
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para todo aquele que Nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna”
Não consigo mais olhar para esse mundo e não acreditar que o nosso entendimento dessas palavras não deve ser reinterpretado. Pois há muito tempo não consigo mais olhar para uma multidão de pessoas quer seja num ônibus, nas ruas de um centro ou num estádio esportivo e acreditar que todas elas vão se perder enquanto alguns poucos deste mundo serão salvos por mérito de arrependimento. Neste caso se fosse assim seria bem melhor se Deus tivesse abortado a humanidade desde o princípio, do que permitir que o homem nascesse em miséria moral e existencial para depois condená-lo, perpetuado ao infinito o seu infortúnio que começou no dia em que ele foi jogado ao mundo nestas condições de pecado sem a sua concessão..
Prefiro aberta e corajosamente me recusar a crer nisso, do que afirmar acreditar por medo ou fidelidade sega, enquanto na pratica eu vivo e me comporto ignorando essa realidade por que meu intimo não concorda e não aceita que isso seja verdade. E por isso eu não mais acredito que este Amor de Deus esta limitado apenas a quem se torna cristão, e a quem se submetem ao modo de ser e entender de um tipo de gente religiosa. Pois Deus é o Deus do mundo inteiro, e eu não somente espero como também quero acreditar até o fim na possibilidade de que Ele pode ainda absolver um dia quase todo pecado e incredulidade dos homens num ato triunfante de suspensão de juízo e castigo onde somente a Graça e Misericórdia prevalecerão.
Porquanto a beleza apaixonante desta sentença crista: “quem crer será salvo” destoa horrivelmente com a realidade de quem crê que não é em momento algum diferente de ninguém deste mundo, pois nos tornamos apenas mais um grupo de religiosos entre os demais, que acredita que para se chegar a Deus deve se fazer alguma coisa da nossa parte para garantir essa salvação. E assim pensando queremos submeter o resto das pessoas a torná-las todas idênticas a nos.
Uma coisa é o evangelho conforme a sua força de declaração nos escritos, outra é a realidade incompatível de todo aquele que crê, pois a mesma beleza e certeza que vem das palavras ditas, não são vista na vida daqueles que aceitam essa mensagem. O que somos? Senão apenas mais uma multidão de pessoas desesperadamente agarradas a uma fé como sentido de vida, sem a qual não teríamos mais chão para pisar se tudo não fosse verdade.
E o que nos tornamos? Senão mais um grupinho que se julga privilegiado por Deus por ser mais obedientes a sua vontade, enquanto que quem não crer, não Nele, mas na gente, não serão salvos. Entretanto a maioria crê sim no nosso Cristo, o que não crêem e no nosso cristianismo. É assim por que a distancia e dissonância de crer em Jesus e ser crente é muito grande. Uma diz respeito à fé de que o Deus deste mundo deu seu filho para humanidade inteira simplesmente crer, ser melhorada e salva por isso. Já a outra fala de se tornar ou adotar um modo distinto de vida religiosa, que vê a salvação como um privilégio exclusivo de quem se torna digno dela pela obediência.
O que só pode ter acontecido é que consciente ou inconscientemente patentearam a graça de Deus e embrulham o melhor presente no mais pobre dos papeis. Fizeram da verdade mais incrível de vida para a humanidade uma fuga da realidade da vida para um gueto de mediocridade, assim como tornaram a liberdade dada, na mais escravizadora maneira restrita de julgar as pessoas, como se realmente estivéssemos à altura das coisas que foram ditas, pois na realidade somos absolutamente iguais a todos deste mudo.
E se a Realidade não confere com a verdade, é por que a nossa interpretação desta tal verdade até agora não é a Verdade de que Deus amou o mundo de tal maneira, que ira Relevar a necessidade de crer, quando essa se tornar sinônimo de si ser crente como a gente é e foi ate agora. Pois ele não é um Deus somente dos crentes, mas da humanidade inteira, para qual deu o seu Filho para que todos creiam, e não necessariamente se tornem cristão com todo o seu modo particular de doutrina e culto que mais separa os filhos de Deus do que os ajunta.
Gresder Sil
O que não entenderam os ortodoxos até agora é que teologia liberal se faz muito mais com um coração que ama, do que com uma mente incrédula e ímpia como pensam a maioria.