quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Hermenêutica subjetiva



Nenhuma crença que não foi gerada de uma crise dolorosa e profunda do ser, assim como a criança que rasga a carne de sua mãe ao nascer, não pode ser uma fé sincera do coração. Pois só o que vem de dentro de nos, das entranhas de nossa alma, pode ser tido como genuinamente nosso. O que importa se existem lá fora, verdades absolutas e objetivas, se eu não as vejo em mim mesmo e nem me transformam ou produzem paz para meu ser.

Pois a verdadeira “verdade” nasce da subjetividade dos embates e dilemas que a alma enfrenta consigo mesma. Pois apesar de existir muitas verdades neste mundo, só aquela que afeta profundamente o meu ser, se torna verdade no sentido de conquistar as exigências do meu coração e a paz tão desejada para minha alma.

Toda interpretação doutrinaria deve ser individual, pois só assim, apesar dos equívocos e diferenças, a fé será fé sincera das coisas que realmente o coração crê. É fácil analisar tudo do nicho sagrado, do lugar seguro das doutrinas objetivas e ortodoxas (sem a subjetividade das nossas verdadeiras opiniões do coração).

Ao contrario disso, a fé será objetiva em um pacote pronto de verdades eternas que não produzem no coração paixão e disponibilidade de sacrifício da própria vida. Aja visto que os mártires sempre foram os “hereges” que não seguiam os dogmas (verdades absolutas para os “normais”).

Mas o que realmente interessa não é o credo correto de um homem, mas as suas inquietantes irresoluções e sugestões do seu coração. Só uma fé gerada assim, através da dor que dilacera o corpo e verte o sangue da alma, será absolutamente sincera como o amor de uma mãe que se apega ao ser que com dor indescritível, nasceu de dentro dela.

Gresder Sil

20 comentários:

Levi Bronzeado disse...

Caro Gresder

Mais outro instigante e provocador artigo. Você está demais! (rsrsrsrs)

Falaste da fé subjetiva (da subjetividade do ser, que deve ser respeitada em sua individualidade e particularidade). Concordo contigo, que a experiência de cada ser é única para com o Deus ao qual ele se dirige. É única, como a impressão digital que não se repete no outro.

Fé subjetiva seria, por exemplo, crer sem precisar ver. Ela não viria de algo objetivo (pacote pronto).

“Bem aventurados os que não viram e creram”. Por estas palavras de Cristo, se subtende aqui que, infeliz é aquele que precisa ver para crer.

Agora eu pergunto:

Você, meu caro Gresder, para fundamentar a sua fé em Cristo, necessita de uma gravidez virginal e um túmulo vazio?

Após a sua resposta, tentarei, subjetivamente me explicar.


Um grande abraço,

Levi B. Santos

Gresder Sil disse...

.
Levi, como diz o Perdiduardo “não discuto fé. Teologia sim, fé, não. Fé é fé e pronto.” não há como provar o nascimento virginal ou a ressurreição, mas também não há como negar, então nos resta a Fé.

Por mais que tais eventos me pareçam míticos, são absolutamente possíveis “nada é impossível para Deus” por isso eu creio não necessariamente no evento, mas no Deus que pode causar ou causou o evento.

Estou tão certo da singularidade deste Ser que é Jesus que a sua divindade (será que Deus se auto classifica como Deus, ou como um ser divino?) não precisa de um nascimento virginal para ser provada, mas se assim nos foi revelada não me é difícil aceitar.

Mas no fundo tanto faz, a sua existência é tão poderosa que se ele ressuscitou em carne isso é apenas adendos a qual a minha fé Nele, não depende em absoluto. Pois é Nele acima de tudo que eu acredito.

Levi, não sei se isso é o suficiente e me desculpe a minha ambigüidade, “mas o coração tem razoes que a razão desconhece”

Eduardo Medeiros disse...

Ei, bicho, como assim "perdiduardo"??? Estou começando a ficar raivoso tal qual um fundamentalista diante de um livro de Bultmann com essas suas adjetivações endereçadas à minha pessoa...kakakakaka

Mas não é? como podemos discutir fé? Se o cara crer que passar um lenço no suor do Valdomiro e depois esfregá-lo no seu próprio corpo vai lhe trazer algum benefício, quem sou eu para dizer que ele está errado?

