
Existia um rapaz em que no tempo em que ele começou a descobrir os prazeres do mundo, a religião invadiu o seu ser, incendiou a sua alma. Que felicidade! Agora a sua vida tinha um novo sentido e ele não mais precisava buscar nas efêmeras alegrias o consolo de viver num mundo tão contrario e insensível aos nossos desejos e planos que fazemos nesta vida.
Entretanto satisfeito a sua alma, o seu corpo ficava no vazio! E a sua carne pedia o seu tributo, queria ela também ser saciada. Daí que uma das primeiras coisas que “lhe ensinaram” era para que ele matasse a sua velha natureza e lutasse contra os desejos da sua carne. Que luta! Que agonia! Descobriu que dentro de si mesmo existia uma guerra que o impedia de ser completamente feliz.
Mas como sempre a religião tinha a solução, pois “lhe ensinaram” que era somente ele buscar as coisas do espírito que as coisas do mundo perderiam o seu poder sobre ele. Foi então que ele descobriu um novo prazer: ensinar os preceitos da religião. Pois sendo a vida resumida na fuga da dor e na busca do prazer, ele agora substituía o prazer das coisas do mundo pelo prazer das coisas do espírito.
No entanto de tempos em tempos seus antigos grilhões vinham ferroar sua carne. Pois quanto mais ele lutava contra ela mais ela insatisfeita lhe afligia a alma. Todavia ele, seguindo os ensinamentos da religião, mais se dedicava ao espiritual para não somente vencer como também para compensar no espírito o prazer que lhe era privado na carne.
E deste modo ele se fortalecia nas coisas do espírito. E tanto mais ele lutava e se dedicava mais ele se destacava e mais instruído e importante ele ficava no meio das pessoas da sua religião. E na medida em que ele ia mais se comprometendo e se aprofundando nos mistérios da religião, mais ele ia com desespero de fracassar, intensificando suas tentações. Contraditoriamente tornando cada vez mais forte a carne na resistência dos venenos sofisticados que tentavam mortificá-la.
Passado o tempo, agora ele era sacerdote da religião e sentia fugir de si mesmo toda pureza e simplicidade que tinha e que o levaram ao lugar e poder que agora possuía. Pois não enxergava mais as coisas como antes, e percebera que quase que tudo que era atribuído a religião tinha a sua simples explicação nos acontecimentos desta vida. Só que agora não podia mais mudar as coisas, pois tinha construído um império, que lhe dava seu imenso prazer de viver e sentido de existir gloriosamente.
Estando com seu lado social religioso satisfeito bateu na sua porta o desejo da carne faminta no momento onde ele não somente estava exausto de tanto lutar como também não mais acreditava em quase tudo em que olhava na religião. Ai então que desencadearam sobre ele uma espécie de desejo desenfreados de satisfazer todas as vontades reprimidas ou mal satisfeitas de sua juventude.
Só que tudo isso lhe custava dinheiro, daí que ele fez do seu oficio sagrado um meio de vida e renda já que não acreditava em mais nada, pois estava frustrado por seguir os ensinos da religião que não o livraram da sua carne. Pois como não sabia ser ou fazer outra coisa na vida que não fosse ser ministro da religião, ele começou a ensinar com eloqüência para o povo aquilo a qual eles queriam ouvir. E assim lhe traziam aos seus pés todo dinheiro que ele precisava não somente para manter seu império como também para satisfazer toda sua luxuria.
Gresder Sil