
Dentre noites sem luas e escuras, tardes de outono melancólicas, pânico generalizado na população, angustias profundas de almas piedosas, espaços físicos tenebrosos e ambientes psíquicos sugestivos, e de todas as sensações, emoções e impressões humanas a que mais produziu até hoje: mitos, revelações e lendas, foram à percepção de proximidade da morte. Mas morte no sentido de que não se cabe mais neste mundo. Como se estando encurralado pelas conjunturas religiosas e espirituais que os cercam. Coisa que sempre aconteceu em quase todas as religiões ou épocas da humanidade, pois até hoje sempre se teve e se tem a impressão de que se vivi na iminência do fim dos tempos.
O medo do inesperado, a luta pela sobrevivência, a vulnerabilidade da vida e a sensação de se ser esmagado pela complexidade e mistério místico do mundo sempre foi material farto para a imaginação fértil de todos os povos primitivos que pisaram esta terra fantasmagoricamente fantástica. De forma que até hoje como que por reminiscência dos genes de nossos ancestrais em nosso sangue, também sentimos esta impressão apocalíptica da vida tirar o nosso sono e levar embora o nosso desejo de perpetuidade feliz nesta terra.
Como animais selvagens que lutam a cada dia nos perigos de seu habitat pela sua sobrevivência diária com atenção redobrada e cuidados e medos sobressaltados. Assim esta o homem a buscar não só a satisfação das suas necessidades básicas naturais, mas também as das suas faculdades sociais e morais, sendo poderosamente influenciado em seu modo de perceber o mundo espiritual pela impressão impregnada no seu inconsciente dos ânimos ressaltados de suas sucessivas lutas pela sobrevivência da vida.
Junte se as perseguições aos religiosos a visão do espetáculo de impérios monstruosos engolindo e dizimando nações, terremotos, guerras, pragas, privações, dores, sensação de proximidade de morte, mais uma poderosa intuição particular inexplicável dentro deles, mais todos os seus medos, todas as suas esperanças, todas as lembranças e promessas milenares e recentes, com as suas próprias perspectivas de que este mundo esta moralmente perdido, com o desejo despertado do seu senso de justiça para que Deus punisse toda maldade humana. Junte tudo isso ocorrendo por fora de um profeta, de forma tão poderosa a mexer com todo o seu interior, seus sonhos seus medos e seus surtos, junte isso e temos uma revelação apocalíptica, como muitos tiveram no decorrer da historia da religião.
E apesar de o livro e as predições escatológicas que levam o nome do autor como sendo João o Apostolo ser integrantes de um estilo literário apocalíptico vigente desde a época de Daniel e Ezequiel, que são cuidadosamente elaborados pelos autores com todos os seus símbolos figuras e numerologia que trazem uma mensagem Profunda e indireta a respeito da soberania de Deus sobre este mundo, como consolo aos fieis. Tais escritores não foram interlocutores inteiramente conscientes do que faziam como também não foram totalmente passivos de uma revelação mística, mas sem ao menos tomarem conta de todo processo psíquico escreveram entre a lucidez de seus propósitos, inspirados pelas impressões mais profundas dos seus inconscientes marcados pela apocalipsidade de suas próprias vidas.
Gresder Sil
escrito em 09/05/10