O povo também não levavam lencinhos e aventais de Paulo e ficavam curadas? (At 19.12).

Eu mesmo, sofri de um dor de cabeça crônica por mais de 20 anos. Tomei todos os remédios que você possa imaginar. Fui a "trozentos" médicos. Eles diziam que eu tinha uma disfunção nos mecanismos da dor no cérebro e que eu ia ter que conviver com aquilo.

Muitas irmãs de oração oraram por mim, mas nenhuma oração de poder foi capaz de debelar a maldita dor.

Já tinha me conformado em conviver com ela pelo resto da vida. Por essa época conheci a minha esposa, e ela me dizia que eu não poderia desistir.

Um dia dando uma arrumada na minha pequena biblioteca, encontrei o livro "A quarta dimensão" largada num canto. Eu já tinha lido o livro a alguns anos.

Li de novo. E essa leitura mexeu alguma coisa aqui dentro. Então, por insistência da minha então namorada, resolvi ir pela última vez a um novo médico. Ele me passou um remédio que eu nunca tinha tomado. Mas pensei: "ah, mais um remédio que não vai funcionar.."

Só que a abençoada da minha então namorada, me disse que eu tinha que ter FÉ!

Então, procurei não pensar. Eu tinha toda a razão em achar que o remédio não ia fazer efeito, pois eu já tinha tomando muitos outros. Pois é. A fé dispensa solenemente complicados argumentos teológicos. Apenas peguei o frasco do remédio e orei com fé: "Deus, que esse remédio faça o efeito para o qual ele foi criado".

Só disse isso. A fé não precisa de muitas palavras.

Uma semana depois, depois de 20 anos sentindo dor de cabeça TODOS OS DIAS, comecei a perceber que a dor estava indo embora...

Quase não acreditei, vejam só que paradoxo rsss
É que eu não sabia mais como era não ter dor de cabeça.

Isso já faz 5 anos e nunca mais tive a tal dor. Desculpe por este testemunho, mas é só para dizer que fé é fé. E no fundo, somente ela importa.

Novamente, acho que vou ter que voltar ao assunto. rss

Abraços calorosos

Levi Bronzeado disse...

Prezado Gresder

“O que importa se existem lá fora, verdades absolutas e objetivas, se eu não as vejo em mim mesmo e nem me transformam ou produzem paz para meu ser.” ─ escreveu você mui apropriadamente.

Esse trecho do teu belo ensaio trouxe à tona um acontecimento, que eu sempre faço questão de ressaltar em meus debates sobre fé, com os meus camaradas Paraibanos.

Estava após um almoço em uma churrascaria, dialogando com alguns dirigentes evangélicos de minha cidade, sobre fatos da vida de Cristo, quando em dado momento, e de forma bem espontânea, a esposa de um dos debatedores, naquela ocasião, assim se expressou:

─ Vocês tão empolgados aí, falando de coisas de dois mil anos atrás, já pensou se nada disso tivesse existido, e fosse tudo mentira! Ninguém seria crente, hein ─, concluiu a esposa de um ministro evangélico.

E não é que ficamos todos a olhar um para cara do outro, sem ter o que responder. E esses segundos ou minutos que ficamos perplexamente calados, pareceu-nos uma eternidade.

Não sei o que me invadiu, para com ímpeto incomum, responder veementemente dessa maneira:

─ Olha irmã, vou lhe dizer uma coisa. Para sentir a presença de Deus e crer que Ele foi humano através de Seu Filho, eu não preciso da Gravidez virginal de Maria. Tem mais, eu continuaria acreditando Nele, mesmo que o seu túmulo não estivesse vazio, ao ter sido removida a pedra!

Ela arregalou os olhos para mim.
Nos olhos dos dirigentes de igrejas que estavam ali reunidos eu pude ler, que eles concordaram comigo.

Um ainda disse para mim: “Foi o Espírito Santo que te usou para dares essa resposta!”

