma vez que de tanto ler o Livro, os pensamentos e vida dos protagonistas saltam do texto, ganhando vida não só na minha mente e memória, mas se assentando de forma impertinente no mais profundo do meu inconsciente; não me deixando livre para outra coisa a não ser para me remeter a ler e reler novamente onde ele ainda estiver sendo escrito.

Não! Não leio o livro como verdade fossilizada e irretocável, mas leio hoje em dia o evangelho na crise pessoal da fé de todos os meus amigos e irmãos em Cristo. Tendo por certo que escrituras nada mais são do que um registro fidedigno da fé e pensamentos de homem que pelejarão por Deus no mundo e que intimamente lutarão com Deus no coração, em todos os milhares de Testamentos os quantos podem existir.

Sim! Todo o drama e conflitos que os homens de Deus viveram no passado não me deixam em paz por um só momento. E principalmente por ver que a experiência demasiadamente humana deles, se repete em nos, não aceito jamais que a suas histórias sejam consideradas mais sagradas e santas do que a minha e a daqueles que comigo se debatem interiormente para guardar a fé a despeito de nossa incredulidade. E nem por isso deixo de considerar e respeitar profundamente o Livro, visto que não faço uso arbitrário dos seus textos para impor meus pontos de vista.

Não! Os apóstolos não têm a palavra categórica sobre todas as possibilidades de experiências cristas vivenciadas em todos os povos e mentalidades desta terra. Milhares de Paulos Tiagos e Pedros escrevem hoje cartas as igrejas dispersas pelo mundo, com forme as necessidades circunstanciais assim como foram escritas pelos discípulos as primeiras meditações sobre a obrigatoriedade da práxis da fé em cada experiência de vida das pessoas daquela época. A essa altura do campeonato não da para deixar de crer, pois creio sim! Com todas as forças da minha alma na Palavra que transcende e não esta presa ao documento, que é apenas seu veículo de comunicação.

Sim! Não creio num cânon fechado, porque em Cristo a minha vida e pensamento apesar das contradições e mazelas não é mais comum como dantes, mas tão inspiradas como a dos heróis da fé, nos dois primeiros Testamentos da história ainda incompleta da redenção do ser humano. Uma vez que o único que tinha autoridade para “canonizar” ou afirmar como infalível ou consumado qualquer ação registrada e pensamentos escritos, disse que obras maiores do que as Dele seriam feitas no futuro.

Não! Não aceito que se resumam a complexidade do homem pecador responsável, mas incapaz, diante de um Deus inexoravelmente Santo e incorrigivelmente perdoador, no discurso diplomático do evangelho simples. Pois resumir toda a tensão de nossos dilemas cruciais da vivencia da fé, a uma mentalidade simplória que não seja a simplicidade do coração, é sim uma fuga das implicações extenuantes que causam o choque da relação do homem finito e sujeito ao corpo e ao tempo com um Deus eterno e
senhor do tempo e da matéria.

Sim! É isso que se quer: sintetizar o evangelho de forma simples e intocável, para não se fazer mais reavaliações da nossa conduta que foge do confronto e da necessidade de desconstrução da ignorância tola a qual batizamos de: simplicidade do evangelho. Isso porque uma vez que o evangelho sendo simples e fácil de entender, já não se precisa pensar mais nele e nem por ele se perturbar, mas usar todas as nossas capacidades de entendimento nas formas de se alcançar ou consolidar o status social-religioso que obtivemos na pregação do: “Deus amou o mundo de tal maneira”.

Não!Não e não e não! Esse culto ao evangelho humilde e idolatria bibriocentrica não tem sido capaz de diminuir a angustia ou resolver o problema de milhares de cristãos sinceros que amam a Deus em seus corações, mas o desonram em seus corpos; mas apenas satisfaz a consciência daqueles que lavam as mãos por terem ensinado a “verdade”. Não! não quero essa verdade e simplicidade que não seja aplicável na minha existência, a qual não vejo no olhar do meu irmão, e que não existe, a não ser na doutrina “ortodoxa”; antes, melhor uma “heresia” viva que incendeiam o coração daqueles se equivocam e apenas conjecturam sobre Deus.

Sim! Não preciso mais ler literalmente o Livro, porque o releio todos os dias em mim mesmo e no depoimento franco daqueles que reescrevem na dor e escravidão de sua enfermidade da carne e na crise de suas consciências perante Deus: um novo Testamento; não em oposição ao Outro, mas como continuação militante de um multiforme evangelho, conforme as muitas formas e capacidade de entendimentos e possibilidades de força de atuação da vontade humana. Não! O Livro ainda não foi concluído, as palavras não foram todas ditas, mas estão sendo escritas a todo o momento por todos aqueles que mesmo que de forma trágica, são personagem desta historia.

Gresder Sil

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