
Ao olhar para a multidão, Ele sentiu compaixão por eles todos, pois eram como ovelhas sem pastores. Aquele era o seu povo, mas antes de tudo eram gente que sente e sofre, gente que sem esperança andavam desgarradas pelo mundo, pois na religião oficial de seu país eles não encontraram lugar.
Como podia Ele, um nobre entre os homens, direcionar seus olhos para outro lugar mais alto, se andando no chão desta existência, Ele esbarrava e tropeçava em todo tipo de pobre, e em todo tipo de mutilado pela vida. Profundamente comovido, Ele acreditou ser Ele o escolhido para poder dar sentido e esperança aos pobres e pequeninos deste mundo, a começar pelos seus.
Intimamente massacrados pela mentalidade da religião, aquela gente acreditava estar naquelas circunstâncias por causas de seus pecados, pois para eles toda a miséria e moléstias de um homem eram porque ele mesmo ou seus pais tinha pecado.
O que fazer agora! Dar aquele povo uma explicação filosófica sobre a realidade de que um ser jogado aleatoriamente na vida, pressionado pelas suas necessidades, consumidos pelas suas ânsias de ser feliz, não tinha culpa nem uma do seu estado miserável de existência?
Não! Aquele povo não precisava de uma iluminação metafísica das origens e motivos das coisas, que em nada os fariam melhorarem. Eles necessitavam é de se sentirem amados, de se sentirem perdoados, pois a dose de culpa que injetaram na consciência daquelas pessoas, perpassava todo o seu corpo, e contaminavam, e obstruíam todas as suas veias e canais por onde passavam as entradas e saídas da Vida.
Portanto Ele podia perdoar pecados, porque não existiam pecados, o que existiam eram apenas homens descalços na estrada poeirenta da vida. Ele podia perdoar, porque Ele sabia que perdoar era o sinônimo do amor que eles tanto precisavam para poder voltar a viver com dignidade. Visto estar à redenção de um homem para uma nova vida na quantidade de valorização que ele recebe: “a quem mais foi perdoado, tanto mais amou”.
Se os primeiros homens de sua raça imaginaram pecados como culpa e responsabilidade aonde não existiam em seres encurralados pelas demandas poderosas da vida. Ele do mesmo modo concebeu um perdão que também não era necessário em uma suposta dimensão espiritual, mas que era indispensável aos sentidos humanos como um símbolo do Amor emocional e psicologicamente redentivo.
Gresder Sil (Esdras Gregório)
Baseado na tese de que o velho testamento é construção e interpretação teológica de como os judeus perceberam e conceberam a atuação de Deus sobre o mundo. E na tese de que Jesus sendo apenas o Servo escolhido e Profeta prometido, muitas vezes teve que se esvaziar de seu entendimento mental sobre o mundo para falar em parábolas hipérboles e símbolos ao coração daquela gente.
Escrito em 29/05/10