Apesar de você dizer, Gresder, que fé não se discute, eu acho que a “fé” daquela mulher estava fundamentada em algo palpável (tipo pacote pronto).

Como é boa a blogosfera, hein, que permite esse tipo de diálogo, impossível em determinados templos!

Acho que vou voltar ainda. (rsrsrsrs)


Levi B. Santos

Gresder Sil disse...

.
Que negocio é esse! Vocês acham que aqui virou boteco para velhos como você e o Ardendoardo ficarem contando historias do passado...

Quando eu assisti a aquele filme: “O corpo” onde eram encontrados os ossos de Jesus, eu fiquei pensando que se a ciência e a arqueologia “provassem” que ossos encontrados na palestina fossem de Jesus, eu jamais iria deixar de crer, pois ele sempre foi tão REAL que nada poderia tirar essa certeza de mim

Hoje eu não preciso de Provas para desacreditar nesses eventos, e sei que provas tanto dum lado quanto do outros nunca existirão cabalmente, portanto eu posso ate a duvidar dessas coisas em alguns instantes, mas a REALIDADE dele é tão forte que eu estou marcado e vencido por sua historia até o fim de minha vida

Pra mim o que realmente é importante é a crucificação, nessa o meu coração não duvida um segundo sequer, pois se ele era Deus ou divino, ele estava lá estendido por nosso favor. Diante da cruz eu me rendo absolutamente prostrado ante aquele que nem Historicamente precisava estar lá, pois como cordeiro de Deus, já tinha sido morto desde a fundação dos séculos. Aleluia!!!

Levi Bronzeado disse...

Meu caro amigo Gresder


O seu último comentário coincidiu com o que eu fiz ultimamente.
Eu só vi entre nós, afinidades e não divegências de pensamentos.

Observe:


"Para sentir a presença de Deus e crer que Ele foi humano através de Seu Filho, eu não preciso da Gravidez virginal de Maria. Tem mais, eu continuaria acreditando Nele, mesmo que o seu túmulo não estivesse vazio, ao ter sido removida a pedra!"
(Levi)


Quando eu assisti a aquele filme: “O corpo” onde eram encontrados os ossos de Jesus, eu fiquei pensando que se a ciência e a arqueologia “provassem” que ossos encontrados na palestina fossem de Jesus, eu jamais iria deixar de crer, pois ele sempre foi tão REAL que nada poderia tirar essa certeza de mim
(Gresder)


P.S.: Mesmo que a história disesse que o corpo de Jesus tinha sido roubado, eu jamais iria deixar de crer, pois Ele é tão Real para mim, que nada de corpo roubado, ou túmulo não vazio, poderia tirar essa certeza de mim.

(Faço minhas essas suas palavras, - análogas as que escrevi)



Um abraço fraternal


Levi B. Santos

Eduardo Medeiros disse...

Olha, é por aí mesmo. O único problema entre um fundamentalista-mesmo, e eu, por exemplo, é que ele crê literalmente no nascimento virginal; de que Deus virou homem; de que Deus que ficou no céu, mesmo estando na terra em forma de homem, exigia um sacrifício pelo pecado Dele-mesmo-Homem; que quando Deus-homem morreu na cruz, aquilo ali era um sacrifício para o Deus-Deus no céu, etc. etc.

E eles crêem nisso, literalmente, sem nenhuma possibilidade de questionamento, já que os tais têm um grande pavor de questionar o que crêem e de repente se verem diante de surpresas nada agradáveis para o seu seguro de vida espiritual.

E não estou dizendo que eles deveriam questionar o que crêem, estou falando em tese. Esta crença na literalidade do evento Jesus, produz uma tipo de vida espiritual. A vida que emerge desse poderoso Deus-homem nazareno.

E eu não creio (e aqui não estou falando mal de quem crê)na literalidade de tais eventos, mas, acredito que Jesus foi tão espetacularmente singular, que o mistificaram. Que fique claro que não estou dizendo que ele não entregou sua vida na cruz pelo seu projeto de redenção.

