
Sim! Leio, e releio. E mais ainda! Faço uma releitura; lendo todos os dias, só que agora não mais debruçado sobre o registro sagrado desta historia inacabada. Uma vez que de tanto ler o Livro, os pensamentos e vida dos protagonistas saltam do texto, ganhando vida não só na minha mente e memória, mas se assentando de forma impertinente no mais profundo do meu inconsciente; não me deixando livre para outra coisa a não ser para me remeter a ler e reler novamente onde ele ainda estiver sendo escrito.
Não! Não leio o livro como verdade fossilizada e irretocável, mas leio hoje em dia o evangelho na crise pessoal da fé de todos os meus amigos e irmãos em Cristo. Tendo por certo que escrituras nada mais são do que um registro fidedigno da fé e pensamentos de homem que pelejarão por Deus no mundo e que intimamente lutarão com Deus no coração, em todos os milhares de Testamentos os quantos podem existir.
Sim! Todo o drama e conflitos que os homens de Deus viveram no passado não me deixam em paz por um só momento. E principalmente por ver que a experiência demasiadamente humana deles, se repete em nos, não aceito jamais que a suas histórias sejam consideradas mais sagradas e santas do que a minha e a daqueles que comigo se debatem interiormente para guardar a fé a despeito de nossa incredulidade. E nem por isso deixo de considerar e respeitar profundamente o Livro, visto que não faço uso arbitrário dos seus textos para impor meus pontos de vista.
Não! Os apóstolos não têm a palavra categórica sobre todas as possibilidades de experiências cristas vivenciadas em todos os povos e mentalidades desta terra. Milhares de Paulos Tiagos e Pedros escrevem hoje cartas as igrejas dispersas pelo mundo, com forme as necessidades circunstanciais assim como foram escritas pelos discípulos as primeiras meditações sobre a obrigatoriedade da práxis da fé em cada experiência de vida das pessoas daquela época. A essa altura do campeonato não da para deixar de crer, pois creio sim! Com todas as forças da minha alma na Palavra que transcende e não esta presa ao documento, que é apenas seu veículo de comunicação.
Sim! Não creio num cânon fechado, porque em Cristo a minha vida e pensamento apesar das contradições e mazelas não é mais comum como dantes, mas tão inspiradas como a dos heróis da fé, nos dois primeiros Testamentos da história ainda incompleta da redenção do ser humano. Uma vez que o único que tinha autoridade para “canonizar” ou afirmar como infalível ou consumado qualquer ação registrada e pensamentos escritos, disse que obras maiores do que as Dele seriam feitas no futuro.
Não! Não aceito que se resumam a complexidade do homem pecador responsável, mas incapaz, diante de um Deus inexoravelmente Santo e incorrigivelmente perdoador, no discurso diplomático do evangelho simples. Pois resumir toda a tensão de nossos dilemas cruciais da vivencia da fé, a uma mentalidade simplória que não seja a simplicidade do coração, é sim uma fuga das implicações extenuantes que causam o choque da relação do homem finito e sujeito ao corpo e ao tempo com um Deus eterno e
senhor do tempo e da matéria.
Sim! É isso que se quer: sintetizar o evangelho de forma simples e intocável, para não se fazer mais reavaliações da nossa conduta que foge do confronto e da necessidade de desconstrução da ignorância tola a qual batizamos de: simplicidade do evangelho. Isso porque uma vez que o evangelho sendo simples e fácil de entender, já não se precisa pensar mais nele e nem por ele se perturbar, mas usar todas as nossas capacidades de entendimento nas formas de se alcançar ou consolidar o status social-religioso que obtivemos na pregação do: “Deus amou o mundo de tal maneira”.
Não!Não e não e não! Esse culto ao evangelho humilde e idolatria bibriocentrica não tem sido capaz de diminuir a angustia ou resolver o problema de milhares de cristãos sinceros que amam a Deus em seus corações, mas o desonram em seus corpos; mas apenas satisfaz a consciência daqueles que lavam as mãos por terem ensinado a “verdade”. Não! não quero essa verdade e simplicidade que não seja aplicável na minha existência, a qual não vejo no olhar do meu irmão, e que não existe, a não ser na doutrina “ortodoxa”; antes, melhor uma “heresia” viva que incendeiam o coração daqueles se equivocam e apenas conjecturam sobre Deus.
Sim! Não preciso mais ler literalmente o Livro, porque o releio todos os dias em mim mesmo e no depoimento franco daqueles que reescrevem na dor e escravidão de sua enfermidade da carne e na crise de suas consciências perante Deus: um novo Testamento; não em oposição ao Outro, mas como continuação militante de um multiforme evangelho, conforme as muitas formas e capacidade de entendimentos e possibilidades de força de atuação da vontade humana. Não! O Livro ainda não foi concluído, as palavras não foram todas ditas, mas estão sendo escritas a todo o momento por todos aqueles que mesmo que de forma trágica, são personagem desta historia.
Gresder Sil