
Em estações outonais de nossas almas e dias sem fé e de e seco ceticismo olharmos para os céus do nosso espaço sideral imenso e infimamente explorado e conhecido, e pensamos “estamos sozinhos no universo?”, “existe um Deus a nos olhar pelo menos?” “existe outros seres que compartilham conosco a vida e a consciência?”. E se estamos sós ou inacessíveis pela distância? O que seria de nossas vidas agora, qual Palavra, direção ou exemplo a seguir sem a fé em um Deus que domina sobre todo mundo?
Acaso agora sem a certeza de outra vida e de um juízo sobre nossas vidas nos tornaremos mais egoístas e pecadores ainda? Algum Ser ou alguém se importa conosco e com nossas felicidades e destino. Existe algum Amor ou motivo que possa nos influenciar e mover ao que é bom e evitarmos o mal, pressentindo e chegando a conclusão de que o Bem e o Mau pregado pela religião não existem a não ser como conceitos metafísicos na cabeça dos religiosos.
E então? Agora sem ter a certeza concreta de que tem alguém sobre o universo piora a condição da impiedade humana! Não! Pois agora sem auxílio espiritual a nossa carga aumenta, e mesmo que não seja possível se ser puro e espiritual, é totalmente possível a gente ser verdadeiro honesto e corajoso diante da maldade que nos cerca. Pois se não existe um juízo é nós que temos que fazer a justiça agora. E por não termo uma moral divina a nossa responsabilidade e unidade diante dos nossos semelhantes só aumenta em grau e seriedade.
Mas de fato não estamos sozinhos no universo, pois “Deus” foi um de nós e a melhor coisa é que Ele não é um ser estranho a nós, mas era homem, e um homem totalmente humano e única e exatamente como nós somos em contradição e humanidade. E com homens como Ele, os profetas, os grandes poetas, os humanistas e humanitários e os bons cientistas, estadistas e filósofos da historia, não há por que reclamar da completa inatividade sobrenatural e silêncio de Deus nesta vida, aonde não existe prova nem uma de que Deus tenha falado de forma audível a alguma pessoa ou nação para nós direcionar e julgar no fim do mundo.
E exatamente por não ter, estes tais homens assumiram a responsabilidade de falar em nome deste Deus distante e Desconhecido que nada fala ou dita literalmente ao seu ouvinte e receptor. E o fato de um deles ter “assumido” a identidade de um deus, não significa que o seja. Mas que ousadamente por saber que Deus não tem voz ou face alguma reconhecível, e por não querer ou não ter mãos a estender à humanidade, Ele ergueu a sua voz, e estendeu as suas mãos, fazendo da autoconfiança em seu coração a certeza de que a sua face era a melhor para representar o Deus irrepresentável e incomunicável formado e concebido na sua psique.
Sabendo agora que os olhos, as mãos, e os pés de Deus são os olhos as mãos e os pés destes homens. E sendo eles humanos, sem a magia e sem todo o invólucro sagrado com que foram editadas suas vidas, só nos resta agir como eles e como pessoas adultas a qual por não ter um Deus provedor sempre ajudando, se torna prontamente o coração, a boca, e as mãos de Deus nesta terra. Não deixando que a vida seja vivida desamparadamente sem Deus até que um dia a gente descubra (ou não descubra) que estamos sozinhos ou inacessíveis neste recanto solitário e perdido do universo.
Pois comprovadamente até agora, como seres pessoais conscientes estamos sonsinhos nesta nossa galáxia e a fonte misteriosa de vida a qual chamamos Deus, só atua na e pelas mãos dos homens, o único amor que existe é o nosso, é o que nós sentimos por nossas famílias e amigos, o amor de Deus é o amor humano que os homens sentem um pelo outro (que tem muito mais valor por ser de seres imperfeitos e sofredores). Por isso se o homem não amar o seu próximo, míngüem fora daqui ira Amar, somos a mão de Deus, e ninguém tinha tanta consciência disso como aqueles que se permitiram ser chamados de enviados de Deus, amando por este Deus imaginado, os seus até o fim.
Gresder Sil
escrito em 09/11/10