Não poderia ser diferente. Todo homem/mulher que de alguma forma abalou as extruturas sociais, políticas ou religiosas do seu tempo foram mistificados. Tais seres iluminados foram tão "mais" do que a média, que falar deles somente o real, não diz tudo deles, daí, precisa-se da mistificação. Isso pode ser bom ou péssimo.

No caso de Jesus, acredito que foi bom, pois criou-se o Homem-Deus ou o Deus-Homem, como preferirem, e creio mesmo que tal designação é bem adequada a Jesus(apesar de eu preferir Jesus-divino e não Jesus-Deus). E o que essa crença provoca, é essa fé que vem das entranhas do ser (como você disse) e que faz toda a diferença.

Mas...

E aí, o que os fundamentalistas-mesmo não entendem, é que essa mesma fé avassaladora, que rasga teu íntimo e te lança no abismo das impossibilidades que eles têm, também eu a tenho. Somente o processo de chegar até ela é diferente. Mas o importante mesmo é a fé, não o caminho para se chegar a ela.

Jesus é Deus - amém, eles assim crêem e possuem essa fé que vem lá de dentro; Jesus não é Deus - amém, isso não me impede de transbordar essencialmente, a mesmíssima fé.

Mas é claro que eles não nos dão o direito de ter a mesma fé que eles. Não me refiro à fé em um dogma, mas fé na vida, fé no símbolo poderoso de Jesus-Deus-Messias, que quando crido, literalmente ou como símbolo, produz essa fé que irrompe e que dá vida. Vida em abundância.

Esse aí eu vou deixar na sala do pensamento, ok Greser?

Será que vou ter que voltar de novo?

Abraços

Presb. Jair dos Santos disse...

Recebi um comentario á respeito do seu Blog, resolvi conhecer e agora sou seguidor, pois achei simplesmente fantastico; Postagens, provocativas e polêmicas, que levam o leitor a meditar e refletir acerca da fé. Meus Parabens.

Gresder Sil disse...

.
Eduardo Eduardo seu filho de Boff, este foi o texto mais lindo que já li de você, escreveste na completa liberdade de saber que até quem não aceitar isso, inconscientemente terá que confessar que a tua fé não é nas coisas que o envolvem, mas Nele, somente Nele.

Venho sentindo todas essas coisas que com beleza e sinceridade do teu coração livre do medo de todo tipo de condenação, a dos homens ou a do não Ser, conseguiste expressar com a naturalidade da sua fé desmistificada.

Levi Bronzeado disse...

Prezado Eduardo


Parabens pelo teu inspirado e irretocável "comentário-ensaio".

"Caminhos Diferentes Para a Mesma Fé"


Um Lembrete:

Que os blogueiros possam examinar bem os caminhos e escolher o melhor (ops), o da fé naquele Deus que se esvaziou para ser em tudo igual à nós, mas sem pré-conceito (pecado). Rsrsrsrs


Um abraço fraterno

Levi B. Santos

Isaias Medeiros disse...

Eduardo, você é um dos liberais mais preconceituosos que eu conheço, meu amigo (só perdendo para o Levi, the best). O fundamentalista não é um tapado que não aceita ser questionado, muito menos por medo de ter a sua fé "desmoronada". Prova disso é a quantidade de linhas que já escrevi argumentando com você e outros irmãos mais "saidinhos", digamos assim, em meu blog. O que eu afirmo é que há lógicas acima da nossa, e que não podemos (aí sim) sermos estúpidos ao ponto de não admitirmos isso. Amo (posso usar estes termos "caretas" aqui?) aos prezados tanto quanto àqueles que concordam comigo na maioria das vezes. E este fundamentalista aqui nunca os pôs para fora do seu blog, tratamento muito diferente do dispensado aos ortodoxos por parte de determinados editores de drogs "apologéticos". Cuidado senão vou começar a te chamar de extremista-liberal! Abraços e saudações fraternas.

Em Cristo.

Eduardo Medeiros disse...

ô primo, não entendi essa tua "vestida de carapuça" rssss

Quando eu escrevi o comentário não estava pensando em você, nem escrevendo para você. Quando eu questiono o pensamento de alguém, eu tenho por hábito nomear o dito cujo.

