sábado, 19 de junho de 2010

O Homem que perdoava pecados



Ao olhar para a multidão, Ele sentiu compaixão por eles todos, pois eram como ovelhas sem pastores. Aquele era o seu povo, mas antes de tudo eram gente que sente e sofre, gente que sem esperança andavam desgarradas pelo mundo, pois na religião oficial de seu país eles não encontraram lugar.

Como podia Ele, um nobre entre os homens, direcionar seus olhos para outro lugar mais alto, se andando no chão desta existência, Ele esbarrava e tropeçava em todo tipo de pobre, e em todo tipo de mutilado pela vida. Profundamente comovido, Ele acreditou ser Ele o escolhido para poder dar sentido e esperança aos pobres e pequeninos deste mundo, a começar pelos seus.

Intimamente massacrados pela mentalidade da religião, aquela gente acreditava estar naquelas circunstâncias por causas de seus pecados, pois para eles toda a miséria e moléstias de um homem eram porque ele mesmo ou seus pais tinha pecado.

O que fazer agora! Dar aquele povo uma explicação filosófica sobre a realidade de que um ser jogado aleatoriamente na vida, pressionado pelas suas necessidades, consumidos pelas suas ânsias de ser feliz, não tinha culpa nem uma do seu estado miserável de existência?

Não! Aquele povo não precisava de uma iluminação metafísica das origens e motivos das coisas, que em nada os fariam melhorarem. Eles necessitavam é de se sentirem amados, de se sentirem perdoados, pois a dose de culpa que injetaram na consciência daquelas pessoas, perpassava todo o seu corpo, e contaminavam, e obstruíam todas as suas veias e canais por onde passavam as entradas e saídas da Vida.

Portanto Ele podia perdoar pecados, porque não existiam pecados, o que existiam eram apenas homens descalços na estrada poeirenta da vida. Ele podia perdoar, porque Ele sabia que perdoar era o sinônimo do amor que eles tanto precisavam para poder voltar a viver com dignidade. Visto estar à redenção de um homem para uma nova vida na quantidade de valorização que ele recebe: “a quem mais foi perdoado, tanto mais amou”.

Se os primeiros homens de sua raça imaginaram pecados como culpa e responsabilidade aonde não existiam em seres encurralados pelas demandas poderosas da vida. Ele do mesmo modo concebeu um perdão que também não era necessário em uma suposta dimensão espiritual, mas que era indispensável aos sentidos humanos como um símbolo do Amor emocional e psicologicamente redentivo.


Gresder Sil
(Esdras Gregório)


Baseado na tese de que o velho testamento é construção e interpretação teológica de como os judeus perceberam e conceberam a atuação de Deus sobre o mundo. E na tese de que Jesus sendo apenas o Servo escolhido e Profeta prometido, muitas vezes teve que se esvaziar de seu entendimento mental sobre o mundo para falar em parábolas hipérboles e símbolos ao coração daquela gente.


Escrito em 29/05/10

14 comentários:

Isaias disse...

Um pouco de veneno bem trabalho cura; muito veneno mata. Assim acontce com a culpa. Um pouco nos faz rever conceitos, procurar melhorar, não prejudicar ao próximo. Muita culpa nos abate, enche-nos dos demônios neuróticos da busca da perfeição e nos afasta continuamente de Deus.

Quem mais poderia perdoar os pecados daquela gente, a não ser um louco que estava acima da religião e que entendia o ser humano como ninguém? Por isso ele disse: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e meu fardo é leve." (Mateus 11:28-30)

E tem agente que ainda acha que um homem daqueles não era Deus...

Marcio Alves disse...

Sim! O perdão de Jesus era completamente gerador de cura existencial para os cansados e oprimidos nesta terra.

Nisto reside sua autoridade...trazer vida, alegria, esperança e redença para todos que foram massacrados pelas contigencias da vida!

Suas palavras são balsamo que refrigera as almas dos opressos, sua atitude inclui os excluidos, sua vida é ispiração para os humanitarios, seu reino um exemplo de solidariedade para com os pobres, sua morte uma revolução da vida que mesmo depois de morta clama e ainda clamará por toda eternidade nos ouvidos do mundo!

Eduardo Medeiros disse...

Destaque-se também, a indignação da religião oficial à esta frase revolucionária de Jesus. "Quem pode perdoar pecados senão Deus?" eles perguntaram a ele em tom de acusação...não entenderam. Se ainda hoje é difícil para os religiosos entenderem, imagina!

Gresder Sil disse...

Isaías um pouco de culpa é bom, mas e a culpa irreal de nascermos pecadores pela desobediência de um só homem!

Imagine uma puta ou viado como você mesmo cita lá no seu post que alem de estar num estado miseravel de existência perante os demais, ainda serem culpados de um tal pecado original de alguem que fez algo sem o seu consentimento e que fudeu eles para sempre!

Gresder Sil disse...

Lindíssimo comentário Márcio, mas você não percebeu o cerne do texto que é a negação do pecado original, emfim do pecado no sentido geral.

Gresder Sil disse...

Eduardo eu também não entendi o que você quis dizer com eles não entenderem antes, ainda mais agora sobre somente Deus é que podia perdoar pecados.

Eduardo Medeiros disse...

Ora, garoto prodígio, teu próprio texto responde o que eu comenentei:

"Portanto Ele podia perdoar pecados, porque não existiam pecados, o que existiam eram apenas homens descalços na estrada poeirenta da vida. Ele podia perdoar, porque Ele sabia que perdoar era o sinônimo do amor que eles tanto precisavam para poder voltar a viver com dignidade. "

Eu concordei com você e disse que "eles" continuam sem entender...entendeu? Ou quer que eu desenhe..heeeeee

Gresder Sil disse...

Nao presisa desenhar que eu já entendi que voce entendeu que eu nao entendi, que voce entendeu o texto.

IolandaG disse...

Devo dizer a você Gresder que és um
escritor como poucos.
Belissimas palavras
Sua escrita me emociona
Parabens!
Que Deus o abençoe sempre

IolandaG

Gresder Sil disse...

Fico sem palavras para agradecer seus elogios.
Saiba que os olhos são as portas da alma, se nossos olhos forem bons, a nossa percepção do mundo será bela, a despeito de todo mal.

Filho de Jacó disse...

Pois quem conhece as coisas que há no homem, senão o espírito do homem que nele reside? Assim também as coisas de Deus ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus.(1 Corintios 2, 11)

disse...

Foi para isto que ele foi enviado. Gostei do seu blog, muiiito. Paz seja contigo!

disse...

Meu amigo ja tens minha admiração pelo que li no seu perfil, a propósito vc tem uma foto do seu livro? se tiver mande para eu colocar no meu blog, eu coloquei de um amigo meu que fez um livro também independente, se Chama Boêmia,este livro fala sobre a intolerância religiosa muito bom, se vc tiver me mande e vamos fazer propaganda, que vc acha? eu adoro fazer essas coisas, tenho um outro amigo também que fez mas a foto do livro dele ficou muito grande e não deu para eu colocar, bom vc quem sabe se achar que é válido, me mande! Paz!

Esdras Gregório disse...

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“todo ponto de vista é à vista de
um ponto, nos sempre vemos de um
ponto, somente Deus tem todos os
pontos de vista e tem a vista de
todos os pontos.”
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