
Moises estava ali de novo, só que agora, carregava um povo em suas costas. O lugar ele já conhecia, pois fora ali que pela primeira vez sentiu de forma singular a voz do Eterno em seu coração. Aquele lugar era mágico e magnético, e a mística do encontro climático espetacular daquele ambiente sugestivo era o suficiente para impressionar a mente e cativar a o coração daquele povo ao Todo Poderoso que convergiam ali às forças da atmosfera e do clima da região num encontro magistral e magnífico da natureza.
Aquele queira ou não, era o seu povo, e independente de sua formação e cultura as suas origens vinham daquela raça promissora, mas agora oprimida em uma terra estranha. Num relapso de momento acreditou ser a sua responsabilidade, dar vida e dignidade aos seus, porque teve a percepção e a sensibilidade de intuir e observar que pelas forças do destino daquele seu tempo e circunstâncias, se convergiam nele, todas as possibilidades de poder emancipar aquela gente, fazendo deles uma grande e poderosa nação.
Moises acreditava até os ossos no Deus dos seus antepassados, mas nem uma fala ou som audível escutou, e nem sequer pode ver a face ou as costas daquele deus irrepresentável e mudo que gritava em seus ouvidos. A oportunidade era única, o tempo tinha amadurecido as suas convicções, e ele não mais tinha tempo a perder esperando como jovem imaturo uma revelação tangível. E por isso sentiu não poder postergar a responsabilidade de assumir por sua conta e risco que a intuição pura e improvável de sua mente, era a voz indireta de Deus ao seu coração.
E assim estava ele naquele Monte estrategicamente monstruoso e terrível que provocou terror e tremor na impressionabilidade daquela gente toda, que esperava dele inconsciente e instintivamente uma identidade, uma pátria e um deus como tinham as nações circunvizinhas. Deste modo encurralado milagrosamente pelo Deus inacessível e incomunicável de seus pais, recluso, sozinho, e desesperado no Monte, ele não tinha outra saída a não ser impor por si mesmo naquela gente sem rumo e insurgente, a síntese dos melhores preceitos aprendido das civilizações, como sendo mandamento arbitrário de um Deus soberano e inquestionável que “ditava” para ele as suas leis.
Gresder Sil