Agora, dizer que "você é um dos liberais mais preconceituosos que eu conheço, meu amigo.." realmente eu não entendi em que eu sou preconceituoso, já que preconceito é uma das atitudes que mais eu me policio para não praticar. Mas enfim...

Primo, você não é capaz de aceitar que a tua fé, seja igualzinha à minha? Chegamos a ela por caminhos diferentes, mas chegamos. Eu tenho certeza que você chegou.

Abraços calorosos

Isaias Medeiros disse...

Negativo, Eduardo, não vesti carapuça alguma. Acontece que a expressão "fundamentalista" possui no Ocidente uma conotação extremamente negativa devido ao fundamentalismo islâmico. Então, as pessoas utilizam o termo sempre de maneira preconceituosa, associando mentalmente os fundamentalistas cristãos aos terroristas islâmicos. Dessa forma, "não ajuda muito" você se referir aos fundamentalistas de forma pejorativa (embora seja seu direito), pois só reforça o malfadado preconceito.

Não questiono a sua fé, só estou colocando os pingos nos "is". Abraço, primo!

Paro por aqui para deixar este espaço para comentários do texto, e não pessoais. Abraço, Gresder.

Antonio Reis Soares disse...

Existe um ramo da filosofia que se chama lógica, e esta área assevera que quando os nossos pressuposto estão errados não há possibilidades de chegarmos a conclusões verdadeiras, e o curioso de toda esta questão é que as conclusões das áreas liberais tem partido de premissas que a Biblia não é a palavra de Deus, ela simplesmente se torna a palavra de Deus apartir do momento que o ser humano a compreende e desta forma a aceita a coisa foi tão longe que um dos pais desta “novidade” ao tentar encontrar o Jesus histórico a única conclusão que ele chegou foi que Jesus Cristo não pode ser descoberto historicamente e o único legado que possuímos atualmente dEle é seu paradigma ou mensagem, o difícil de tudo isto não é ouvir Bultmann nos dizer tudo isto, mas imaginar que ainda na atualidade existe muitas pessoas que ainda crêem nisto, mas ai pode surgir um questionamento, eu não posso ser cristão e ao mesmo tempo liberal? Se olharmos para os resultados que o liberalismo teológico deixou não somente na Europa como também no E.U.A, a resposta seria que somente um tolo optaria por crer que o liberalismo nos aproxima mais de Deus que a Ortodoxia, não existe liberais praticante, visto que, o cristão liberal não crê que a Biblia é a autentica palavra de Deus, sendo assim ele não precisa viver uma vida diferenciada com relação a outras pessoas que são indiferentes a Biblia, vejamos um dos mais famosos representantes desta escola Paul Tillich ao migrar da Alemanha para os E.U.A. ficou conhecido não somente por ser um grande intelectual mas também um grande promiscuo, esses na realidades são os pais de uma teologia que na verdade não passa de uma vã filosofia visto não exigir compromisso com a Biblia pois a mesma é fruto do intelecto humano, segundo suas concepções.
Pode surgir um outro ponto, então não posso questionar? Quando olhamos para os Bereanos em atos 17:11 podemos observar que o questionamento não é o problema, visto que, ao ter tal postura podemos observar que aos mesmos possuíam embassamento para ter tal posição, o ponto é se conhecemos o suficiente para analisarmos todas as premissas que encontram se em nossa frente, para assim chegarmos a conclusões verdadeiras, lamentavelmente muitas das conclusões que se encontra no artigo Hermeneutica Subjetiva carecem não somente de embasamento bíblico como teórico, o que na realidade levaria seu autor a dedicar se ao estudo teológico e filosófico de forma mais sistemática, pois não são meia dúzias de livros lidos de teologia e filosofia que farão de qualquer individuo um filosofo ou teólogo, pois até os teólogos liberais possuíam formação dentro destas área, possuíam conceitos, é muito mais simples dedicarmo-nos a ciência da achologia que estudarmos com afinco areas que venham a nos capacitar para sermos levados a serio.

