
Mas o que é verdade mesmo? A verdade que acreditamos hoje ou a que vamos acreditar amanha. Visto ter sido o “engano” do nosso passado tão fundamental para nós chegarmos hoje a nossa verdade que não será mais verdade depois de amanha.
Qual é a verdade, Verdade? A verdade dos homens modernos ou dos nossos ancestrais primitivo e nações antigas que não mais existem? O que é verdade, a nossa a qual chegamos hoje na idade contemporânea ou a que chegaremos amanha em uma nova Era e milênio aonde todo conhecimento atual será apenas provisório e infantil para uma nova visão de realidade criada por um novo tempo e por novas realidades.
Qual verdade é mais Verdade, a verdade de quem esta dentro da caverna aprisionado ao seu modo de ver as coisas pelas sombras e nada sabe dos que estão no mundo de fora, ou a dos que contemplam a imensidão indecifrável e incógnita do universo ainda infimamente mal explorando?
Que sabe mais? Aqueles que não sabem nada ou aqueles que sabem que nada sabem sobre a origem inatingível da vida, explicada por mitos religiosos ou científicos?
Qual é a verdade mais Verdadeira, a verdade daquele que é feliz por não saber da infinitude inexorável daqueles que presumem estarem libertos das cavernas profundas da ignorância humana. Ou a verdade daqueles que sabem que estando livres para ver, somente enxergam às paredes limitantes de um universo contraditoriamente místico metafísico e cientificamente milagroso.
A verdade esta em movimento, como um circulo que abrange toda a extensão da vida, e apenas estamos nela em algum ponto de sua rotação, e por isso sempre acreditaremos nela de um ponto de vista, visto não podermos ter todos os ângulos possíveis, mas apenas de forma gradativa enxergar a cada dia melhor.
A verdade é subjetividade, cada um tem a sua, no seu tempo, na sua capacidade de entender, suportar e digerir. A verdade é a verdade nossa de cada dia, uma verdade por dia, uma desilusão por noite, uma redescoberta estonteante no esplendor do meio do dia, um retrocesso melancólico ao entardecer e um desdém filosófico agnóstico na contemplação da Verdade absoluta do amanhecer.
Verdade é como umbigo, cada um tem o seu, conforme quer crer, conforme quer ver, conforme se recusa em saber, conforme deseja, ou não desejar saber, que não quer querer saber. A verdade num mundo infinito aonde ninguém nunca a esgotara, não importa para um ser finito, cuja vida é um sopro que se esvai antes de ele tomar conhecimento de um milímetro de todo oceano de conhecimento que é a vida e a eternidade do ser e da matéria existente.
Mas qual é mesmo a verdade mais importante, a do homem ou da criança, a do ser humano ou do animal? O que importa se uma cidade é construída encima de um ninho de formiga, se elas estão felizes na sua mais absoluta ignorância da verdade dos homens que despreocupados e impiedosamente as pisa.
O que importa para uma criança o quanto é duro a realidade dos adultos sendo que elas nem ainda aprenderam a falar e escrever para ainda um dia ingressaram no mundo que ainda não se tornou a sua realidade, cujas verdades, só serão Verdades quando elas estiverem prontas para saber.
O que importa a porcaria da realidade de um ser humano comum para um altista, ou para um deficiente físico ou mental. Cada um tem o seu mundo, cada mundo tem a sua verdade, cada verdade tem sua lei, cada lei visa ou único bem absoluto de todos os entes sensíveis do universo que é a FELICIDADE.
Só a felicidade é absoluta, pois somente ela se atinge em todos os níveis de conhecimento, em todos os mundos individuais, em todas as realidades que atinge o ente no mundo, no seu mundo, no seu universo, criado pelo seu deus, e perturbado por seus demônios.
Cada um tem o seu absoluto e o seu conceber sobre a vida, pecado e morte, portanto que cada um siga a sua consciência não impondo sobre os outros seus próprios absolutos. Para cada mundo: uma lei; para cada consciência: uma moral; para cada caso: uma decisão; para cada individuo: uma vontade.
O que importa a verdade de que lá não sei aonde tal sujeito descobriu isso ou aquilo, o que importa a verdade da qual as matérias do universo são formadas por micro partículas, o que importa isso ou aquilo se tais verdades não me atingem, não me acrescentam ou me diminuir.
O que me importa a sua verdade se ela não me é útil, se ela não me eleva, se ela não me transforma, se ela não me faz um indivíduo feliz. Só a felicidade de cada ser neste mundo importa, conforme as suas estruturas, interpretações, sonhos, mentiras e verdades que só são verdades para ele.
A verdade é subjetividade, e a subjetividade é a busca solitária de cada um no seu universo interior em busca de sua felicidade. A felicidade é o bem máximo, o bem mais desejado, o bem mais buscado, a felicidade é o alvo supremo da vida. Cada um chama por um nome: Deus, amor, saúde, fé, amizade, dinheiro, prazer.
Mesmo assim a felicidade não é absoluta em seus meios, pois cada a um busca por um caminho. Que cada um acredite no que quiser, que cada um busque o que quiser. O direito de se crer em duendes por mais irreais que eles sejam para mim, é direito supremo de cada alma, cuja possibilidade de imaginações e sensações compõe a beleza diversa do mundo.
Qual triste seria o mundo se crescermos em uma só verdade, qual incolor, qual sem sabor, quão tirano seria seguir apenas a verdade dos libertos da caverna, sendo que cada caverna tem a sua profundidade com a sua multiplicidade de seres microscópios, cada um com a sua verdade, cada um com a sua necessidade para sobreviver.
Qual triste seria para um nativo que se deslumbra com o mistério sobrenatural da natureza, ter que acreditar que no mundo só existem: matéria e movimento, e não uma rica variedade de espíritos que dão sentido a sua interpretação transitória do mundo, do seu mundo, do seu deus, e conseqüentemente: do fim deste seu mundo por este seu deus.
Gresder Sil
Escrito originalmente em 05/06/10