Joel Vian disse...

Esdras, vamos por parte.

Primeiro, a Biblia nos informa que as profecias(Palavra de Deus) não são de interpetação particular(individual como Voce colocou) mas que, homens inspirados, falaram pelo Espirito Santo. Deus não deixou uma norma para cada pessoa individualmente mas sim universalmente exatamente para não privilegiar ninguem. agora, cabe a cada um de nós entrarmos nas normas de Deus
Segundo. O próprio Deus deixou escrito que Ele Se lembra que Somos pó e que conhece a nossa estrutura e mais, que o Seu poder se aperfeiçoa nas nossas fraquesas, Somos vasos de barro para que a glória seja unicamente de Deus.
Terceiro, os dilemas que enfrentamos(almas) muitas vezes, são dilemas que nós mesmos buscamos, engodamos, semeamos na nossa carne( Galatas 6;6 e 7_, Tiago 1;14-18 e depois queremos nos justificar, buscando fundamento em teólogos desviados da Biblia, filósofos que sempre combatem contra a Biblia, etc ao invez de nos humilharmos aos pés do Senhor e alcançar vitória sobre a carne pois, enquanto nos justificamos, moastramos que não nos submetemos a Deus e Sua justiça e sntidade.
Quarto, A Fé não dilacera o corpo, ao contrario, ela produz descanso para as nossas almas agora, pela Fé e, voluntariamente numa demostração de amor a Deus, posso sim expor o meu corpo ao sofrimento assim como Cristo que, POR AMOR, sofreu por nós;
Mais uma vez Vou Te dizer e é por causa do amor cristão que Me uni a Ti
Enquanto Voce ficar afrontando a Palavra de Deus com as Suas teorias tentando Se justificar, arranjar álibis para Suas fraquesas, Voce não terá vitória, pare portanto com estas argumentações, próprias de pessoas que para encurtarem as distancias, tiram as curvas do caminho, ainda que construam caminhos com viadutos sem estrutura sobre precipicios.
Não pense que estas palavras são para Te destruir, desanimar ou qualquer outra coisa, são palavras de um amigo e irmão em Cristo que Te ama de verdade e quer a Sua salvação(PELA GRAÇA). - os verdadeiros amigos falam a verdade, ainda que as mesmas doam.
Abraços em Cristo Jesus - Joel Vian

A arte de ter razão disse...

"Hermenêutica subjetiva"

Legal! O título da postagem é um resumo perfeito de tudo o que você disse. Isso que é inspiração. Parabéns.

Gresder Sil disse...

.
Bom... Antonio Reis, como de certa forma é a mim que você se dirige e não deixou este assunto para nos conversarmos no “recreio” do culto a noite, então vamos lá.

Você é o único desta lista que melhor pode definir a diferença entre teologia liberal e ortodoxa e, e caso você não tenha lido todos os meus textos a “minha” visão esta no âmbito da teologia neo-ortodoxa que é um meio termo entre estas duas. O que se passa? Qual é a tua? Por que deixar causar a impressão de coisas que eu não creio? É incrível como de varias passagens de Barth sobre a bíblia vocês só citam essa ai, é lógico! É muito para a cabecinha de um teólogo fundamentalista entender um teólogo dialítico que afirma é nega a mesma coisa ao mesmo tempo, tirando toda base e segurança do homem para que ele esteja completamente nu diante de Deus e sua graça. Para mim o que eu aproveito dele é que a Palavra esta na Bíblia, mas não é a bíblia (o livro).

Meia dúzia de vezes eu li foi à bíblia, se só isso contasse, eu estaria na frente dos pastores, que nem isso leu. Agora só de filosofia foi dez vezes meia dúzia, mas dez vezes meia dúzia de teologia e por ai vai. Por fatalidade do “destino” não deu para eu estudar a interpretação parcial dos professores, então, antes eu enxergar errado direto da fonte, do que enxergar errado a visão equivocada de quem aprendeu errada a visão de um interprete parcial de um determinado filosofo/teólogo que quase só ele conseguiu entender o que disse errado rsrsrs. Eu particularmente não gosto tanto assim de filosofia, é muita confusão pro meu gosto rsrsrs

Bom... Pra não perder a escrita eu vou respondendo as outras questões nos próximos textos, se já não estão respondidas.

Levi Bronzeado disse...

“Enquanto Voce ficar afrontando a Palavra de Deus com as Suas teorias tentando Se justificar, arranjar álibis para Suas fraquesas, Voce não terá vitória, pare portanto com estas argumentações, próprias de pessoas que para encurtarem as distancias, tiram as curvas do caminho, ainda que construam caminhos com viadutos sem estrutura sobre precipicios.”

Gostaria que os blogueiros refletissem sobre
o trecho acima, tirado de um comentário feito anteriormente.

Como um fundamentalista argumenta quando se vê contrariado em seus conceitos pré-formados (pré-conceitos).

1. Primeiro ele argumenta, argumenta, cita versículos e mais versículos que embasam a sua teoria, para depois concluir que aquele que não pensa como ele, está “afrontando a Palavra de Deus”

2. Segundo: Ele começa a lhe acusar que você está arranjando desculpas esfarrapadas ao mostrar um Deus mais humano ( que ele não entende)

3. Depois semeia o que? Semeia o ESPÍRITO DE MEDO no coração dos seus supostos amigos ( se é que semeia), dizendo terás DERROTA e não VITÓRIA, se continuares assim!

4. Quase sempre está acusando os filósofos, sem saber que Jesus foi o maior Filósofo e o maior contador de história de todos os tempos.

5. As inúmeros dramas (hoje seriam peças teatrais) sob forma de parábolas que Jesus fez, não tem quase ou nenhum valor, para eles.

6. Para ele o que interessa é só a crucificação e a ressurreição de Cristo. Parece-me que, Jesus, para ele, poderia ter sido crucificado aos 15 anos de idade, contanto que tivesse ressuscitado ao terceiro dia, junto com a prova do túmulo vazio, estaria então tudo resolvido. Não derramou seu sangue para redenção?

7. Quando começamos a dialogar sobre a trajetória humana de Jesus, e seus inúmeros ensinamentos e confrontos com os legalistas de Seu tempo, os “legalistas da marcha para Jesus Cristo” saem pela tangente.
Aflições, angústia, choro, fome, dormindo ao relento, amigos de pecadores, tomando sua cachacinha com os pecadores, defensor de prostitutas, não tinha o mínimo de preconceito porque os seus próprios discípulos não oravam, aprovou a invasão dos Seus discípulos a um roçado de milho para depená-lo num dia sagrado (o sábado), a fim de saciarem a sua fome, como, às vezes, fazem os nossos sem terra; a única pessoa que Ele chamou de amigo foi o seu próprio traidor ─ nada disso tocam os seus corações.
Vou parar por aqui, para não provocar muita dor de cabeça, naqueles que não consideram que o principal para nós foi o que Cristo nos mostrou e viveu nos seus três anos de ministério.

8. O que eles adoram dizer: Sucesso, vitória, descanso, alegria, êxtases e coisas parecidas, sem saber que nada disso traz crescimento espiritual. Aflições, foi o que Cristo prometeu. Sem elas, o que se pode aprender da vida?

Que grande incongruência dizer que a “fé não dilacera o corpo, pois a fé provoca descanso”. É muito bom dizer isso, descansando em uma rede depois do carnaval fora de época que foi a marcha vitoriosa pra Gezuz, como a de S. Paulo! Aquilo é que uma obra de fé, hein! Reunir 100 mil pessoas gritando o slogan “Jesus morreu na cruz para te salvar”, e depois dizer em casa pra mulher:
"Ví a glória de Deus na avenida (marchódromo). ÔÔÔ Glóriaaaaaa!!! Que glória coisa nenhuma, meu irmão!!!"

Meus irmãos tenhamos juízo! Chega de cultos sem sentido, de festas, rega-bofes, congressos e comemorações ritualescas.

Chega de querer semear o medo em quem está se esforçando para estudar o Livro sagrado, e livrá-lo das impurezas e deturpações que foram plantadas ao longo de séculos, tramadas nos bastidores dos concílios e convenções político-religiosas, tipo essas que acontecem na CGADB, e outras siglas glossolalistas pentencostais.

Gresder Sil disse...

.
Joel se de tanto você orar para mim eu ter lutado por mim mesmo e mesmo assim Deus não me livrou do “pecado” e da “blasfêmia” é porque o dia em que eu me sentir santo eu iria ter a arrogância (eis um paradoxo patético desta doutrina de “santidade”) de devassar não as doutrinas, mas diretamente os sistemas, e iria fazer poesia do trafico de influencia no meio religioso, iria escrever (ou você acha que eu não sei o que se passa?) de tal forma a ofender e querer produzir divisão, mas Deus ama os pequeninos que não precisão entender uma só palavra do que sempre digo. Acontece que no fundo do meu coração eu sei que eu mesmo na circunstância deles talvez fizesse pior, pois sei o quanto sou instável.

Eduardo Medeiros disse...

Joel, oi.

Deixa eu te perguntar uma coisa: se a interpretação bíblica não é particular, então quem tem a autoridade para interpretá-la em nome de todos?

Talvez a santa madre igreja católica? o papa? os apóstolos de cristo que já não estão mais aqui para dizer que é assim ou é assado, visto que até mesmo o que eles escreveram já foi a interpretação do impacto que Jesus teve sobre eles? o supremo concílio da IPB? a CGADB? a CPAD? você? eu? Levi? Gresder?

dizer que:

"Deus não deixou uma norma para cada pessoa individualmente mas sim universalmente exatamente para não privilegiar ninguem."

É a frase mais sem sentido que eu já li sobre o assunto. Por que simplesmente, Deus não deixou norma nenhuma, nem pessoal, nem universal.

A hermenêutica tem regras próprias e não foi dada por Deus, é uma ciência humana. E ainda assim, a hermenêutica nada diz sobre como eu tenho que processar espiritualmente o que leio, no máximo, só pode me dizer sobre contextos históricos, motivações e teologias usadas pelos autores. Como essa palavra me atinge, está fora da alçada hermenêutica.

Nisso concordo com Barth: eu encontro a Palavra quando eu vou ao texto que contém a Palavra; e essa Palavra (que não é a PALAVRA), em mim provoca um efeito diferente do que provoca no joãozinho, que difere da mariazinha; senão, joãozinho diria para a mariazinha, que o modo como a Palavra lhe afeta é falso, e vice-versa.

E a tal "norma universal", se é que ela existe (sei que não), quem a impôs não foi Deus, mas um ditadorzinho espiritual qualquer.

Você vai de encontro a toda tradição reformada onde os crentes conquistaram o direito de lerem a bíblia e de encontrarem com o seu Deus no texto, sem fazer do próprio texto, um Deus digno de adoração.

Querido Joel, tens nome de profeta, ainda que teimoso, profeta. Então, não fique teimando em dizer que os liberais são uns desviados da bíblia e que todos caminham solenemente para o inferno (você não disse isso, mas é o que você pensa).

Não leva mal, meu comentário é sobre ideias e não sobre pessoas, ok? inclusive você tem todo o direito de crer no que quiser, tem até o direito de crer que o seu modo de crer é o único modo de crer aceitável para Deus, só não deveria ter a pretensão de achar que o seu modo de crer, é aquele que eu tenho que ter, senão estarei "perdido", em "pecado", "desviado", e todos esses termos do vocabulário crentês.

Alguém, mui certamente perguntaria: "então estamos navegando sem leme, numa noite escura em meio à tempestade?

É mais ou menos por aí. Mas, aleluia, há um farol que ilumina o caminho, e ele se encontra nas seguintes palavras de Jesus: Ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo, isto é a Lei e os Profetas". O que daí sair, é teologia.

abraços
abraços.

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“todo ponto de vista é à vista de
um ponto, nos sempre vemos de um
ponto, somente Deus tem todos os
pontos de vista e tem a vista de
todos os pontos.”
.

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